A sua mulher, que estava no sexto mês de gravidez, recusou-se a sair da cama. Tomado pela raiva e pelas suspeitas, ele afastou bruscamente o cobertor… e a verdade arrepiante esmagou-lhe a alma.

O sangue pareceu congelar em suas veias.

A raiva deu lugar a um choque devastador.

Porque nada — absolutamente nada — poderia tê-lo preparado para a visão aterrorizante que estava prestes a surgir diante de seus olhos.

PARTE 2

Parecia que todo o ar havia sido sugado daquele pequeno quarto em Ecatepec.

Os dedos de Mateo se abriram involuntariamente, deixando o cobertor escorregar para o chão. Um arrepio percorreu sua espinha, e suas pernas perderam a força. A cena diante dele era muito pior do que qualquer pesadelo que já tivesse imaginado.

As pernas de Elena estavam irreconhecíveis.

Pareciam não pertencer a um ser humano.

Estavam tão inchadas que haviam praticamente dobrado de tamanho. A pele encontrava-se esticada ao extremo, brilhante e tensionada, como se pudesse se romper a qualquer momento.

Dos tornozelos até quase a metade das coxas, a coloração havia se transformado em um tom escuro e assustador, entre o vermelho profundo e o negro arroxeado. Sob a superfície da pele, veias avermelhadas se espalhavam em todas as direções, parecendo brasas vivas queimando por dentro.

Nas panturrilhas havia feridas abertas.

Algumas delas estavam úmidas, liberando um líquido amarelado que escorria lentamente e manchava os lençóis claros que Elena havia tentado esconder durante semanas.

Então Mateo percebeu algo ainda pior.

O quarto inteiro estava impregnado por um odor forte e nauseante.

Era um cheiro de infecção.

Metálico.

Pesado.

Doentio.

Tão intenso que seu estômago se contraiu imediatamente.

— Meu Deus, Elena! — exclamou ele, caindo de joelhos ao lado da cama.

Suas mãos tremiam no ar.

Queria ajudá-la, queria tocá-la, mas tinha medo de provocar ainda mais sofrimento.

— O que aconteceu com você? Por que não me contou nada? Como pôde esconder isso de mim? Você está gravemente doente!

As lágrimas de Elena explodiram de uma só vez.

Não era apenas um choro.

Era um lamento profundo, carregado de medo, dor e desespero acumulados por semanas.

Ela envolveu o ventre já avantajado de seis meses com os braços, como se tentasse proteger o bebê de tudo o que estava acontecendo.

Seu corpo inteiro estremecia.

Durante alguns segundos, ela não conseguiu falar.

Apenas chorou.

Mateo sentiu o peso esmagador da culpa cair sobre seus ombros.

As palavras cruéis que havia dito.

As acusações.

A desconfiança.

A influência constante de dona Rosa.

Tudo aquilo retornava à sua mente como golpes.

Enquanto ele a julgava, Elena estava sofrendo em silêncio.

Enquanto acreditava que ela exagerava, ela escondia uma dor que parecia insuportável.

— Desculpe… — murmurou ele com a voz quebrada. — Por favor, me perdoe.

Elena fechou os olhos por um instante.

Quando voltou a olhar para ele, havia um sofrimento indescritível em seu rosto.

— Eu tentei contar… muitas vezes — sussurrou. — Mas tive medo.

— Medo de quê?

Ela respirou com dificuldade.

— Medo de perder nosso bebê.

Aquelas palavras atingiram Mateo como um raio.

Seu coração disparou.

— O que você quer dizer?

— Há quase um mês eu fui ao posto de saúde sozinha. As dores começaram. O inchaço piorava a cada dia. Eles me examinaram e disseram que algo estava errado com a circulação das minhas pernas. Falaram sobre riscos para mim e para a gravidez.

Mateo sentiu o mundo girar ao seu redor.

— E por que você não me contou?

Novas lágrimas escorreram pelo rosto de Elena.

— Porque ouvi duas enfermeiras conversando no corredor. Elas disseram que algumas mulheres acabam perdendo o bebê em situações parecidas. Fiquei apavorada. Pensei que, se falasse sobre isso em voz alta, tudo se tornaria real.

Ela levou uma das mãos ao ventre.

— Então comecei a fingir que estava tudo bem. Queria acreditar que a dor desapareceria sozinha.

Mateo abaixou a cabeça.

Seu peito apertava cada vez mais.

Ele havia passado semanas acreditando nas acusações da mãe.

E agora percebia que sua esposa enfrentava um problema grave sem apoio, sem ajuda e completamente aterrorizada.

Sem perder mais tempo, pegou o telefone.

— Vamos ao hospital agora.

— Não…

— Agora, Elena.

— Tenho medo.

— Eu também tenho — respondeu ele, segurando cuidadosamente sua mão. — Mas não vou deixar você passar por isso sozinha nem por mais um minuto.

Pela primeira vez em semanas, Elena não tentou esconder as pernas.

E pela primeira vez em muito tempo, Mateo enxergou o verdadeiro tamanho da dor que ela carregava em silêncio.

Naquele momento, ele compreendeu que o pior inimigo do amor não era a doença.

Era a dúvida.

E ele havia permitido que ela entrasse em sua casa.

— Sua esposa está enganando você, meu filho — declarou dona Rosa certa tarde, parada na minúscula cozinha da casa, com os braços cruzados sobre o peito, enquanto Mateo esfregava as mãos manchadas de graxa depois de mais um longo dia na oficina.