Durante vinte anos, Katherine raramente concordava tão rápido com algo importante.
— Ótimo — respondeu ele desconfiado, tentando manter o controle da situação. — Meu advogado entrará em contato com o seu. Podemos resolver isso rapidamente. O acordo pré-nupcial é bastante claro.
— Sim — respondeu ela já caminhando em direção ao quarto do casal. — Acho excelente envolver advogados. Patricia Morrison tem ótimas referências.
Brandon franziu a testa.
— Você já contratou uma advogada?
Katherine parou na porta sem olhar para trás.
— Oito meses, Brandon. Foi o tempo que você acabou de admitir.
Ela entrou no quarto deixando Brandon sozinho na cozinha, pela primeira vez sem certeza absoluta de que estava conduzindo aquela conversa.
O telefone dele vibrou novamente.
Scarlett.

Ela perguntava sobre o prazo do divórcio, querendo saber quando poderia publicar fotos dos dois oficialmente. Já fazia planos para o futuro — um futuro sustentado pelo dinheiro dele.
Brandon sorriu.
Tentou tranquilizar a si mesmo.
Katherine era apenas uma dona de casa sem recursos. O acordo pré-nupcial que ele exigira vinte anos atrás garantiria que ela saísse sem nada.
Quando se conheceram, ela era apenas uma secretária ganhando vinte e cinco mil dólares por ano.
Sem herança.
Sem fortuna familiar.
Sem proteção.
Ela precisava dele.
Ou pelo menos era isso que Brandon acreditava.
No quarto, Katherine abriu discretamente um segundo telefone. Um aparelho seguro, registrado não no nome de “Sra. Sterling”, mas vinculado diretamente à empresa secreta que Brandon desconhecia completamente.
Ela digitou apenas uma mensagem para David Park, seu assistente executivo.
“Está na hora de iniciar o Projeto Renaissance.”
A resposta chegou em menos de dez segundos.
“Todos os ativos preparados para revelação. Equipe jurídica em posição. Contatos da imprensa prontos. Seu império aguarda suas ordens.”
Katherine sorriu.
O primeiro sorriso verdadeiro em muitos meses.
Enquanto separava suas coisas, pensou em quantas mulheres já tinham ouvido aquelas mesmas frases de maridos milionários. Quantas haviam sido trocadas por versões mais jovens, como carros de luxo substituídos por modelos novos. Quantas escutaram que “não contribuíam em nada”, quando na realidade eram a estrutura invisível sustentando tudo ao redor.
Ela retirou do closet as malas italianas que Brandon comprara no décimo aniversário de casamento — numa época em que ainda lembrava datas importantes — e começou a arrumar apenas o essencial.
Não as joias extravagantes usadas como símbolos de posse.
Mas documentos.
HDs criptografados.
Contratos.
E as antigas fotos de seus pais, pessoas sobre as quais Brandon nunca demonstrara o menor interesse.
O telefone tocou novamente.
Patricia Morrison.
— Katherine — disse a advogada com voz firme e acolhedora. — David me avisou que você finalmente está pronta.
— Brandon pediu o divórcio hoje cedo — respondeu ela. — Admitiu um caso de oito meses. Tudo gravado. Espero sinceramente que o sistema de segurança da cobertura tenha registrado a conversa inteira. Brandon insistiu na instalação das câmeras… mas nunca perguntou quem controlava os servidores.
Patricia soltou uma pequena risada.
— É por isso que você é minha cliente favorita. Vinte anos se preparando silenciosamente para este momento. Pouquíssimas mulheres pensam tão à frente.
— A maioria ainda acredita nos maridos — respondeu Katherine enquanto dobrava um vestido preto simples, o mesmo usado no funeral de seu pai. Brandon certa vez dissera que aquela roupa “parecia barata demais”.
Ela continuou:
— Eu deixei de confiar no Brandon no dia em que ele me obrigou a assinar o acordo pré-nupcial sem permitir que eu consultasse um advogado. Naquele momento percebi que precisava construir algo só meu.
— Falando nisso… — Patricia mudou o tom. — Nossa equipe financeira encontrou algo muito interessante nas contas da Sterling Industries.
Katherine permaneceu em silêncio.
— Brandon vem usando algoritmos extremamente sofisticados para prever movimentações de mercado. Sistemas capazes de antecipar tendências financeiras com uma precisão absurda. O tipo de tecnologia que só poderia ser desenvolvido por alguém com conhecimento avançado em programação e análise econômica.

— Que coincidência… — comentou Katherine friamente.
— A parte curiosa — continuou Patricia — é que esses algoritmos são idênticos aos registrados pela Chen Technologies no portfólio de propriedade intelectual.
Katherine fechou os olhos por um instante.
— Ele roubou minha tecnologia.
Não era uma pergunta.
— Durante quase dez anos — confirmou Patricia. — Gerando centenas de milhões em lucro enquanto vendia isso ao mercado como “genialidade empresarial”. Katherine… isso deixou de ser apenas um divórcio. Estamos falando de roubo corporativo em escala gigantesca.
Ela sentou-se lentamente na cama enquanto sentia o bebê se mover.
