O marido colocava um remédio para dormir na bebida da esposa todos os dias. Quando ela suspeitou que algo estava errado e fingiu estar dormindo, ficou chocada ao descobrir por que ele fazia isso…

O marido colocava um sonífero escondido na bebida da esposa todos os dias. Quando ela começou a perceber que algo estranho estava acontecendo, decidiu fingir que havia adormecido. O que descobriu em seguida foi tão inesperado que ela mal conseguiu acreditar no verdadeiro motivo por trás de tudo aquilo…

Tamara despertou com a cabeça pesada e uma dor insistente nas têmporas. Nos últimos tempos, cada manhã parecia mais difícil do que a anterior. No entanto, o que mais a preocupava era outra coisa: de tempos em tempos, ela simplesmente apagava no sofá da sala e, ao acordar, não conseguia se lembrar de absolutamente nada — nem do instante em que adormecera, nem do que estava fazendo momentos antes.

Anatólio já estava diante do espelho, impecavelmente vestido com seu terno, ajustando cuidadosamente a gravata antes de sair para o trabalho. Assim que percebeu que a esposa havia acordado, falou em voz baixa:

— Ontem à noite preferi não acordar você. Estava dormindo tão profundamente que achei melhor deixá-la descansar. Imaginei que, se a despertasse, talvez passasse mais uma madrugada inteira lutando contra a insônia.

— Agora já não é a falta de sono que me assusta — respondeu Tamara com um sorriso amargo. — O que realmente me preocupa são esses apagões repentinos. Isso não pode ser normal. Passei meses sem conseguir dormir direito e, de repente, começo a adormecer em qualquer lugar, sem perceber.

— Seu organismo só está recuperando o tempo perdido — respondeu Anatólio com absoluta tranquilidade. — Depois de tanto tempo sem descansar, o corpo precisa compensar. Tente não se cansar tanto durante o dia, assim não acaba pegando no sono na frente da televisão.

Tamara sorriu discretamente. Cansar-se de quê? Ela não trabalhava mais, os afazeres domésticos consumiam apenas parte do dia, e ainda lhe sobravam muitas horas livres para fazer o que quisesse.

— Só não venha dizer que isso é culpa da idade — brincou ela, tentando aliviar o clima. — Nós temos exatamente a mesma idade, mas você continua cheio de disposição e parece não sentir o peso dos anos.

Anatólio lançou um olhar atento para a esposa. Ambos tinham cinquenta e oito anos. Já não eram jovens, mas também estavam longe de se considerar idosos. Ele próprio se orgulhava da excelente forma física e sempre acreditou que ainda tinha muita energia. Talvez por isso a observação de Tamara o tivesse incomodado mais do que gostaria de admitir.

— Eu jamais diria uma coisa dessas para você — respondeu, visivelmente contrariado.

— Por que ficou irritado tão depressa? — perguntou Tamara com um leve sorriso, que desapareceu poucos segundos depois. — Estou falando sério, Tolia. Tenho a impressão de que existe alguma coisa errada com a minha saúde.

O marido apenas deu de ombros e insistiu para que ela marcasse uma consulta médica. Repetiu que aqueles sintomas provavelmente eram consequência dos longos meses de insônia e do desgaste acumulado pelo organismo. Depois que ele saiu, Tamara caminhou imediatamente até a janela e a abriu completamente.

— Por que será que ele exagera tanto no perfume? — murmurou, enquanto deixava o ar fresco invadir a sala e renovar o ambiente.

Depois de tomar banho, retomou sua rotina habitual. Colocou a louça na máquina de lavar, separou a carne para preparar o jantar, regou cuidadosamente todas as plantas da casa e organizou algumas pequenas tarefas que ainda restavam. No entanto, bastou aproximar-se da máquina de lavar roupas para sentir uma fraqueza repentina. Parecia que toda a energia havia sido drenada do seu corpo em poucos segundos.

Sem forças para continuar, Tamara caminhou lentamente até o sofá e deixou-se cair sobre ele, completamente exausta. Uma sensação de cansaço profundo tomou conta de cada músculo, tornando até os movimentos mais simples um enorme esforço.

