— Sirvam-se à vontade das batatas, queridos convidados, já que vieram de mãos vazias! — anunciou a anfitriã na casa de campo, decidida a finalmente lhes dar uma lição.

Desde o início da manhã, o cheiro da fumaça da churrasqueira já pairava sobre o terreno da casa de campo. Anna acendeu o fogo mais cedo do que de costume, para que a lenha se transformasse em brasas uniformes e, por volta do meio-dia, fosse possível preparar a comida sem pressa. Piotr estava junto à cerca, observando a esposa com a expressão de alguém que já tinha percebido que algo fora do habitual estava acontecendo, mas que também pressentia que era definitivamente tarde demais para tentar fazê-la mudar de ideia.

— Você pode lavar as batatas? — perguntou Anna, sem sequer se virar.

— Anna…

— Perguntei se você vai lavar as batatas.

Piotr pegou o balde sem dizer uma palavra e seguiu em direção ao poço. Discutir com a esposa quando ela falava naquele tom fazia tanto sentido quanto negociar com uma tempestade para que ela desviasse do jardim.

Os convidados chegaram por volta das duas da tarde. Robert entrou com seu grande SUV diretamente no gramado em frente à casa de campo, embora houvesse um espaço para estacionar bem ao lado do portão, à direita. Foi o primeiro a sair do carro: alto, barulhento, confiante e com aquele sorriso característico de quem se comporta em qualquer lugar como se todos estivessem ansiosamente esperando por sua chegada. Pouco depois, sua esposa, Monika, desceu do veículo carregando uma sacola de papel na qual se destacava claramente o formato de uma garrafa. Atrás deles, apareceram ainda um conhecido de Robert e a namorada dele, pessoas que Anna havia encontrado apenas uma vez até então.

— Piotrek! — Robert abriu os braços com entusiasmo e caminhou na direção do irmão mais novo. — E então, a carne já está na churrasqueira? Acho que senti o cheiro antes mesmo de fazer a curva!

Piotr abraçou o irmão e, logo em seguida, lançou um olhar discreto para Anna. Ela estava ao lado da churrasqueira, segurando um garfo comprido, observando os recém-chegados com absoluta tranquilidade. Talvez até com tranquilidade demais.

— Venham — disse ela. — Podem se sentar.

A mesa estava impecavelmente arrumada. A toalha xadrez, os pratos alinhados, os talheres e os guardanapos davam ao ambiente um ar festivo, como se estivessem prestes a participar de um tradicional almoço em família. Robert se aproximou com uma expressão satisfeita, mas, de repente, parou no meio do caminho.

No centro da mesa havia uma tigela cheia de batatas novas cozidas, uma grande travessa com bolinhos de batata dourados, decorados com rodelas de cebola refogada, um saleiro e uma jarra de água comum.

— Mas onde está… — começou Robert.

— Sirvam-se à vontade das batatas, queridos convidados, já que vieram de mãos vazias! — declarou Anna com gentileza, como se tivesse acabado de pronunciar a frase mais natural de uma anfitriã atenciosa. Em seguida, serviu-se primeiro de um bolinho de batata.

Um silêncio tomou conta do ambiente. Durante alguns instantes, o único som que se ouvia era o vento agitando as copas das bétulas que cresciam atrás da cerca.

Tudo havia começado três anos antes, quando Anna passou a falar seriamente, pela primeira vez, sobre a possibilidade de trocar de terreno.

Piotr havia herdado da avó metade de uma pequena casa situada em um antigo conjunto de jardins comunitários, a aproximadamente setenta quilômetros da cidade. O lugar tinha seu próprio encanto, mas cada viagem até lá era uma verdadeira expedição: primeiro, era preciso pegar o trem suburbano; depois, um ônibus; e, por fim, caminhar um longo trecho por campos e terrenos abertos. O jardim ainda parecia pertencer aos tempos da antiga República Popular da Polônia e, a cada ano, ficava mais abandonado. Os vizinhos apareciam apenas de vez em quando. A água vinha de um velho cano enferrujado, o banheiro ficava do lado de fora e a eletricidade podia desaparecer durante vários dias seguidos.

— Deveríamos vender isso — disse Anna certa vez, depois de voltar para casa e tentar raspar a lama seca de suas botas. — Depois, poderíamos comprar alguma coisa em condições.

— Que tipo de lugar, por exemplo?

— Mais perto da cidade. E com uma casa onde seja possível simplesmente viver, em vez de transformar cada visita em um curso de sobrevivência.

Piotr imediatamente apresentou uma longa lista de motivos pelos quais vender o terreno não seria uma boa ideia. Afinal, aquele lugar era uma lembrança da avó. Não sabiam de onde tirariam o dinheiro que faltava. Um financiamento os acompanharia durante anos. Talvez fosse melhor reformar a velha casa e colocar tudo em ordem.

Anna não era uma pessoa que tentava impor suas opiniões à força. Sabia esperar pelo momento certo. Quase seis meses se passaram até que o próprio Piotr se cansasse dos deslocamentos cansativos e dos reparos intermináveis. Certo dia, voltou do trabalho e anunciou que havia encontrado um terreno com uma pequena casa a apenas meia hora de distância do apartamento onde moravam.