Eles dirigiram-se para o meio do salão.
O parquet sob os pés emitiu um rangido surdo, quase culpado, como se o próprio chão tivesse vergonha do que estava prestes a acontecer. A luz das guirlandas, que até há pouco parecia quente e festiva, tornou-se subitamente cortante como a lâmina de um bisturi, revelando cada ruga nos rostos dos espectadores. A música — um blues lento e melancólico — cobriu a sala como um pesado manto de veludo, abafando até a respiração.

Artem segurava-lhe a mão como se temesse que ela se dissolvesse. Preparou um sorriso — aquele mesmo, ligeiramente torto, com o qual costumava arrancar aplausos. Mas o sorriso não saiu. Os dedos de Lena repousavam na palma da mão dele calmamente, quase indiferentes, como se ela não estivesse a segurar a mão do próprio Artem, mas simplesmente a passar um livro velho de um lugar para outro. Sem suor, sem tremor. Apenas um calor constante, quase sobre-humano.
E foi então que a sala ficou em silêncio.
Não por causa do riso. Não por causa da vergonha esperada. Ficou em silêncio por causa de uma compreensão repentina e gelada: algo tinha corrido mal.
Lena ergueu os olhos. Através dos seus óculos habituais, ligeiramente embaciados, o seu olhar não era apenas calmo — era preciso, como uma mira. Ela não sorria. Apenas olhava. E naquele silêncio, que durou três batidas de coração, Artem sentiu o chão a fugir-lhe debaixo dos pés. A sua própria mão, sempre tão segura, de repente ficou húmida e estranha. Tentou dar o primeiro passo — conduzi-la, como conduzia todos os outros, com facilidade e autoridade. Mas o corpo de Lena não cedeu. Não resistiu. Simplesmente não o seguiu.
Ela movia-se em sincronia com ele, mas não como alguém que o seguia. Como um espelho. Cada movimento dele refletia-se nela com uma precisão que lhe causava um arrepio no peito. O vestido verde-escuro — modesto, sem uma única lantejoula — de repente ganhou a profundidade de uma floresta densa ao crepúsculo: pesado, aveludado, vivo. A bainha mal tocava as calças dele, e esse farfalhar era mais alto do que a música.
Vika, parada na beira da pista de dança, apertou a barra do seu vestido rosa com tanta força que o tecido estalou. Os seus lábios entreabriram-se, mas nenhum som saiu. Um dos rapazes nas filas de trás deixou cair o telemóvel — o ecrã acendeu e apagou-se, como a última faísca. Ninguém se riu.
Artem sentiu um nó na garganta. Queria dizer algo sarcástico, habitual — «e então, gordinha, agarra-te bem» — mas a língua colou-se ao palato. Em vez disso, apercebeu-se de que estava a contar a respiração dela. Regular. Profunda. Como se ela não estivesse a dançar diante de toda a turma, mas simplesmente a caminhar por uma rua vazia à chuva.

A mão dela pousou no ombro dele um pouco mais acima do que devia. Não com força. Não de forma provocadora. Simplesmente… com precisão. Os dedos tocaram na costura do casaco, e Artem de repente percebeu: ela sabe. Sabe por que ele se aproximou. Sabe da aposta com os rapazes. Sabe que ontem ele escreveu no chat «vamos criar um meme para toda a vida». Sabe — e cala-se.
O silêncio de Lena não era vazio. Estava preenchido. Como uma sala onde acabaram de desligar a luz, mas o ar ainda vibra com a conversa recente.
Deram mais uma volta. Lenta. Quase imóvel. Artem sentiu as costas a ficarem cobertas de suor por baixo do fato. O fato, que ontem parecia uma armadura, agora apertava-lhe como uma camisa de força. Tentou sorrir — para a plateia, para a Vika, para si próprio. O sorriso saiu patético, como uma rachadura no vidro.
E a Lena continuava a olhar através dele. Não com triunfo. Não com vingança. Com uma piedade cansada e antiga, que lhe dava vontade de afundar-se no parquete.
A música arrastava-se, densa e viscosa, como melado, no qual se afogavam todos os papéis habituais: o bonitão, a gorda, a rainha, os marginalizados. Agora havia apenas dois no centro do círculo de luz — e centenas de olhos que, pela primeira vez, viam como facilmente se parte o espelho no qual todos se admiravam há tanto tempo.
Artem engoliu em seco. Os seus dedos apertaram-se involuntariamente com um pouco mais de força. Lena não se afastou. Apenas inclinou ligeiramente a cabeça — de forma quase imperceptível, como se acenasse a velhos conhecidos no cemitério. E nesse gesto estava tudo.
A sala continuava em silêncio.
Ninguém aplaudiu. Ninguém assobiou. Apenas as guirlandas crepitavam baixinho sobre as cabeças, como se lembrassem: a noite mal tinha começado. E ninguém — absolutamente ninguém — sabia como ela terminaria.
Lena não desviou o olhar.

Os seus olhos, por trás dos óculos, estavam calmos como a superfície de um lago antes do primeiro congelamento — imóveis, mas já sabendo que em breve tudo por baixo deles começaria a rachar e a ceder. Artem tentava encontrar naquele olhar pelo menos algo familiar: medo, constrangimento, raiva, até mesmo desprezo — qualquer coisa, desde que lhe devolvesse o controlo. Mas ali não havia nada do seu guião. Apenas um silêncio profundo, quase geológico.