“Será que o Anatólio está certo? Será mesmo que tudo isso é apenas consequência da idade?”, pensou ela, olhando fixamente para o teto.

Era difícil aceitar essa ideia. Apenas seis meses antes, ela atravessava a casa de um lado para o outro com uma disposição inesgotável. Passava o dia inteiro ocupada, encontrava energia para tudo e, quando finalmente chegava a noite, permanecia acordada durante horas, incapaz de dormir por causa do excesso de vitalidade. Agora, porém, bastavam alguns minutos de atividade para que um cansaço inexplicável a dominasse por completo, como se alguém estivesse, pouco a pouco, roubando todas as suas forças sem que ela sequer percebesse.

De repente, Tamara ficou em alerta. Um silêncio estranho dominava o apartamento. A velha máquina de lavar costumava fazer tanto barulho que podia ser ouvida até com a televisão ligada. Intrigada, ela caminhou até o banheiro e percebeu que a máquina estava desligada.

— É… desse jeito, daqui a pouco vou acabar dormindo até em pé… — murmurou para si mesma, repreendendo-se, antes de apertar novamente o botão de início.

Na cozinha, outro detalhe incomum chamou sua atenção. A porta do armário sob a pia estava aberta. Ela se lembrou de que, pela manhã, havia levado o lixo para fora, mas esquecera de colocar um saco novo. Para alcançar o rolo de sacos plásticos, precisou esticar o braço até o fundo do armário: alguém o havia empurrado quase até a parede. Enquanto puxava o rolo, seus olhos encontraram um pequeno pedaço de papel esquecido no fundo da gaveta.

Era um fragmento da embalagem de algum medicamento. O nome e a dosagem haviam sido rasgados, restando apenas duas letras em latim e uma fina faixa azul na borda. Tamara tentou recordar onde já tinha visto aquela embalagem, mas, por mais que se esforçasse, a memória não lhe ofereceu resposta.

Ainda naquele dia, decidiu finalmente marcar uma consulta médica. O médico era um homem muito jovem, com aparência de quem havia deixado a universidade há pouco tempo. Depois de ouvi-la rapidamente, afirmou com segurança que não via nenhum problema grave.

— A insônia pode ser tratada. Quanto a esses episódios repentinos de sonolência, eles podem muito bem ser consequência do longo período em que a senhora quase não dormiu — explicou ele com um sorriso confiante.

Tamara o observou com desconfiança. Aos seus olhos, parecia mais um médico inexperiente do que um especialista. Agora entendia por que quase não havia pacientes esperando por atendimento.

— Não pretendo tomar nenhum remédio antes de fazer exames completos — respondeu ela, levantando-se da cadeira. — Prefiro cochilar na frente da televisão do que começar um tratamento sem saber o que realmente está acontecendo.

— Mesmo assim, leve isto com você — insistiu o médico, retirando alguns pequenos sachês de uma gaveta. — Esse medicamento me ajudou muito na época da faculdade. Não precisa de receita.

Tamara estava prestes a recusar, mas congelou ao olhar para a embalagem. Não havia como ser coincidência. As duas letras em latim e a estreita faixa azul eram exatamente iguais às do pedaço de embalagem encontrado pela manhã no armário da cozinha.

— Que remédio é esse? E como ele deve ser usado? — perguntou, esforçando-se para esconder a inquietação.

— É um sonífero bastante potente. O importante é nunca exagerar na dose. Caso contrário, a pessoa pode simplesmente apagar no momento mais inesperado. O pó não tem gosto nem cheiro e se dissolve completamente na água.

Ao sair da clínica, Tamara sentou-se em um banco da praça mais próxima. Sua mente girava sem parar. Como uma embalagem daquele medicamento poderia ter ido parar dentro de sua casa? Ela jamais comprara algo parecido. Será que Anatólio estava colocando o remédio escondido em sua bebida, acreditando sinceramente que estava ajudando a esposa a vencer a insônia?

