Riam-se da minha filha porque, na festa «Pais e Filhas», ela ficou sozinha — até que, de repente, entraram fuzileiros navais na sala.

Katie retribuiu o sorriso, mas permaneceu onde estava.

Sentámo-nos perto dos colchões de ginástica empilhados. Eu ocupei uma extremidade do banco e Katie acomodou-se ao meu lado, com as pernas encolhidas. O crachá brilhava sob os reflexos coloridos.

Ela observava a pista de dança com uma esperança silenciosa que me partia o coração. Quando começou uma música lenta, a ausência de Keith tornou-se quase palpável.

— Mãe… — sussurrou. — Talvez devêssemos ir para casa.

Essas palavras atingiram-me profundamente. Segurei-lhe a mão com força.

— Vamos ficar só mais um bocadinho, está bem?

Foi nesse instante que um grupo de mães passou por nós, envolvido num perfume caro e intenso. À frente vinha Cassidy, impecável como sempre, a autoproclamada rainha da associação de pais.

Ao ver-nos, parou. No seu rosto surgiu aquela expressão falsa de pena que esconde mais arrogância do que compaixão.

— Coitadinha — comentou alto o suficiente para que as outras ouvissem. — Eventos destes são sempre difíceis para crianças de… digamos… famílias incompletas.

Senti o sangue ferver.

— Como disse? — perguntei sem esconder a indignação.

Cassidy sorriu de forma artificial.

— Só quero dizer que talvez algumas festas não sejam feitas para toda a gente. Afinal, este é um baile de Pais e Filhas. E quando não há pai…

— A minha filha tem pai — interrompi de imediato. — Ele morreu a servir e a proteger este país.

Cassidy piscou os olhos, surpreendida. As outras mães encontraram subitamente grande interesse nos telemóveis e pulseiras.

Nesse momento começou a tocar a música que Keith adorava dançar com Katie na sala de estar. A minha filha encostou-se a mim e escondeu o rosto na minha manga.

— Queria que o pai estivesse aqui.

— Eu também. Todos os dias — murmurei, acariciando-lhe os cabelos. — Mas estás a ser incrivelmente corajosa. Ele estaria muito orgulhoso de ti.

Ela ergueu os olhos cheios de lágrimas.

— Achas que ele ainda gostaria que eu dançasse?

— Mais do que qualquer outra coisa. Diria: “Mostra-lhes como se faz, minha Joaninha.”

Forcei um sorriso, apesar da dor.

— Acho que toda a gente está a olhar para nós.

E ela tinha razão.

Uma estranha tensão pairava no ar. Era aquele tipo de silêncio em que todos fingem não reparar em nada.

Então, de repente, as portas do ginásio abriram-se com estrondo.

Katie sobressaltou-se.

— Mãe… o que está a acontecer?

Doze Fuzileiros Navais entraram em formação. Os uniformes brilhavam sob as luzes. À frente vinha o General Warner, com estrelas prateadas reluzindo nos ombros.

Ele caminhou diretamente até Katie, ajoelhou-se diante dela e disse:

— Senhorita Katie, andávamos à sua procura.

Ela arregalou os olhos.

— À minha procura?

O general sorriu.

— Sim. O teu pai fez-nos uma promessa. Disse-nos que, se algum dia não pudesse estar presente, deveríamos vir no lugar dele. E hoje não vim sozinho. Trouxe aqueles que ele chamava de segunda família: a sua unidade.

Katie olhava de rosto em rosto, incapaz de acreditar.

Então o general retirou um envelope do bolso interior do uniforme.

Reconheci imediatamente a caligrafia de Keith.

O ginásio inteiro silenciou.

— Vai, querida — sussurrei. — O pai escreveu-te isto.

Katie abriu cuidadosamente a carta, como se segurasse algo insubstituível.

A voz tremia enquanto lia:

“Katie, minha querida Joaninha.

Ser teu pai foi a maior honra da minha vida.

Estou a fazer tudo o que posso para regressar a casa. Estou mesmo a tentar. Mas se algum dia não conseguir estar aí para te levar a dançar, quero que os meus irmãos o façam por mim.

Veste o teu vestido bonito e dança, minha menina. Estarei sempre contigo, dentro do teu coração.

Amo-te para sempre.

Pai.”

As lágrimas correram-lhe pelo rosto.

— Vocês conheciam mesmo o meu pai?

— Conhecíamos muito bem — respondeu o general. — Não era apenas um excelente militar. Era a alma da nossa unidade. Falava constantemente de ti. Mostrava-nos os teus desenhos, as tuas fotografias e falava de ti como se fosses o maior milagre da sua vida.

O sargento Riley deu um passo à frente.

— É verdade. Sabíamos tudo sobre as tuas conquistas, o concurso de ortografia, as tuas danças preferidas… e até sobre as tuas botas cor-de-rosa.

Katie ficou boquiaberta.

— Sabem das minhas botas?

— Claro que sim — respondeu o general, sorrindo. — E também do teu disfarce de princesa no Halloween. O teu pai garantiu que te reconheceríamos imediatamente, caso algum dia fosse necessário vir por ti.

Depois virou-se para todos os presentes.

— Um dos nossos irmãos caídos pediu-nos apenas uma coisa: que a sua filha nunca passasse esta noite sozinha. E estamos aqui para cumprir essa promessa.

A atmosfera mudou instantaneamente.

Os Fuzileiros aproximaram-se um a um, apresentando-se e convidando Katie para dançar. O sargento Riley fez uma elegante vénia.

— Dá-me a honra desta dança, senhorita?