Parecia que ele não conseguia perceber exatamente como deveria reagir…

A porta abriu quase sem fazer barulho.

Mas o som da fechadura, no silêncio do quarto, pareceu mais alto do que qualquer grito.

Igor se virou bruscamente.

Eu também.

Nenhuma descrição de foto disponível.

Na soleira estava meu pai.

Serguei Viktorovich Orlov.

Ele segurava nas mãos um pequeno saco de papel.

Comum. Sem fita. Sem pompa.

Era assim que ele sempre dava presentes.

Como se fosse apenas mais um detalhe em um dia comum.

Mas a expressão do seu rosto naquele momento estava longe de ser comum.

Ele parou na entrada.

Porque me viu.

Amarrada.

Grávida.

Pode ser uma imagem de casamento.

Com o rosto pálido e marcas vermelhas de corda nos pulsos.

Por alguns segundos, ninguém se moveu.

Até o relógio na parede parecia ter parado de fazer tique-taque.

Então Igor tentou sorrir.

— Serguei… Viktorovich? — disse ele com cautela.

A voz soava insegura.

Como a de um aluno chamado de repente ao quadro.

Meu pai não respondeu.

Seu olhar percorreu lentamente o quarto.

Pela corda nas minhas mãos.

Pela poltrona.

Pela garrafa de uísque sobre a mesa.

Pela mulher de vestido vermelho encostada na parede.

E finalmente voltou a se fixar em Igor.

Só então ele entrou.

A porta se fechou silenciosamente atrás dele.

Sem descrição de imagem.

— Desamarre-a, — disse ele.

A voz era calma.

Baixa.

Mas não havia nela nem pergunta, nem pedido.

Igor não se mexeu imediatamente.

Parecia não entender como deveria reagir.

Por um lado — diante dele estava um homem que ele idolatrava.

Por outro — toda a situação parecia estranha demais.

— Nós só… — começou ele. — Nós tivemos uma pequena discussão.

Meu pai nem sequer virou a cabeça.

— Desamarre. Ela.

Igor se aproximou de mim.

Suas mãos tremiam.

Ele desamarrou o cordão rápido demais, e a corda arranhou minha pele com dor.

Quando minhas mãos ficaram livres, ainda levei alguns segundos sem conseguir movê-las.

O sangue voltava lentamente.

Com um formigamento desagradável.

Coloquei a mão sobre a barriga.

O bebê se mexeu.

De leve.

Como se lembrasse que eu não estava sozinha.

Meu pai percebeu.

Seu olhar se deteve na minha barriga.

E naquele momento, surgiu em seu rosto uma expressão que eu raramente via.

Frieza.

Não raiva.

Não grito.

Mas uma compreensão fria e pesada.

Ele se virou para Igor.

— Você está bêbado? — perguntou ele.

Igor soltou uma risada nervosa.

— Um pouco. Hoje é… um dia importante.

Ele tentou se endireitar.

— Eu estava justamente pensando em ligar para o senhor amanhã. Agradecer pela oportunidade.

Meu pai inclinou levemente a cabeça.

— Que oportunidade?

Igor piscou.

— Bem… pelo contrato. Pelo projeto “Sever”.

Ele disse isso quase com orgulho.

Meu pai ficou em silêncio.

Por tempo demais.

— Você realmente acha — disse ele por fim — que conseguiu esse contrato por mérito próprio?

Igor se confundiu.

— Bem… a minha apresentação…

— A sua apresentação foi razoável.

Pausa.

— Mas não do tipo que garante contratos de vários milhões.

Igor empalideceu.

Ele olhou primeiro para ele.

Depois para mim.

— Eu não entendo…

Meu pai se aproximou da mesa.

Colocou o pacote.

— Esse contrato surgiu porque eu disse à minha equipe para aprová-lo.

Silêncio.

— Por quê? — Igor soltou, quase sem ar.

Meu pai se virou para mim.

Nenhuma descrição de foto disponível.

E só então ele respondeu.

— Porque minha filha pediu para eu te dar uma chance.

O quarto pareceu encolher.

Igor olhava para mim como se estivesse me vendo pela primeira vez.

— O quê?..

Eu não disse nada.

Às vezes, a verdade não precisa de explicação.

Ela simplesmente existe.

E muda tudo.

Sabrina pousou o copo sobre a mesa em silêncio.

Agora ela parecia muito menos confiante.

Olhava para o meu pai, tentando entender o quão séria era a situação.

— Acho melhor eu… — começou ela.

Mas ninguém a escutou.

— Você quer dizer… — Igor falava devagar, como se as palavras ficassem presas na garganta. — Que eu consegui o contrato… porque ela…

Ele não conseguiu terminar.

— Porque ela me pediu para te dar uma chance — disse meu pai, com calma.

— E porque ela te defendeu por muitos anos.

Sua voz ficou um pouco mais dura.

— Dizia que você era talentoso. Que só ainda não tinha tido uma oportunidade.

Igor deu um passo para trás.

— Mas… a minha apresentação…

— Minha equipe pode encontrar uma boa apresentação em qualquer departamento.

Pausa.

— Mas nem todo funcionário tem uma esposa que, por tantos anos, faz metade do trabalho dele.

Essas palavras atingiram mais forte do que qualquer grito.

Igor olhou para mim.

Em seus olhos surgiu algo novo.

Medo.

— Isso não é verdade — disse ele rapidamente.

— É verdade — respondeu meu pai.

Ele abriu a pasta sobre a mesa.

Eu nem percebi quando ela apareceu ali.