Na época, Isabella ignorou o aviso.
Achou que fosse apenas excesso de proteção paterna.
Agora, presa naquele casamento sem amor, as palavras do pai ecoavam em sua mente como uma profecia.
A ambição de Elliot não era apenas um traço de personalidade.
Era uma fome insaciável.
E ele estava disposto a usar qualquer pessoa como combustível para alimentar o próprio ego.
Inclusive ela.
Com o passar do tempo, Elliot a afastou lentamente dos amigos antigos. Depois começou a criar obstáculos para as visitas ao pai. Reclamava da distância, zombava do estilo simples de Arthur, criticava suas opiniões discretamente até Isabella começar a evitar contato por conta própria.
O Rolls-Royce finalmente parou diante da entrada principal do evento.
Instantaneamente o mundo explodiu em luzes.
Os flashes das câmeras transformaram a noite em um clarão contínuo.
Gritos de jornalistas ecoavam por todos os lados.
Um funcionário abriu a porta para Elliot, que saiu do veículo exibindo imediatamente aquele sorriso milionário perfeitamente ensaiado para os fotógrafos.
Ele então estendeu a mão para Isabella.
Não por carinho.
Nem por cavalheirismo.
Mas porque as câmeras estavam observando.
Ao sair do carro segurando a mão dele, Isabella foi engolida pela avalanche de flashes.
— Elliot! Olhe para cá!
— Isabella, você está maravilhosa!
Por um breve segundo, cercada por aquela luz artificial e pelas vozes da multidão, ela sentiu algo parecido com esperança.
Talvez naquela noite ele fosse diferente.

Talvez a chegada do bebê despertasse algo humano dentro dele.
Talvez…
Elliot inclinou-se discretamente até seu ouvido, mantendo o sorriso impecável para os fotógrafos.
— Lembre-se do que eu disse. Sorria, concorde e não abra a boca a menos que alguém fale diretamente com você. Ninguém está aqui para ouvir suas opiniões.
A esperança morreu imediatamente.
Os diamantes em seu pescoço pareceram ainda mais pesados.
Ele a conduziu pelo tapete vermelho com a mão firme em suas costas, como quem exibe um objeto caro. Isabella não era uma esposa naquela noite.
Era um acessório.
Uma peça de exibição.
Uma imagem cuidadosamente construída para fortalecer a marca Elliot Vance.
O tapete vermelho parecia um rio de veludo carmesim iluminado por ouro e arrogância. Cada celebridade competia por atenção. Cada olhar escondia cálculos sociais. Cada sorriso era uma arma.
Isabella aprendera a sobreviver naquele ambiente.
Aprendera a sorrir enquanto os pés doíam.
Aprendera a parecer feliz enquanto se despedaçava por dentro.
Mas naquela noite havia algo diferente no ar.
Algo mais cruel.
Mais sombrio.
Quando pararam diante do grupo principal de fotógrafos, Elliot apertou discretamente sua cintura.
— Vire um pouco para a esquerda. Esse é o seu melhor ângulo.
Ela obedeceu automaticamente.
Os flashes explodiram diante de seus olhos.
E então ela a viu.
Saindo lentamente de uma Maserati preta estacionada logo atrás deles estava Chloe Decker.
Chloe era a nova sensação de Hollywood.
Uma atriz ambiciosa, provocante e extremamente popular graças ao papel principal em um blockbuster financiado recentemente por uma empresa ligada a Elliot.
Ela era tudo aquilo que Isabella não era.
Confiante.
Escandalosamente sensual.
Intensa.
Perigosa.
E também era a mulher cujo perfume vinha impregnando os ternos de Elliot nos últimos três meses.
O coração de Isabella disparou violentamente.
Ela já suspeitava.
As reuniões noturnas.
As ligações escondidas.
Os presentes repentinos que pareciam mais subornos silenciosos do que demonstrações de amor.
Quando tentou confrontá-lo certa vez, Elliot transformou tudo contra ela.
— Você está me acusando de alguma coisa? Essa gravidez está deixando você paranoica? Histérica? Enquanto eu construo um império para nossa família, você fica em casa inventando histórias absurdas. Deveria sentir gratidão, não desconfiança.
Ele sempre conseguia fazê-la sentir-se pequena.
Ridícula.
Culpada.
Mas agora, vendo Chloe Decker surgir diante dela usando um vestido verde-esmeralda extremamente ousado, Isabella compreendeu que suas suspeitas não eram exageros.

Eram apenas parte da verdade.
Os olhos de Chloe encontraram os de Elliot por cima do ombro de Isabella.
Um sorriso lento e vitorioso surgiu no rosto da atriz.
Aquilo não era coincidência.
Era uma armadilha planejada.
Uma explosão pública cuidadosamente organizada.
Elliot empurrou Isabella discretamente para frente.
— Continue andando — sussurrou friamente.
Logo em seguida, foram interceptados por Amelia Vance, famosa colunista de fofocas da revista New York Spectator.
Seu sorriso era afiado como uma lâmina.
— Elliot, Isabella… o casal mais comentado da noite. Isabella, a gravidez caiu perfeitamente em você. Está radiante.
Antes que Isabella pudesse agradecer, Elliot soltou uma gargalhada alta e debochada.
