— Seis meses de gravidez não são motivo para tanto drama. Quando eu estava esperando você, ainda lavava roupas à mão, carregava baldes pesados e moía milho até quase o nono mês. Mas a sua mulher? Isso não é doença. É preguiça. Ela está fazendo de você um empregado. E quem garante que ela realmente está doente? Talvez esteja apenas tentando controlar sua vida e fazer você girar ao redor dela.
As palavras de dona Rosa, repetidas sem descanso dia após dia, começaram a se infiltrar na mente cansada de Mateo.
Como golpes constantes de um martelo, aquelas frases foram abrindo espaço entre seus pensamentos.
A pressão das dívidas acumuladas, o desgaste físico provocado pelas intermináveis jornadas de trabalho e a frustração de voltar para casa todas as noites apenas para encontrar Elena escondida sob as cobertas, recusando-se até mesmo a encará-lo, alimentavam uma amargura silenciosa dentro dele.
Pouco a pouco, as dúvidas começaram a crescer.
E se Elena estivesse exagerando?
E se tivesse entrado em depressão porque, no fundo, não desejava aquela gravidez?
Ou pior: e se sua mãe estivesse certa, e Elena estivesse se aproveitando de seu amor e dedicação?
Numa sexta-feira à noite, já depois das dez horas, Mateo finalmente chegou em casa.
A rua estava mergulhada na escuridão.
Ao longe, podia-se ouvir o chamado característico de um vendedor de tamales atravessando o bairro, um som familiar que normalmente trazia conforto, mas que naquela noite apenas aumentava sua irritação.
Exausto e com a cabeça latejando de tensão, ele entrou pela porta com violência, fazendo-a bater com estrondo atrás de si.
Sem sequer tirar os sapatos, caminhou diretamente até o quarto.
E lá estava Elena.
Na mesma posição de sempre.
Deitada de lado.
Enrolada no pesado cobertor.
Seus dedos apertavam o tecido com tanta força que os nós das mãos haviam ficado completamente brancos.
Sobre a mesa ao lado da cama permanecia o prato de comida deixado pela manhã, ainda intacto.
Foi nesse momento que sua paciência chegou ao limite.
— Já basta, Elena! — disse ele com uma voz dura e gelada, diferente de tudo o que ela já ouvira dele. — Você está assim há semanas. Minha mãe tinha razão. Isso está acabando comigo! Levante-se de uma vez, pelo amor de Deus!
O corpo de Elena estremeceu imediatamente.
Seus olhos, cercados por profundas olheiras, se encheram de lágrimas.
— Não, Mateo… por favor… — implorou ela, enquanto sua voz se transformava em um sussurro frágil. — Não faça isso… não olhe para mim. Eu imploro.
Mas aquela reação apenas aumentou sua revolta.
Para ele, parecia mais uma tentativa de esconder algo.
Tomado pela exaustão, pelas suspeitas e pela raiva acumulada durante semanas, Mateo avançou rapidamente em direção à cama.
— Eu disse que chega! — gritou.
Num gesto brusco e impulsivo, agarrou a extremidade do grosso cobertor e o puxou com toda a força, decidido a obrigar a esposa a enfrentar a realidade.
Mas, no exato instante em que baixou os olhos para a cama, algo aconteceu.
Toda a raiva desapareceu.
Como água escorrendo entre os dedos.
Seu coração pareceu parar por um segundo.
O sangue gelou em suas veias.
Seu corpo inteiro ficou imóvel.
Porque nada, absolutamente nada, poderia prepará-lo para o horror que estava prestes a surgir diante de seus olhos.

PARTE 3
Parecia que todo o oxigênio havia desaparecido daquele pequeno quarto em Ecatepec.
Os dedos de Mateo afrouxaram, e o cobertor caiu pesadamente no chão. Ao mesmo tempo, ele sentiu as pernas vacilarem sob o próprio peso. A cena diante dele era tão aterrorizante que parecia ter sido arrancada diretamente de seus piores pesadelos.
As pernas de Elena estavam irreconhecíveis.
Não pareciam humanas.
O inchaço era tão severo que haviam praticamente dobrado de volume. A pele encontrava-se esticada ao limite, brilhante e tensa, como se pudesse rasgar a qualquer instante.
Dos tornozelos até quase a metade das coxas, a coloração havia assumido um tom escuro e assustador, entre o vinho profundo e o negro arroxeado. Sob a superfície da pele, uma rede de veias avermelhadas se espalhava como raízes em chamas.
Nas panturrilhas havia feridas abertas.
Delas escorria um líquido amarelado que manchava os lençóis claros — exatamente aqueles que Elena tentara esconder durante semanas.
Então Mateo percebeu outro detalhe.
O quarto estava tomado por um odor insuportável.
Um cheiro forte de infecção.
Áspero.
Metálico.
Enjoativo.
Tão intenso que fez seu estômago revirar.
— Meu Deus, Elena! — exclamou ele, caindo de joelhos ao lado da cama.
Suas mãos tremiam.
Queria ajudá-la, mas tinha medo até mesmo de tocá-la.
— O que aconteceu com você? Por que não me contou? Você está sofrendo tudo isso sozinha!
Elena começou a chorar de forma desesperadora.
Não era um simples choro.
Era um grito de dor acumulada, de medo e exaustão emocional.
