Três anos depois da morte da minha mãe, a nova esposa do meu pai fez de tudo para que eu me sentisse uma estranha dentro da casa onde cresci. Quando chegou a época do baile de formatura, ela gastou uma fortuna com o vestido da própria filha e me entregou a roupa mais horrível que conseguiu encontrar. Ela tinha certeza de que toda a escola riria de mim. Mas, no fim daquela noite, quem terminou em lágrimas foi ela.
Mesmo três anos após a morte da minha mãe, nossa casa continuava mergulhada em um silêncio pesado, como se as paredes ainda esperassem que ela voltasse a qualquer momento.
Meu pai e eu aprendemos a conviver com aquele vazio, fingindo que a cadeira vazia à mesa não era a lembrança mais dolorosa de todas.
Então Alexis apareceu na vida dele. Em menos de quatro meses, ela já havia se mudado para nossa casa junto com a filha, Brianna.
Uma das primeiras atitudes de Alexis foi reunir todas as coisas que ainda pertenciam à minha mãe, colocá-las em caixas e escondê-las, como se ela nunca tivesse existido.
Em apenas quatro meses, ela e Brianna transformaram nossa rotina por completo.
Brianna tinha exatamente a minha idade, estudava na mesma escola que eu e, desde o primeiro dia, ficou claro que nenhuma das duas fazia questão da minha presença. No início disfarçavam, mas, conforme os meses passavam, já nem tentavam esconder o desprezo.
— Brianna, meu amor, seu cabelo está simplesmente maravilhoso hoje — disse Alexis certa manhã, colocando um prato de panquecas diante da filha.
Quando estendi a mão para pegar a calda, Alexis puxou a garrafa discretamente para longe.
— Emma, talvez seja melhor você evitar isso.
— É mesmo — acrescentou Brianna com um sorriso debochado. — Senão vamos precisar colocar uma cadeira reforçada só para você.
Meu pai levantou os olhos por cima do jornal por um instante, mas não disse absolutamente nada. Eu já havia desistido de esperar que ele me defendesse.
Conforme o baile de formatura se aproximava, até a hora das refeições começou a me causar ansiedade.
Na escola a situação não era diferente.
Brianna caminhava pelos corredores como se fosse dona do lugar. Os alunos abriam espaço para ela e para o grupo de amigas enquanto eu apenas seguia de cabeça baixa, contando os dias que faltavam para a formatura.
— Só mais três meses, Em — sussurrou Jenna ao esbarrar de leve em mim diante dos armários. — Daqui a pouco você vai embora para a faculdade e sua madrasta nunca mais vai conseguir fazer você sofrer.
Sorri porque ela tinha razão. Contar os dias até minha mudança era a única coisa que ainda me mantinha firme.
A temporada do baile tomou conta da escola. Cartazes apareciam por todos os lados, e Brianna não falava de outra coisa além dos vestidos dos sonhos.
— Mãe, você viu aquele vestido com o corpete todo bordado em cristais? Custa seiscentos dólares!
— Se é esse que você quer, então será esse que você vai ter.
Numa manhã de sábado, enquanto tomava café, meu pai pigarreou antes de falar.
— Quero que as duas meninas tenham vestidos bonitos para o baile.
Ele abriu a carteira, contou cuidadosamente o dinheiro e colocou as notas sobre a mesa.
— Alexis, pegue isso e compre um vestido especial para cada uma delas.
Ela cobriu a mão dele com carinho e sorriu.
— Claro, Mark. Pode deixar comigo. Vou encontrar o vestido perfeito para as duas.
Enquanto dizia aquelas palavras, ela olhou diretamente para mim.
Pela primeira vez desde que entrou em nossas vidas, sorriu como se realmente me enxergasse como parte da família.
Foi um gesto tão pequeno… mas suficiente para despertar em mim uma esperança que jamais deveria ter alimentado.
— Obrigada, Alexis.
— Não precisa agradecer, querida.
Naquela noite fui dormir acreditando que talvez ela estivesse finalmente tentando construir uma relação comigo.
Já estava quase adormecendo quando ouvi um barulho estranho.
Pareciam passos vindos do sótão.
Fiquei imóvel por alguns segundos, tentando escutar novamente.
Depois… silêncio absoluto.
Na tarde seguinte Alexis voltou para casa carregando duas capas compridas de vestido.
Uma parecia volumosa, como se escondesse uma saia cheia de camadas.
A outra caía completamente sem forma sobre o braço dela, quase parecendo vazia.
— Experimentem logo, meninas. Quero ver a reação de vocês.
Toda a esperança que eu havia sentido desapareceu no instante em que abri minha capa no quarto.
Um cheiro antigo de naftalina escapou do tecido.
Quando retirei o vestido, meu coração afundou.
Era de um amarelo mostarda apagado, quase dourado, feito com um tecido rígido, envelhecido e completamente fora de moda.
Parecia uma peça esquecida havia décadas em algum depósito.
Enquanto isso, Brianna já gritava de felicidade do outro lado do corredor.
— Mãe! É perfeito! Meu Deus! Olha isso!
O som do tecido caro ecoou pela casa antes que ela surgisse correndo até meu quarto.
