— E desde quando você sabe alguma coisa sobre o meu escritório? — perguntou, girando lentamente a taça entre os dedos. — O Costa abriu o jogo, foi? Grande parceiro você é, hein!
Costa permaneceu calado.
Terminei meu vinho.
Como se nada tivesse acontecido, Artur mudou de assunto. Futebol. Férias. Carros. Exatamente como sempre fazia.
Respirei fundo.
«Tudo bem… Já sobrevivi a isso tantas vezes. Sobrevivo de novo.»
Naquela noite, depois que todos foram embora, eu estava na cozinha lavando a pilha de louças.
Costa aproximou-se por trás, envolveu minha cintura com os braços e apoiou o rosto no meu ombro.
— Desculpa por ele… Você sabe como o Artur é.
Continuei esfregando um prato antes de responder.
— Justamente. Eu sei muito bem como ele é. Mas dizer que «ele é assim» não transforma falta de respeito em brincadeira.
Costa beijou minha nuca, suspirou e foi dormir.
Eu continuei parada diante da pia.
A água quente escorria pelas minhas mãos, mas eu já não conseguia sentir conforto algum.
Só cansaço.
Sete anos ouvindo exatamente as mesmas piadas.
Sete anos escutando exatamente as mesmas desculpas.
Sete anos vendo as mesmas pessoas abaixarem os olhos para evitar o constrangimento.
Cerca de um mês depois, Artur telefonou.
Era o aniversário dele.
Quarenta e dois anos.
Convidou-nos para a festa.
Mesmo depois de tudo, resolvi preparar um presente.
Talvez fosse ingenuidade.
Talvez apenas fizesse parte de quem eu era.
Sou confeiteira.
Passei quase seis horas preparando um bolo de três andares, coberto por ganache de chocolate, decorado com delicados fios de caramelo moldados à mão. Cada camada exigiu um preparo diferente: o merengue, o recheio, a cobertura e toda a decoração foram feitos separadamente.
No final, o bolo pesava quase quatro quilos.
Costa carregou a caixa até o carro com tanto cuidado que parecia transportar um bebê.
— Ficou maravilhoso — disse admirando o trabalho. — O Artur vai ficar impressionado.
E realmente ficou.
Só que não da maneira que imaginávamos.
O restaurante estava completamente reservado para a comemoração.
Havia cerca de vinte convidados.
Mesas compridas cobertas por toalhas brancas impecáveis.
Música ao vivo.
Helena usava um vestido novo e permanecia tão discreta quanto sempre.
Artur circulava pelo salão como se fosse o dono do mundo.
Bronzeado, sorriso perfeito, camisa que certamente custava uma pequena fortuna.
Abraçava os homens com entusiasmo, beijava a mão das mulheres, distribuía simpatia para todos.
Era extremamente carismático.
Desde que ninguém o conhecesse de verdade.
Coloquei a caixa sobre uma mesa auxiliar e retirei cuidadosamente a tampa.
O bolo parecia uma verdadeira obra de arte.
Os fios de caramelo refletiam a iluminação do salão de maneira elegante.
Várias pessoas se aproximaram imediatamente para fotografá-lo.
— Quem fez esse bolo? — perguntou uma senhora usando um vestido vinho.
— Eu mesma.
Ela arregalou os olhos.
— Você é confeiteira?
— Sou.
Nesse momento Artur aproximou-se.
Primeiro observou o bolo.
Depois voltou os olhos para mim.
Sorriu.
— Marina… Não tenho o que dizer. O bolo ficou espetacular. Mas talvez fosse melhor você parar de gastar tanto creme nos bolos e começar a gastar um pouco menos consigo mesma, não acha?
Ele caiu na gargalhada.
Em seguida virou-se para os convidados.
— A Marina realmente adora doces… Acho que isso dá para perceber só de olhar, não é?
E deu dois tapinhas no meu ombro.
Fiquei imóvel.
Ao meu lado estava um bolo que havia consumido seis horas do meu trabalho.
Na minha frente estavam cerca de vinte pessoas assistindo àquela cena.
Algumas desviaram o olhar.
Outras esboçaram sorrisos constrangidos.
Helena permaneceu encarando a própria taça.
Naquele instante aconteceu algo dentro de mim.
Não foi explosão.
Não foi raiva.
Foi como ouvir o clique de uma fechadura sendo trancada.
Olhei diretamente para Artur.
— Este bolo custa doze mil rublos. Foram seis horas de trabalho artesanal. Você acabou de humilhar a pessoa que trouxe um presente feito exclusivamente para você. Por isso… vou levá-lo de volta.
Fechei cuidadosamente a caixa.
O silêncio tornou-se tão pesado que era possível ouvir uma torneira pingando na cozinha.
— Você está falando sério? — perguntou Artur, completamente sem reação.
— Mais sério do que nunca.
Levantei a caixa.
Quatro quilos.
E, curiosamente, minhas mãos permaneciam firmes.
Virei-me e caminhei em direção à saída.
Costa me alcançou no estacionamento.
— Marina… espera.
— Vou esperar dentro do carro.
— Ele não quis dizer isso…
Interrompi antes que terminasse.
— Costa… ele «não quis dizer isso» durante sete anos. Em todas as reuniões. Na frente de todo mundo. Eu simplesmente não vou mais fingir que isso é normal. Vamos embora.
Entramos no carro e fomos para casa.
