Não na bochecha.
Na boca.
Foi um beijo que não parecia impulsivo.
Mas também não parecia contido.
Parecia o fim de uma resistência que havia sido necessária até se tornar impossível.
A mão dele envolveu seu rosto.
Quente.
Levemente trêmula.
Maya segurou seu pulso.
E respondeu ao beijo com tudo aquilo que passara meses tentando negar.
Desejo.
Medo.
Amor.
Esperança.
O hospital desapareceu.
As máquinas.
As luzes fluorescentes.
O cheiro estéril.
Tudo deixou de existir.
Restou apenas uma verdade simples.
Ela o queria.
E era desejada.
Quando finalmente se afastaram, Taylor manteve a testa apoiada na dela.
— Nosso contrato termina na próxima semana.
A voz de Maya saiu quase num sussurro.
Taylor fechou os olhos.
Contrato.
Documentos.
Cláusulas.
Toda a estrutura da mentira que os havia levado até ali.
— Eu sei.
Maya estudou seu rosto.
— E o que acontece agora?
Taylor afastou-se apenas o suficiente para olhá-la adequadamente.
Não havia arrogância.
Não havia máscaras.
Apenas uma firmeza construída da maneira mais difícil possível.
— Agora eu peço algo que não tenho direito de esperar receber.
A respiração dela falhou.
Taylor segurou sua mão.
Com cuidado.
Como se fosse algo frágil.
E poderoso.
Ao mesmo tempo.
— Case comigo.
Maya ficou imóvel.
Taylor soltou uma pequena risada nervosa.
— Certo. Eu reconheço o problema dessa frase.
Ela continuava sem reagir.
— Então vou reformular.
Os dedos dele apertaram os dela.
— Case comigo outra vez.
O coração de Maya disparou.
— Desta vez de verdade.
A voz dele tornou-se baixa.
Totalmente desprotegida.
— Não porque Eric me desafiou.
— Não porque você estava sozinha.
— Não porque eu confundia vencer com controlar.
Os olhos dele não abandonaram os dela.
— Case comigo porque, em algum momento no meio do pior começo possível, você se tornou a única pessoa com quem eu realmente quero construir uma vida honesta.
As lágrimas voltaram.
Taylor prosseguiu:
— Você me mudou de maneiras que eu nem sabia que precisava mudar.
— Fez com que eu enxergasse a cidade onde moro.
— O trabalho das pessoas.
— As mentiras que eu contava para mim mesmo.
A voz vacilou.
— Você entrou na minha cozinha. Brigou comigo. Me enfrentou. Continuou lutando mesmo quando seu próprio corpo parecia desistir.
Ele sorriu entre lágrimas.
— E eu a respeitei mais a cada dia.
Respirou fundo.
— Até que respeito se transformou em algo que me deixa apavorado o tempo todo.
Uma risada trêmula escapou.
— Na verdade, ainda estou apavorado.
Maya tentou responder.
Não conseguiu.
Taylor apertou sua mão.
— Eu amo você.
Silêncio.
— Não amo a história.
— Nem a transformação que todo mundo vê.
Os olhos dele brilhavam.
— Amo você.
A voz tornou-se ainda mais suave.
— A mulher que disse que minha casa parecia emocionalmente estofada.
Maya riu entre lágrimas.
— A mulher que chora quando crianças recebem casacos de inverno porque entende o que abandono significa.
— A mulher que acredita não precisar de ninguém enquanto torna todos ao seu redor mais corajosos.
Os olhos dele voltaram a se encher de lágrimas.
— Se você disser não, vou entender.
Respirou profundamente.
— Mas se existir qualquer parte de você que acredita em mim…
Ele segurou sua mão junto ao peito.
— Estou pedindo o resto da sua vida.
Maya começou a rir e chorar ao mesmo tempo.
— Você está me pedindo em casamento dentro de um hospital.
— Posso repetir tudo em algum lugar mais romântico.
Ela cobriu a boca.
Porque felicidade, depois de tanto medo, doía quase tanto quanto tristeza.
Então respondeu:
— Sim.
Taylor piscou.
— Sim?
— Sim, seu homem impossível.
Ele a beijou novamente.
Desta vez rindo contra seus lábios.
E aquele som pareceu abrir uma porta invisível dentro da vida dos dois.
Sete dias depois, o contrato chegou oficialmente ao fim.
Taylor pediu que os documentos fossem enviados para a cobertura.
Não para o escritório.
Sentaram-se à mesma mesa de jantar onde haviam planejado refeições, anotado medições de pressão arterial, discutido receitas e compartilhado conversas que mudaram tudo.
A mesma mesa onde começaram como estranhos cuidadosos.
Taylor assinou primeiro.
Depois deslizou os papéis até ela.
Maya pegou a caneta.
Sorriu.
— Devíamos emoldurar isso?
Taylor recostou-se na cadeira.
Observou os documentos por um instante.
Depois respondeu:
— Eu estava pensando em fogo.
Maya riu.
E assinou.

Então Taylor pegou os documentos.
Levantou-se.
Caminhou até a cozinha.
E, com a solenidade de um homem participando de um ritual ancestral, alimentou as páginas uma a uma na chama azul do fogão.
Maya observou ao seu lado.
Descalça.
Vestindo apenas meias.
Assistindo as bordas do papel escurecerem, enrolarem-se e desaparecerem.
