Um bilionário parou numa estrada esquecida…

Matthew Branson deveria chegar a Phoenix antes das nove da manhã.

Seu motorista já havia traçado a rota com precisão, sua assistente pessoal organizara cuidadosamente os relatórios no banco traseiro, e os membros do conselho administrativo aguardavam reunidos numa moderna sala de reuniões cercada por paredes de vidro. Sobre a mesa havia cafés recém-passados, projeções financeiras detalhadas e um enorme mapa imobiliário marcado com círculos vermelhos.

Era exatamente o tipo de manhã que Matthew apreciava.

Tudo estava sob controle.

Tudo tinha regras.

Tudo tinha um preço.

Então, a poucos quilômetros de Yuma, um dos pneus explodiu.

O sedã perdeu estabilidade e foi lançado para o acostamento. Pedras e poeira voaram enquanto o motorista tentava recuperar o controle. Antes mesmo que Matthew abrisse a porta, o homem já havia pedido desculpas três vezes.

Matthew mal o ouviu.

Parado sob o calor impiedoso do deserto, observou a estrada vazia se estender até o horizonte. O ar tremulava por causa da temperatura, e, ao longe, uma placa de madeira envelhecida chamou sua atenção.

Patty’s Place.

Ele poderia ter permanecido dentro do carro.

Poderia ter chamado outro motorista.

Poderia ter enviado alguém de Phoenix para buscá-lo.

Poderia simplesmente ter feito todos esperarem.

As pessoas costumavam esperar por Matthew Branson.

Mas o couro dos bancos já parecia uma chapa de metal aquecida pelo sol, e um agradável aroma de café recém-coado chegava até ele vindo da pequena lanchonete.

Naquele momento, aquilo pareceu uma bênção.

Então começou a caminhar.

O sino preso acima da porta tocou suavemente quando ele entrou.

O interior era fresco e escuro, oferecendo um alívio imediato do calor lá fora.

Era um daqueles lugares que sobreviviam graças ao esforço diário de alguém, mas que nunca passavam por uma verdadeira reforma. Tudo parecia antigo, gasto e funcional.

As cadeiras de vinil vermelho exibiam remendos feitos com fita adesiva prateada.

Nas paredes, fotografias de crianças vestindo uniformes de beisebol juvenil haviam perdido a cor depois de décadas expostas ao sol do Arizona.

Perto do corredor que levava aos banheiros havia uma jukebox coberta por uma fina camada de poeira. Estava desligada havia tanto tempo que parecia mais uma lembrança do que um aparelho.

Matthew escolheu uma cabine no canto.

Sentou-se de costas para a parede.

Era um hábito antigo.

Um instinto de sobrevivência que carregava desde a infância em um conjunto habitacional decadente e que o acompanhara até os escritórios luxuosos onde agora fechava negócios multimilionários.

Seu terno azul-marinho parecia deslocado naquele ambiente.

O relógio em seu pulso refletia a luz de forma quase provocativa.

Os sapatos impecavelmente engraxados pareciam pertencer a outro universo quando comparados ao piso gasto e rachado da lanchonete.

Uma garçonete serviu dois pratos para um grupo de trabalhadores e, em seguida, aproximou-se de sua mesa com um bloco de anotações e uma caneta.

— Bom dia. Posso trazer um café para começar?

Matthew ergueu os olhos.

E o mundo inteiro pareceu parar.

Por um instante, ele deixou de ser um homem de quarenta anos.

Voltou a ter treze.

Estava novamente diante de um prédio deteriorado, usando uma mochila com a alça quebrada e fingindo não se importar enquanto três garotos zombavam de seus sapatos baratos.

E então surgiu uma garota de cabelos escuros e olhos determinados.

Ela se colocou entre eles sem hesitar.

Disse que o único lixo naquele beco era humilhar alguém que não havia feito nada de errado.

Renee Parker.

Ela estava parada diante dele.

Vestia um avental azul desbotado pelo uso.

Os cabelos estavam presos de forma improvisada num coque que começava a se desfazer.

As maçãs do rosto pareciam mais marcadas do que ele lembrava.

Pequenas linhas cercavam seus olhos, marcas de anos que não existiam quando eram adolescentes.

E seu sorriso…

Seu sorriso parecia ensaiado.

Como algo que ela colocava no rosto todas as manhãs antes de começar mais um turno.

Mas não havia dúvida.

Era Renee.

A mesma Renee que passava tardes inteiras ajudando-o com matemática sentada nos degraus de concreto da casa dela.

A mesma que o incentivava a continuar estudando quando professores faziam os alunos pobres se sentirem indesejados.

A mesma que certa vez colocou um formulário de bolsa de estudos em suas mãos e disse:

— Nem pense em desistir antes de tentar.

No início, ela não o reconheceu.

— Café preto? — perguntou.

Matthew demorou um segundo para responder.

— Sim.

— Já trago.

Ela anotou o pedido.

Ele percebeu um leve tremor em seus dedos.

— Vai querer comer alguma coisa?

Matthew a observou por tempo demais.

Sentindo o olhar, Renee levantou a cabeça e encarou seu rosto com atenção.

Sua expressão mudou pouco a pouco.

Primeiro veio a confusão.