Egor deu um passo em direção a ela. Não abruptamente. Não ameaçador. Mas muito confiante.
— Você está cansado. Precisas de mais descanso. Mais sono. Mais silêncio.
Anteriormente, essas palavras soavam como cuidado para ela.
Agora pareciam um compromisso.
Naquele momento, Lydia sentiu o cheiro familiar de camomila. Estendeu a mão cozinhas.
Esse mesmo cheiro.
— Você já preparou uma bebida para mim? — ela perguntou.
— Claro, — Egor respondeu calmamente. — Como sempre.
E então algo dentro dela finalmente terminou.
Ela lembrou-se de tudo de uma vez: os primeiros meses após o casamento, como ele insistiu que ela trabalhasse menos, como ele começou a vigiar o regime dela, como os seus amigos desapareceram gradualmente das suas vidas. Primeiro um, depois outro. Egor sempre teve uma explicação: «eles sobrecarregam você», «depois deles você está nervoso», «você precisa de paz».
Lydia recuou lentamente.
— Eu não vou beber.
O rosto de Yegor não mudou.
— Você vai, — ele disse baixinho.
Não rude.
Não alto.
Tal como um facto incontestável.
E acabou por ser pior do que qualquer grito.
Ele passou por ela até a cozinha e Lydia, quase sem entender o que estava fazendo, o seguiu. Lá dentro, era como se duas mulheres estivessem discutindo: uma ainda queria acreditar no amor a que se acostumou por seis anos, a outra já estava acordando e exigindo a verdade.
Na cozinha, Egor ficou à mesa e preparou sua bebida noturna.
Vidro.
Água morna.
Mel.
Camomila.
E uma pequena garrafa de âmbar.
A Lydia viu-o a adicionar umas gotas de líquido transparente ao copo. O movimento era tão familiar que ele nem pensava nisso.
— Quantas vezes você fez isso? — ela sussurrou.
Egor não se virou.
— Basta você finalmente ficar calmo.
Os olhos de Lydia escureceram.
— Calma? Ou conveniente?
O silêncio chegou.
Apenas a colher tocou silenciosamente no copo.
Egor finalmente olhou para ela.
— Você realmente acha que é a primeira, Lydia?
Naquele momento o frio passou pelas costas dela.
Porque ele não disse isso como uma ameaça.
Ele disse isso como se estivesse apenas continuando uma conversa antiga sobre a qual ela ainda não sabia nada.
Capítulo 3. A mulher que veio antes dela
A frase de Yegor pairava entre eles como um pedaço de vidro afiado.
— Você realmente acha que é a primeira, Lydia?
Ela não pôde responder imediatamente. Eu apenas olhei para ele e tentei encontrar em seu rosto pelo menos algo familiar — daquele instrutor de ioga suave e atencioso que há seis anos sorriu para ela como se fosse impossível ter medo ao lado dele.
Mas agora uma pessoa completamente diferente estava na frente dela.
E ele não tentou mais se esconder.
— O que você quer dizer com isso? — ela finalmente perguntou.
Egor calmamente colocou o copo sobre a mesa. Superfície beber mal visivelmente tremia.
— Exatamente o que ele disse.
Sentou-se, apertou os dedos e olhou para ela como se fosse uma mudança de casa.
— Antes de você, eu já tinha esposa.
Lydia achou que o ar era mais denso.
— Era?
— Sim, — ele assentiu. — Mas ela não aguentou.
Esta palavra atingiu com mais força do que a própria confissão.
Lydia deu um passo atrás.
— O que você quer dizer com — não suportava?
Egor olhou para ela com muito cuidado.
— Cansado. Ficou desconfiado. Comecei a fazer perguntas. Parei de dormir normalmente.
Ele ficou em silêncio por um segundo.
— Quase como você agora.
O frio subia do estômago à garganta.
— Onde ela está agora, Egor?
Ele não respondeu imediatamente. Peguei um copo com beber e lentamente virou-o nas mãos.
— Você realmente quer saber disso?
Silêncio.
Neste silêncio, Lydia sentiu-se claramente pela primeira vez: esta conversa estava a decorrer de acordo com um cenário que ele há muito pensava.
— Sim, — ela disse com firmeza.
Egor colocou o vidro de volta na mesa.
— Ela foi embora. Depois que comecei a ver algo que não acontecia.
— Ou o que realmente aconteceu? — perguntou Lydia nitidamente.
Ele sorriu ligeiramente.
E havia quase simpatia neste sorriso.
— Você começa a dizer isso em palavras.
Naquele momento, Lydia notou uma caixa velha no canto da cozinha. Ela nunca tinha prestado atenção nela antes. As etiquetas foram cuidadosamente coladas na lateral. Datas. Nomes.
O coração tremia dolorosamente.
— O que há? — ela perguntou.
Egor seguiu seu olhar.
— Nada que você precise ver.
Mas ele nem tentou tirar a caixa.
E foi pior do que qualquer confissão.
Lydia deu um passo em sua direção.
— Não venha, — ele disse calmamente.
Nada de gritar novamente. Sem ameaças. Apenas controle que ela está se acostumando há muito tempo.
Ela parou.
Então Egor mudou de rosto pela primeira vez em toda a conversa. Seu olhar ficou mais duro.
— Você bebe o que eu te dou todas as noites, Lydia.
Ele disse isso quase carinhosamente.
