Havia passado tempo demais em pé.
O ambiente cheirava a perfume caro, sabonete sofisticado e pó compacto.
Uma longa bancada de mármore refletia a luz dourada dos espelhos ornamentados.
Ela apoiou os dedos na pedra fria.
Respirou profundamente.
Muito calor.
Muito barulho.
Muito champanhe no ar.
Ela havia se alimentado.
Tomado os medicamentos.
Seguido todas as orientações.
Mesmo assim, às vezes o cansaço chegava como uma tempestade.
Sem aviso.
Quando se levantou rápido demais, o chão desapareceu.
Não foi um colapso imediato.
Primeiro veio a vertigem.
Depois manchas escuras atravessando sua visão.
E então o medo.
Porque o próprio medo tinha se tornado algo perigoso.
Uma mulher próxima às pias aproximou-se.
— Você está bem?
Maya tentou responder.
Não conseguiu.
Os minutos seguintes tornaram-se borrões.
Uma voz pedindo ajuda.
Uma cadeira sendo trazida.
Um pano frio apoiado em sua nuca.
Portas abrindo e fechando.
Passos rápidos.
Então Taylor.
Surgindo tão depressa que quase parecia impossível.
Ajoelhando-se diante dela no impecável smoking preto como se o restante do salão tivesse simplesmente deixado de existir.
— Maya.
— Estou bem.
— Mentira.
— Ainda consigo ficar sentada.
A mão dele encontrou seu pulso.
— Você está tremendo.
Horas depois estavam novamente em um hospital.
Outra ala.
Outro quarto.
A mesma médica.
A Dra. Lee entrou observando os dois com uma expressão seca que Maya aprendera a temer.
— Vocês realmente sabem transformar encontros românticos em emergências médicas.
Taylor soltou uma risada nervosa.
Apenas porque ela parecia calma o suficiente para fazer piadas.
Os exames demoraram.
Muito.
Ou talvez apenas parecessem intermináveis.
O medo tem uma forma peculiar de distorcer o tempo.
Taylor permaneceu ao lado dela durante todo o processo.
Sentado.
Levantando.
Voltando a sentar.
Com a mão sobre a boca.
Uma das pernas balançando nervosamente.
Até que Maya finalmente reclamou:
— Se continuar assim, vai abrir um buraco no chão.
Ele parou imediatamente.
Quando a Dra. Lee retornou, seu rosto estava sério.
Sério o bastante para fazer Taylor levantar antes mesmo que ela falasse.
— Apenas diga.
A voz dele saiu áspera.
Por um segundo terrível, Maya acreditou que tudo havia sido inútil.
As caminhadas.
Os remédios.
Os esforços.
As mudanças.
Talvez o corpo simplesmente não perdoasse.
Talvez esperança fosse apenas outra forma de humilhação.
Então a médica sorriu.
— Ela exagerou no treino pela manhã.
Olhou diretamente para Maya.
— Comeu menos do que deveria durante a tarde.
Depois cruzou os braços.
— E resolveu acreditar que melhora significa invencibilidade.
Taylor ficou imóvel.
A médica continuou:
— Queda de pressão. Hipoglicemia leve. Exaustão.
Ela fez uma pausa.
— Essa é a resposta imediata.
Taylor respirou.
Mas ainda não completamente.
— E a resposta maior?
Desta vez a médica olhou primeiro para Maya.
Depois para ele.
Seu sorriso aumentou.
— A função cardíaca melhorou significativamente.
Silêncio.
— A pressão arterial está mais controlada do que em qualquer exame dos últimos meses.
Mais silêncio.
— Ela perdeu mais de vinte quilos de forma clinicamente relevante.
Taylor não piscava.
— Os indicadores de sobrecarga diminuíram.
A médica fechou a pasta.
— Se continuar nesse ritmo… usando bom senso, algo que aparentemente está em falta hoje à noite… o prognóstico é excelente.
Taylor sentou-se abruptamente.
Como se suas pernas tivessem esquecido como funcionar.
Maya soltou uma pequena risada.
Que imediatamente se transformou em lágrimas.
A Dra. Lee entregou-lhe alguns lenços.
Sem cerimônia.
— Você continua sendo humana.
Disse aquilo com carinho.
— Mas não está mais caminhando na direção para a qual estava indo antes.
Quando a médica saiu, o quarto ficou silencioso.
Mas era um silêncio diferente.
Não havia medo.
Ainda não era felicidade.
Era algo entre as duas coisas.
Choque.
Alívio.
Tristeza pelos meses perdidos acreditando que o futuro seria menor.
Taylor cobriu o rosto com as mãos.
Maya ficou imóvel.
Porque nunca o tinha visto chorar.
Jamais.
Não daquela forma.
Não discretamente.
Não com uma única lágrima cuidadosamente escondida.
Taylor chorava como alguém que passou tempo demais segurando o peso do mundo sozinho.
Os ombros estremeceram.
A respiração falhou.
As mãos pressionaram os olhos.
Sem esconder.
Sem tentar parecer forte.
Maya estendeu a mão instintivamente.
Ele ergueu o rosto.
Os olhos vermelhos.
Molhados.
E soltou uma risada incrédula.
— Ela vai ficar bem.
Maya assentiu.
Incapaz de falar.
— Ela vai ficar bem.
Desta vez sua voz quebrou completamente.
Então Taylor a beijou.
Não na testa.