Seus pensamentos foram interrompidos pela voz de Zinaida, antiga colega de trabalho e vizinha que morava no prédio em frente.

— Então você finalmente resolveu procurar um médico? — perguntou ela, acomodando-se ao seu lado. — Espero que não tenha consultado o Igor Viktorovich. Dizem que ele deixa muito a desejar.

— Justamente ele… — respondeu Tamara com um suspiro. — Imagine só: mal me ouviu e já quis me receitar um sonífero, sem pedir praticamente nenhum exame.

Zinaida sorriu discretamente antes de comentar:

— Isso acontece muito com a nossa idade. Aliás, ontem eu percebi que você também passou boa parte da noite acordada.

— Como assim percebeu? — perguntou Tamara, surpresa. — Dá para ver o que acontece lá em casa da sua janela?

— Não exatamente. Mas notei que as luzes do apartamento de vocês acendiam e apagavam durante toda a noite. Está tudo bem?

Um arrepio percorreu o corpo de Tamara. Mesmo assim, ela manteve a expressão serena.

— Ah… provavelmente algum problema na instalação elétrica. Ou então o Anatólio levantou para beber água. Ultimamente criamos o hábito de tomar chá todas as noites e conversar um pouco antes de dormir. Faz muito bem para o casal.

Depois de se despedir da vizinha, Tamara começou a ligar todos os acontecimentos. O ritual do chá noturno havia começado exatamente na mesma época em que surgiram aqueles apagões inexplicáveis. Mas por que Anatólio colocaria sonífero em sua bebida sem que ela soubesse? E por que caminhava pela casa durante a madrugada, acendendo e apagando as luzes, enquanto ela permanecia inconsciente? Em vez de confrontá-lo imediatamente, decidiu esconder suas suspeitas e descobrir a verdade com os próprios olhos.

Naquela noite, como de costume, Anatólio preparou o chá. Enquanto Tamara estava no banheiro, ele permaneceu tranquilamente na cozinha. Quando ela voltou, o marido já a esperava com as xícaras sobre a mesa.

— Hoje você tomou o chá muito depressa! — comentou ele, surpreso, poucos minutos depois.

— Depois do banho fiquei morrendo de sede — respondeu Tamara.

Na realidade, ela apenas esperou que o telefone do marido tocasse. Assim que ele se afastou para atender a ligação, despejou discretamente todo o conteúdo da xícara no vaso de uma planta.

Sentou-se novamente e passou a observar cada expressão no rosto de Anatólio. Para não despertar suspeitas, bocejou de forma exagerada.

— Acho que vou me deitar um pouco no sofá… Estou sentindo aquele sono estranho outra vez.

— Claro, claro… Vá descansar. Não precisa insistir em ficar acordada — respondeu ele com uma delicadeza quase exagerada, chegando até a acompanhá-la até a sala.

Tamara deitou-se no sofá, fechou os olhos e, pouco depois, começou a respirar de maneira lenta e regular, fingindo estar profundamente adormecida.

A espera pareceu interminável. Quase uma hora se passou antes que Anatólio finalmente se levantasse da poltrona. Caminhou lentamente até o sofá e permaneceu alguns instantes observando o rosto da esposa, certificando-se de que ela realmente estava inconsciente.

Convencido de que ela dormia profundamente, colocou a mão dentro do bolso interno do paletó e retirou… uma pequena carteira. Dela, tirou um frasco minúsculo.

Pelas frestas das pálpebras semicerradas, Tamara conseguiu enxergar perfeitamente o rótulo. As mesmas letras em latim. Exatamente as mesmas que apareciam no pedaço da embalagem encontrado naquela manhã.

Anatólio abriu o frasco e despejou várias cápsulas sobre a palma da mão. Não eram uma ou duas. Havia cápsulas demais — muito além da quantidade que qualquer pessoa consideraria uma dose normal.

Então, em voz quase inaudível, ele sussurrou:

— Aguente só mais um pouco, Toma… Falta muito pouco agora. Em breve… você nunca mais vai acordar.

