Um amigo do meu marido gritou na frente de toda a gente: «Gorda idiota!» — e desatou a rir. Ele nem sequer fazia ideia de que era eu quem, todos os meses, transferia 400 mil rublos para a conta dele.

— Marina, acho melhor você não pegar esse prato. Tem salada com maionese. Isso não faz bem para você, lembra? — comentou Artur sem sequer tirar os olhos da carne que assava na grelha. Logo em seguida, soltou uma risada, satisfeito com a própria piada.

Ao redor da mesa estavam doze pessoas. Era uma tarde quente de verão na varanda da nossa casa. O churrasco, que eu mesma havia temperado logo cedo e preparado com todo cuidado, exalava um aroma irresistível. A marinada seguia uma receita que levei quase três anos aperfeiçoando. E a salada, vale lembrar, também tinha sido feita por mim.

Durante sete anos a história se repetiu exatamente da mesma forma. Desde o primeiro dia em que o Costa o levou para me conhecer. Artur me analisou da cabeça aos pés, assobiou e disparou:
— Então, Costinha… vejo que você gosta de mulheres bem avantajadas.

Naquele momento sorri, convencida de que era apenas uma brincadeira de mau gosto.

Como eu estava enganada.

Eu e Costa nos casamos há oito anos. Eu tinha quarenta anos; ele, trinta e oito. Ambos já havíamos passado por um casamento anterior. Costa trabalhava como engenheiro em um escritório de projetos. Eu, por outro lado, já administrava a segunda unidade da minha confeitaria, Doce Encanto. Era uma rede criada por mim, construída do zero, sem empréstimos bancários e sem depender da ajuda de ninguém. Durante três anos reinvesti absolutamente todo o lucro no crescimento do negócio. Quando oficializamos nossa união, existiam apenas duas lojas. Hoje, a rede já conta com cinco.

Artur era amigo de Costa desde os tempos de escola. Cresceram juntos, serviram no exército lado a lado e, todos os anos, no outono, mantinham a tradição de viajar para pescar. Para meu marido, Artur era praticamente um irmão. Eu compreendia perfeitamente a importância dessa amizade. Talvez tenha sido exatamente por isso que suportei tantas situações durante tanto tempo.

Artur era dono de uma agência de publicidade chamada Brisa Media. Desenvolviam identidades visuais, embalagens, campanhas promocionais e administravam redes sociais para empresas. O negócio parecia prosperar. Mas havia um detalhe que ele jamais imaginou.

Seis anos antes, eu precisava contratar uma empresa para realizar o rebranding completo da minha rede de confeitarias: nova identidade visual, embalagens, cardápios, fachadas e toda a comunicação da marca. Minha gerente, Vitória, apresentou três propostas. Entre elas estava justamente a Brisa Media. Eles ofereciam o melhor prazo e o orçamento mais competitivo. Fechamos contrato utilizando a razão social da empresa — Confeitaria Plus Ltda. Toda a comunicação ficou sob responsabilidade da Vitória.

Assim, durante seis anos, Artur trabalhou para a minha empresa sem nunca descobrir que a cliente responsável pelos pagamentos era justamente a esposa de seu melhor amigo.

Todos os anos, meu orçamento reservado para a agência dele chegava a quatro milhões e oitocentos mil rublos. Era esse o valor destinado ao desenvolvimento de novos cardápios, campanhas sazonais, identidade das novas unidades e gestão das redes sociais.

Todos os meses, sem exceção, quatrocentos mil rublos eram transferidos para sua empresa rigorosamente em dia.

Costa sabia de toda a situação. Fui eu quem pediu que jamais revelasse a verdade a Artur. Não queria misturar amizade com negócios. Meu marido respeitou minha decisão e permaneceu em silêncio.

Enquanto isso, Artur seguia distribuindo piadas e comentários ofensivos como se fossem algo completamente normal.

Naquela noite, depois de colocar sobre a mesa a última travessa — legumes assados saídos do forno — sentei-me ao lado de Costa. Artur já enchia as taças de vinho com um sorriso convencido no rosto. Sua esposa, Helena, estava sentada em frente a nós. Mantinha os olhos fixos no prato, exatamente como fazia todas as vezes em que o marido começava mais um de seus constrangedores espetáculos.

— Marina, até o verão você bem que poderia perder alguns quilinhos — comentou Artur enquanto entregava uma taça de vinho a um dos convidados. — Você ainda usa biquíni ou continua escondida atrás de uma saída de praia?

O silêncio caiu imediatamente sobre a mesa.

Alguém pigarreou, claramente desconfortável.

Costa pousou a mão sobre o meu joelho. O mesmo gesto de sempre. Era a maneira silenciosa de dizer: «Tenha paciência. Ele não faz por mal.»

Segurei minha taça, encarei Artur por alguns segundos e respondi com absoluta tranquilidade:

— Artur, por acaso você sabe que sua agência ainda não terminou de pagar o financiamento do escritório?

Não elevei a voz. Não havia ironia. Apenas constatei um fato.

Eu sabia daquilo porque, algum tempo antes, Vitória havia comentado casualmente que alguns layouts atrasaram justamente por causa de problemas financeiros relacionados ao aluguel do imóvel.

O sorriso dele vacilou por um breve instante.

Foi quase imperceptível.

Logo voltou a rir.