Um vendedor rude goza com uma senhora idosa mal vestida numa loja de vestidos de noiva, sem saber quem ela realmente é.

Betty estava à procura de um vestido para o seu casamento, numa loja de vestidos de noiva de luxo. Depois de um dos funcionários a ter humilhado, criticando a sua aparência, Betty usou a sua generosidade como instrumento de karma, dando uma lição importante a esse funcionário.

Mikhail trabalhava numa loja de vestidos de noiva de luxo e orgulhava-se de tudo o que estivesse relacionado com o luxo. Era um pouco materialista, o que o tornava um pouco crítico.

Um dia, uma senhora idosa, Betty, entrou na loja. A loja estava mais silenciosa do que o habitual e, naquele dia, apenas Mikhail e a sua colega Ksenia estavam a trabalhar.

Betty claramente não era o tipo de cliente a que a loja estava habituada. O seu estilo estava longe do que se poderia chamar de «clássico»: roupa antiquada e penteado desarrumado.

Betty nunca se preocupava com a sua aparência. Ela achava que a sua beleza interior era mais importante e nunca foi materialista. Além disso, o seu trabalho não lhe permitia fazer compras em locais como esta loja.

Betty ia casar-se no verão e decidiu que, desta vez, iria estar verdadeiramente elegante. Quando ela entrou na loja, Mikhail reparou nela com uma expressão de desaprovação, continuando a escrever mensagens no seu telemóvel.

— Uau! Parece que alguém se perdeu a caminho do bingo noturno. Olha só para este penteado. É horrível — murmurou Mikhail à sua colega Ksenia.

— Ouve, avó, deixa-me ajudar-te um pouco, está bem? — disse ele.

— Isso não é justo, Mikhail. Ela é uma cliente e merece o mesmo atendimento que todos os outros — respondeu Ksenia, dirigindo-se para o armazém. — Por favor, ajuda-a. Eu vou buscar mais mercadoria.

Mikhail revirou os olhos, ignorou Ksenia e continuou a escrever mensagens. Betty aproximou-se de Mikhail, na esperança de chamar a sua atenção, mas ele não lhe prestou qualquer atenção.

— Desculpe, jovem, poderia ajudar-me? — perguntou Betty com um sorriso caloroso.

— O que precisa? — respondeu Mikhail de forma rude, sem tirar os olhos do telemóvel.

— Não há necessidade de ser tão rude. Preciso de ajuda para escolher um vestido de noiva. Vou casar-me este verão… — começou Betty, mas foi interrompida por Mikhail, irritado.

— Ouve, avó, deixa-me ajudar-te a simplificar um pouco a tarefa. Olhando para a tua roupa, vejo logo que não tens dinheiro para comprar nada aqui. A alguns quarteirões daqui há uma loja de vestidos em segunda mão, acho que lá te vão poder ajudar — disse Mikhail.

— Uau. E consegues dizer tudo isso só de olhar para mim? — perguntou a Betty, desapontada.

— Não leves a peito, querida. Estou a fazer um favor a ambos. Assim, poupamos tempo, sem o desperdiçar — disse o Mikhail, sem sequer olhar para a Betty.

— Hum. Está bem. Só vou dizer que, se não me vais respeitar como cliente, pelo menos respeita-me como mulher idosa — disse Betty.

— Sim, como quiseres — respondeu Mikhail sem qualquer interesse, sem tirar os olhos do ecrã do telemóvel.

Nesse momento, entrou na loja outra cliente, que se encaixava melhor na descrição daquilo a que Mikhail costumava chamar de «cliente típico». Ela estava vestida com estilo, com as unhas feitas e o porte de uma dona de casa abastada. Era muito mais jovem e mais radiante do que a Betty.

Mikhail levantou-se imediatamente para a ajudar, com um enorme sorriso no rosto, e dirigiu-se a ela com entusiasmo.

— Olá! Oh, está linda, querida! Em que posso ajudar? — perguntou Mikhail.

