Depois permaneceu alguns instantes em silêncio.
— Quero criar algo permanente para aquele centro.
Maya ergueu uma sobrancelha.
— Algo ético?
— Sim.
— Sem seu nome estampado na fachada?
Taylor pareceu genuinamente horrorizado.
— Pelo amor de Deus, não.
Ela sorriu.
— Então talvez.
Em agosto, a perda de peso tornou-se visível o suficiente para que estranhos começassem a comentar.
Maya odiava aquilo quase tanto quanto odiava os comentários que recebia antes.
Certa tarde, em uma farmácia, a atendente sorriu para ela.
— Você está maravilhosa. Continue fazendo o que quer que esteja fazendo.
Maya agradeceu educadamente.
Sorriu.
Pagou.
Saiu.
E ficou sentada dentro do carro segurando o recibo com tanta força que o papel amassou.
Taylor percebeu imediatamente.
— O que aconteceu?
— Nada.
Ele esperou.
Como sempre fazia.
Finalmente ela falou.
— Eu odeio que as pessoas sejam mais gentis quando eu sou menor.
Taylor apoiou o braço sobre o volante.
— Você quer conforto ou honestidade?
Ela virou a cabeça.
— Essa pergunta, sozinha, já me faz querer empurrar você no trânsito.
— Então honestidade.
Ele voltou-se para ela.
— Algumas pessoas são superficiais.
Maya permaneceu em silêncio.
— Algumas acreditam que elogios nunca machucam porque jamais sofreram por causa deles.
Ele continuou:
— Outras precisam desesperadamente de histórias de superação porque isso as convence de que a vida é controlável.
A voz tornou-se mais suave.
— Nenhuma dessas coisas muda o fato de que você tinha exatamente o mesmo valor antes de elas começarem a notar.
Maya observou o para-brisa.
As palavras demoraram para atravessar suas defesas.
— Você está ficando melhor nisso.
Taylor soltou uma pequena risada.
— Tenho medo de voltar a ser ruim.
Ela virou-se imediatamente para ele.
Porque aquela resposta era sincera demais.
Os olhos dele encontraram os seus.
E algo mudou.
Outra vez.
Algo que vinha mudando há meses.
Silenciosamente.
Perigosamente.
Já haviam existido muitos momentos.
Momentos demais.
A mão dele pousando em suas costas ao atravessarem uma rua movimentada.
Os dedos dela tocando seu pulso enquanto alcançava uma panela.
Nenhum dos dois afastando-se imediatamente.
A noite em que adormeceu lendo no sofá e acordou coberta por um cobertor que sabia não ter colocado sobre si mesma.
A manhã em que Taylor saiu do banho usando apenas uma camiseta cinza.
Os cabelos ainda molhados.
E Maya precisou abaixar os olhos para a xícara de chá porque o desejo chegou de forma tardia.
Mas inconfundível.
Violenta.
Constrangedora.
Ela não sabia o que fazer com o fato de amar alguém que originalmente havia entrado em sua vida para vencer uma aposta.
Taylor, por sua vez, parecia compreender algo importante.
Pressão destruiria tudo.
Por isso ele nunca a encurralava.
Nunca exigia respostas emocionais.
Nunca usava a linguagem do sacrifício.
Apenas permanecia.
Atento.
Presente.
Constante.
Irritantemente constante.
Então setembro chegou.
E junto dele veio outro convite para uma gala.
Não era o mesmo hotel.
Nem a mesma organização.
Mas era exatamente o mesmo universo.
Maya encontrou o envelope sobre a mesa da entrada.
Papel grosso.
Creme.
Elegante.
O logotipo da empresa de Taylor gravado na parte traseira.
Ela ficou observando o convite durante muito tempo antes de abri-lo.
Quando Taylor chegou em casa naquela noite, encontrou-a sentada na cozinha.
Girando o envelope entre os dedos.
— Você não precisa ir.
A resposta veio imediatamente.
Maya ergueu os olhos.
— Já sabia o que era?
— Pedi à minha assistente para deixá-lo aqui caso você quisesse escolher.
Ela estudou seu rosto.
— A última gala quase me levou para o hospital.
Taylor afrouxou o nó da gravata.
— A última gala também foi o evento que finalmente me obrigou a parar de ser idiota.
— Isso não é exatamente tranquilizador.
Ele aproximou-se.
— Então não vá.
Maya tocou o convite.
— Você quer que eu esteja lá?
A resposta veio sem hesitação.
— Quero.
— Por quê?
Taylor apoiou-se no balcão.
— Porque quero você ao meu lado.
Depois acrescentou:
— Mas querer alguma coisa e merecê-la nem sempre são a mesma coisa.
Maya voltou a olhar para o envelope.
Conseguia quase ouvir a música.
Sentir o perfume caro.
O champanhe.
Os julgamentos.
Também conseguia lembrar da mulher que saíra da primeira gala humilhada e tremendo.
Não queria continuar sendo aquela versão de si mesma para sempre.
— Eu vou.
Surpresa atravessou o rosto de Taylor.
Depois cautela.
— Apenas se você realmente quiser.
Maya balançou a cabeça.
— Eu não quero.
Ele franziu a testa.
Ela sorriu de leve.
— Mas talvez essa não seja a questão.
Na noite do evento, Maya parou diante do espelho e demorou alguns segundos para reconhecer a própria imagem.
