A minha mulher estava grávida de sete meses, mas a barriga dela ainda estava lisa. Quando a levei ao médico, ele sussurrou-me ao ouvido: «Divorcie-se imediatamente.»

Fiquei paralisado naquele corredor, como se o meu corpo tivesse esquecido como se mexer.
As palavras do médico ecoavam sem parar dentro da minha cabeça, girando em círculos sufocantes.
“Você está em perigo…”

Perigo? Por causa da minha própria esposa?
Aquilo não fazia sentido. Era absurdo. Completamente impossível.

E, no entanto… algo no olhar dela, poucos minutos antes, insistia em me perseguir.
Aquele medo estranho. O silêncio pesado. A tensão quase palpável no ar.

— Explique melhor, por favor… — murmurei, com a voz quase falhando.

O médico lançou um olhar cauteloso ao redor, como se temesse que alguém pudesse ouvir.

— Não posso dizer tudo aqui. Mas há algo que você precisa saber: não existe bebê.

Senti o meu coração parar por um instante.

— Isso não pode ser… ela está grávida de sete meses…

— Não — respondeu ele, encarando-me diretamente nos olhos. — Sua esposa não está grávida. E, infelizmente, não é a primeira vez que vejo algo assim acontecer.

Minha mente não conseguia acompanhar aquilo.

— Então… por que ela diz isso? Por quê?

Ele hesitou por um momento, depois soltou um suspiro pesado.

— Ou ela está mentindo para você… ou está mergulhando em algo muito mais sério. Em qualquer uma das situações… você precisa se proteger.

Senti minhas pernas fraquejarem.

Mentir para mim? Depois de tudo o que vivemos juntos?
Não… isso não podia ser verdade.

Mas um pensamento mais sombrio começou a se infiltrar:
E se ela realmente acreditasse que estava grávida?

O médico colocou a mão no meu ombro, num gesto breve, porém firme.

— Eu sei que é difícil aceitar. Mas, às vezes, a dor transforma as pessoas de maneiras imprevisíveis. Cuide de si mesmo.

Fiquei ali sozinho por alguns segundos depois que ele se afastou.

Então respirei fundo e abri a porta da sala de consulta.

Minha esposa estava sentada, já vestida, pronta para sair.
Como se absolutamente nada tivesse acontecido.

— Então? — perguntou ela, em voz baixa.

Eu a encarei.
Por muito tempo. Tempo demais.

— Está tudo bem — respondi, por fim.

Nem sei por que menti.
Talvez por medo de encarar a verdade.
Talvez porque ainda quisesse acreditar nela, nem que fosse por mais um pouco.

No caminho de volta, ela falava animadamente sobre nomes para o bebê.
Como se tudo estivesse perfeitamente normal.

— O que você acha? Se for menina… Léa? Ou talvez Camille?

Eu dirigia em silêncio, sem conseguir reagir.
Cada palavra que saía da boca dela parecia atravessar meu peito.

— E se for menino…

— Para — interrompi de repente, mais alto do que pretendia.

Ela se calou imediatamente.
O silêncio que se seguiu tornou-se quase insuportável.

— O que foi? — perguntou ela, desconfiada.

Apertei o volante com força.

— O médico disse que não há nenhum bebê.

Um longo instante passou.

Então ela começou a rir.
Um riso estranho, nervoso… claramente forçado.

— Isso é alguma piada?

— Não.

Ela me olhou, completamente atônita.

— Você está brincando comigo?

— Foi o que ele disse. O exame não mostrou nada. Está vazio.

O rosto dela endureceu de repente.

— Isso é impossível.

— É a verdade.

E foi nesse momento que algo dentro dela mudou.

O olhar dela ficou frio.
Duro. Quase irreconhecível.

— Você acredita nele?

Não respondi.

— Você prefere confiar em um estranho do que na sua própria esposa?

— Eu… já não sei mais no que acreditar…

Ela virou o rosto para a janela.

— Então não acredite em nada.

Os dias que se seguiram foram um verdadeiro pesadelo silencioso.

Ela continuava agindo como uma mulher grávida.
Conversava com o “bebê”.
Comprava roupinhas.
Passava horas no quarto que tínhamos preparado.

E eu… apenas assistia a tudo, impotente.

Cada gesto dela partia meu coração um pouco mais.

Tentei conversar com ela.
Com calma, com cuidado.

— Talvez devêssemos procurar ajuda…

Ela ficou furiosa, tomada por uma revolta súbita.
— Eu não sou louca!

Dessa vez, não insisti.
Mas o medo dentro de mim só aumentava, crescendo em silêncio.

E então… veio aquela noite.

Acordei por volta das três da manhã.
O lado dela da cama estava vazio.

Levantei-me imediatamente, com o coração apertado pela inquietação.
Uma luz fraca escapava do quarto do bebê.
A porta estava entreaberta.

Aproximei-me devagar, quase sem fazer barulho.
E o que vi… fez meu sangue gelar.

Ela estava lá.
De pé, no meio do quarto.
Balançando… o vazio.
Como se tivesse um bebê nos braços.

— Shhh… não chore… a mamãe está aqui…

A voz dela era suave, quase reconfortante.
Mas a cena era perturbadora, impossível de ignorar.

— Olha, o papai também está aqui…

Eu não consegui me mexer.
Meu coração disparava descontroladamente.

— Eles vão nos machucar… mas a mamãe vai te proteger…

Aquelas palavras…
Aquelas palavras mudaram tudo.

Entrei de repente no quarto.
— O que você está fazendo?!

Ela se assustou.
Depois virou o rosto na minha direção.
E nos olhos dela… já não havia nada que eu reconhecesse.