Ele pediu o divórcio três dias antes do Ano Novo…

— Ainda não. Primeiro queria conversar com você. Depois vamos explicar tudo com calma para elas — respondeu Michael, suavizando a voz. — Kate, sei que isso deve ser difícil, mas acredito que o melhor é encerrarmos tudo de maneira limpa. Nós dois merecemos encontrar a verdadeira felicidade.

Kate finalmente abriu o contrato de divórcio e passou os olhos rapidamente pelas cláusulas.

As condições realmente pareciam vantajosas.

A casa valia cerca de quinhentos mil dólares. Somando os cem mil em dinheiro, qualquer pessoa diria que era uma proposta extremamente generosa para uma mulher que havia passado doze anos fora do mercado de trabalho.

A guarda das crianças ficaria integralmente com Michael.

Kate teria direito a visitas duas vezes por mês e poderia passar parte das férias de verão com os filhos. A pensão seria paga em parcela única, sem qualquer vínculo futuro entre eles.

Tudo extremamente organizado.

Frio.

Calculado.

Exatamente como Michael gostava.

— Seus pais já sabem? — ela perguntou.

— Eu mesmo vou explicar tudo para eles — respondeu ele rapidamente. — Não se preocupe. Não vou falar nada de ruim sobre você. Direi apenas que nos afastamos com o tempo e decidimos nos separar amigavelmente.

Kate apenas assentiu.

Então pegou a caneta que estava sobre o criado-mudo.

Michael claramente não esperava que ela aceitasse tudo com tanta facilidade. Todas as frases ensaiadas que havia preparado pareciam agora presas em sua garganta.

— Você… não vai pensar melhor? — perguntou ele, confuso.

Kate ergueu os olhos lentamente.

— Pensar em quê? — sua voz saiu tranquila. — Em tentar reconquistar um homem que já não me ama? Em salvar um casamento que já acabou há muito tempo?

Michael ficou sem resposta.

Kate assinou o documento com uma caligrafia firme e elegante.

— Michael, só tenho um pedido — disse ela enquanto devolvia a caneta para o criado-mudo. — Durante as festas de Ano-Novo, vamos agir normalmente diante das crianças. Depois do feriado contamos tudo e resolvemos os papéis oficialmente. Não quero destruir a felicidade delas nesse período.

O alívio no rosto dele foi imediato.

— Claro… claro, eu também pensava exatamente assim.

— E mais uma coisa — acrescentou Kate. — Até tudo terminar, continue vivendo aqui normalmente. Podemos continuar dormindo em quartos separados, mas sem comportamentos estranhos na frente das crianças.

— Tudo bem. Eu prometo.

Ela entregou o contrato já assinado.

— Então está resolvido. Vá descansar. Ainda teremos que visitar seus pais no primeiro dia do ano.

Michael permaneceu parado por alguns segundos, segurando o acordo nas mãos, como se quisesse dizer algo mais. Porém, Kate já havia se virado para arrumar o edredom da cama — um gesto silencioso que deixava claro que a conversa havia terminado.

No fim, ele apenas saiu do quarto.

Assim que a porta se fechou, Kate ficou imóvel por um longo tempo.

Depois caminhou até o armário, abriu a gaveta inferior e retirou novamente o caderno preto.

Virou para uma página em branco e escreveu:

“29 de dezembro de 2025. Ele pediu o divórcio. Eu assinei. O plano começou oficialmente. A contagem regressiva teve início.”

Ao terminar, guardou o diário no mesmo lugar, apagou a luz e se deitou.

Na escuridão, um leve sorriso surgiu em seus lábios.

Ela esperava por aquele momento havia três anos.

Na manhã de 31 de dezembro, véspera de Ano-Novo, Kate começou o dia cedo, ocupada com os preparativos da celebração. Decorou a casa com enfeites festivos, colocou o champanhe para gelar e organizou os ingredientes para o jantar da noite.

Do lado de fora, a bandeira americana na varanda do vizinho balançava sob o vento gelado do inverno — uma imagem típica de qualquer bairro residencial dos Estados Unidos naquela época do ano.

Como haviam combinado, Michael estava mais atencioso do que o habitual. Enquanto ajudava a instalar algumas luzes decorativas na sala de estar, chegou até a puxar conversa.

— O lado esquerdo está torto… sobe um pouco mais — orientou Kate.

As mãos dos dois se tocaram por acidente.

Michael afastou-se imediatamente, como se tivesse levado um choque.

Kate, por outro lado, permaneceu completamente natural.

— Assim está bom — comentou ela calmamente.

As crianças brincavam com um jogo de tabuleiro na sala, gargalhando sem parar. Da rua também vinham sons de comemorações e música das casas vizinhas. Todo o condomínio estava mergulhado no clima festivo da virada do ano.

— Mamãe! A vovó está no telefone! — Mia apareceu correndo com o celular na mão.

Kate atendeu:

— Feliz Ano-Novo adiantado, mãe. Amanhã à tarde estaremos aí. Sim, vamos jantar em casa hoje. Vocês podem vir sem preocupação. Certo… dirijam com cuidado.

Depois de desligar, ela olhou discretamente para Michael.

Ele já estava novamente concentrado no celular, digitando mensagens rápidas, com a expressão tensa.

Não era difícil imaginar o motivo.