Ele se inclinou sobre ela, pronto para forçar delicadamente seus lábios e despejar o conteúdo das cápsulas em sua boca. Mas, naquele exato instante, Tamara abriu os olhos e se sentou bruscamente no sofá.

Anatólio congelou no lugar. Durante um breve segundo, o medo estampou seu rosto. Logo depois, porém, sua expressão mudou completamente. O homem que ela conhecia havia desaparecido, dando lugar a alguém frio, duro e assustadoramente desconhecido.

— O que você está fazendo? — perguntou Tamara. Sua voz tremia, mas havia uma firmeza que ela própria nunca imaginou possuir.

— V-você… não estava dormindo? — murmurou ele, dando um passo para trás.

— Eu fiz uma pergunta. Por que você vem colocando sonífero escondido na minha bebida? E por que passa as noites andando pela casa enquanto eu estou desacordada?

Anatólio permaneceu em silêncio.

O único som que preenchia a sala era o zumbido baixo da geladeira.

Depois de alguns longos segundos, ele soltou um suspiro pesado, como alguém que finalmente desistia de esconder um segredo impossível de carregar por mais tempo.

— Você queria saber a verdade? — disse, com uma voz tão fria que Tamara mal a reconheceu. — Então escute. Nós não temos mais nada. Perdi absolutamente tudo… faz seis meses. Apostei dinheiro, fiz dívidas e destruí a nossa vida. O apartamento está hipotecado, os empréstimos me sufocam e não existe saída.

Ele fez uma breve pausa antes de continuar.

— Só havia uma única maneira de resolver tudo… o seguro de vida que está em seu nome. Um acidente. Ou uma overdose de sonífero em uma mulher que sofria de insônia havia tanto tempo. Ninguém desconfiaria de nada.

Tamara recuou lentamente até encostar na parede. Sentia as pernas fraquejarem.

— Você… queria me matar?

Anatólio abaixou a cabeça por um instante.

— Não de uma vez. Primeiro era preciso fazer você se acostumar. Depois eu aumentaria a dose aos poucos. Quando chegasse o momento, pareceria algo completamente natural.

Seus olhos permaneceram frios enquanto acrescentava:

— O doutor Igor Viktorovich é um velho conhecido meu. Ele confirmaria que seu coração simplesmente não resistiu. Tudo seria encerrado como uma morte sem qualquer suspeita.

O coração de Tamara disparou.

Sem tirar os olhos do marido, ela esticou discretamente a mão em direção ao criado-mudo onde normalmente deixava o celular.

Anatólio percebeu o movimento e avançou rapidamente.

Mas Tamara foi mais rápida.

Em vez do telefone, puxou debaixo da almofada do sofá um spray de pimenta que havia escondido ali naquela mesma tarde, depois que todas as peças começaram a se encaixar.

Ela apontou o frasco diretamente para ele.

— Não dê mais um passo.

Sua voz saiu baixa, porém firme.

— A polícia já está a caminho.

Anatólio parou imediatamente.

Seu olhar percorreu a sala em busca de alguma saída. A raiva que antes dominava seu rosto havia desaparecido. Restava apenas um vazio profundo, misturado a uma expressão de derrota inevitável.

Naquele instante, a campainha tocou.

A pequena janela da sala continuava aberta e, no silêncio da noite, Tamara conseguiu ouvir passos ecoando pela escada do prédio, aproximando-se da porta do apartamento.

Ela não baixou o spray nem por um segundo.

Continuou olhando fixamente para o homem com quem dividira trinta anos de casamento, percebendo, pela primeira vez, que jamais conhecera de verdade a pessoa ao seu lado.

Foi então, sob a luz fraca da única luminária acesa, que compreendeu uma verdade assustadora:

Os monstros mais perigosos nem sempre surgem da escuridão.

Às vezes, eles preparam o seu chá todas as noites, sorriem com carinho, desejam que você durma bem… e esperam silenciosamente pelo dia em que você nunca mais abrirá os olhos.