Uma freira morta foi levada para a morgue, mas quando lhe cortaram o hábito, apareceu uma frase: «Não realizem a autópsia.» O que descobriram a seguir não parecia um milagre, mas sim um pesadelo capaz de destruir um convento inteiro.

Por favor, não façam a autópsia. Esperem duas horas.

Minutos depois, quando o necrotério foi invadido e o corpo da jovem freira desapareceu misteriosamente, o médico legista entrou em desespero ao perceber a verdade aterrorizante por trás de tudo aquilo.

— Mas… mas o que é isso? Isso é uma tatuagem? O que é isso no corpo dela, doutor Foseca? — perguntou Camilo, dando dois passos rápidos para trás, como se tivesse sido empurrado por uma força invisível.

Os olhos dele permaneciam presos ao corpo imóvel sobre a maca metálica, enquanto sua voz tremia de inquietação.

Do outro lado da sala gelada, cercada por azulejos brancos, instrumentos cirúrgicos e armários de aço, o experiente médico legista Dr. Foseca, que procurava bisturis e pinças, virou-se lentamente, franzindo a testa.

— Tatuagem? Como assim? O que foi que você viu, doutor Camilo?

Intrigado, ele caminhou até a maca.

Ali estava algo incomum até mesmo para aquele necrotério acostumado à morte:

o corpo de uma freira.

Ela ainda usava o hábito negro perfeitamente ajustado ao corpo jovem e delicado.

Seu rosto pálido e sereno parecia mais o de alguém mergulhado em um sono profundo do que o de uma pessoa morta.

Mas ela estava morta.

Ao menos era o que todos acreditavam.

E ninguém conseguia explicar claramente a causa de sua morte.

Camilo permaneceu alguns segundos em silêncio, tentando encontrar coragem para explicar o que havia visto.

— O senhor viu aquela marca nas costas dela? Parece uma tatuagem… ou alguma coisa escrita — murmurou.

Foseca cruzou os braços, refletindo.

— Talvez seja apenas impressão sua. Nem toda pessoa entra para a vida religiosa desde criança. Algumas carregam marcas do passado antes de se dedicarem à fé.

Camilo respirou fundo.

Então perguntou algo que claramente o incomodava desde que o corpo chegara ali.

— Doutor… em todos esses anos de trabalho, o senhor já realizou autópsia em uma freira?

Foseca ergueu as sobrancelhas.

— Honestamente? Nunca. E fiquei surpreso quando a polícia enviou esse corpo para cá. Geralmente uma autópsia só acontece quando existe suspeita de crime. Isso tudo parece… estranho demais.

— Surreal — completou Camilo em voz baixa. — E eu continuo com uma sensação ruim sobre aquela marca.

Os dois começaram a preparar os instrumentos.

Mas antes mesmo de iniciarem o procedimento, uma rajada de vento congelante invadiu o ambiente.

A janela abriu violentamente.

Papéis voaram.

Os instrumentos tilintaram.

Camilo estremeceu.

Seu corpo inteiro foi tomado por um frio inexplicável.

Ele olhou imediatamente para a freira.

— Doutor… o senhor realmente acha que devemos fazer isso? Tocar no corpo de uma mulher sagrada?

Foseca não respondeu de imediato.

Apenas soltou um longo suspiro enquanto observava o corpo imóvel.

Ele também sentira aquilo.

Algo na atmosfera havia mudado.

Mesmo assim, falou com firmeza:

— Esse é o nosso trabalho, Camilo. Seja quem for, precisamos descobrir a causa da morte.

Fez uma pausa.

— Às vezes existem coisas que parecem erradas… mas precisam ser feitas.

Camilo assentiu, ainda hesitante.

Então Foseca perguntou:

— Onde exatamente você viu a marca?

— Nas costas. O hábito está rasgado naquela região.

Foseca aproximou-se cuidadosamente.

Ao inclinar o corpo, conseguiu enxergar parte da pele através da abertura no tecido negro.

Havia realmente algo ali.

Uma marca escura.

Os dois trocaram um olhar silencioso.

Bastou.

— Ajude-me a virá-la.

Com extremo cuidado, colocaram o corpo da freira de bruços sobre a maca gelada.

Antes de começar, Foseca fechou os olhos e fez uma breve oração.

Pediu perdão a Deus.

Mesmo sendo médico legista, sentia um peso estranho no peito ao fazer aquilo.

— Passe-me a tesoura.

Camilo entregou o instrumento.

Foseca começou a cortar cuidadosamente a parte traseira do hábito.

Mas bastaram poucos centímetros para que seus olhos se arregalassem.

Aquilo não era uma tatuagem comum.

Era uma mensagem.

Uma frase escrita diretamente na pele.

— Meu Deus… isso não pode ser real — murmurou.

Camilo aproximou-se imediatamente.

— Eu sabia! Tem alguma coisa escrita!

Tomado pela urgência de compreender, Foseca abriu completamente o tecido.

E então os dois congelaram.

Os rostos empalideceram.

Nenhum deles conseguiu falar por vários segundos.

O silêncio dentro do necrotério tornou-se sufocante.

— Doutor… eu não estou imaginando isso, estou? — perguntou Camilo com a voz falhando.

Ainda segurando a tesoura com mãos trêmulas, Foseca respondeu sem desviar o olhar:

— Se você está imaginando… então eu também estou.

Lentamente, ele passou os dedos sobre as palavras gravadas nas costas da jovem.

E leu em voz baixa:

— “Por favor, não façam a autópsia. Esperem duas horas. O que vocês precisam está no bolso do meu hábito.”

O silêncio que veio depois foi ainda pior.