Nesse momento, Ksenia voltou do armazém com uma caixa de produtos novos. Ao ver a cara descontente de Betty, Ksenia pousou imediatamente as caixas e aproximou-se dela.

— Bom dia, senhora! Já foi atendida? — perguntou Ksenia com um sorriso caloroso.

— Não, o seu colega decidiu que eu não merecia o tempo dele. Poderia ajudar-me? — disse Betty, olhando para Mikhail, que se ria com um novo cliente.

— Oh, não lhe dê atenção. Então, o que procura? — respondeu Ksenia.

— Estou à procura de um vestido de noiva. Vou casar-me este verão e quero fazer tudo em grande estilo — disse Betty com um sorriso.

— Parabéns! Um casamento de verão?! Vai ser maravilhoso. Acho que tenho exatamente o que precisa. Siga-me — disse Ksenia, convidando Betty a segui-la.

— Já ouviu falar sobre preconceitos, não é? — disse a Betty.

A Ksenia escolheu alguns vestidos para a Betty. A Betty ficou encantada com um dos vestidos mais caros. Enquanto isso, outra cliente experimentava vários vestidos, tirava fotos e depois passava para o seguinte.

— Desculpe, senhora. Já experimentou quase oito vestidos e tirou fotos com cada um deles. Qual é que vai levar? — perguntou Mikhail, tentando esconder a irritação.

— Sabe, acho que não vou comprar nada — disse a outra cliente, pegando no vestido seguinte.

— O quê!? Tencionava comprar alguma coisa? — indignou-se Mikhail.

— Ouve, entre nós, só precisava de algumas fotos para as redes sociais — disse a cliente, devolvendo o vestido.

— A sério? — perguntou Mikhail, surpreendido.

— Desculpa, rapaz! — disse ela, indo-se embora.

Mikhail virou-se e viu Ksenia na caixa, onde Betty estava a abrir uma mala com uma pilha de dinheiro. Betty comprou o vestido mais caro e deixou uma gorjeta de 5000 dólares a Ksenia. Mikhail estava completamente perplexo e tentava compreender o que tinha visto. Ele aproximou-se delas, mal conseguindo encontrar as palavras certas.

— Hum… É uma gorjeta bastante generosa, senhora — murmurou ele nervosamente, limpando a garganta.

— Senhora? Há pouco tempo atrás eu era avó — respondeu Betty, sem prestar atenção ao seu embaraço.

— Oh, não! Foi apenas uma brincadeira de amigos. Eu… Se eu soubesse que… — começou Mikhail, tentando explicar-se, mas Betty interrompeu-o.

— Se soubesses o quê? Que não preciso de comprar nada numa loja de artigos em segunda mão? Já ouviste falar sobre preconceitos, não é? — disse Betty friamente. Mikhail não conseguiu esconder o seu embaraço.

Betty dirigiu-se a Ksenia com um largo sorriso:

— Obrigada, Ksenia. Foste uma ajudante fantástica. Vemo-nos no casamento, certo?

— Claro, Betty. Foi um prazer ajudar. E obrigada pelo convite — disse Ksenia, quando Betty saiu da loja, deixando Mikhail atordoado.

— Eu… Eu… Eu não entendo — disse Mikhail, tentando perceber o que acabara de acontecer.

Ksenia não conseguiu conter o riso perante o preconceito do seu colega. Explicou-lhe que a Betty era enfermeira e ia casar com um viúvo milionário. Ele deu entrada no hospital onde ela trabalhava com uma perna partida e a roupa rasgada.

A Betty nem sabia que ele era rico. Apaixonaram-se um pelo outro durante a recuperação dele e, quando ele sarou, a Betty descobriu que ele era um empresário de sucesso.

Mikhail ficou completamente chocado e irritado com o seu preconceito. Ksenia aconselhou-o a encarar isto como uma lição para o futuro, para quando quisesse tirar conclusões sobre as pessoas com base na sua aparência. No verão, ela celebrou o casamento de Betty, da sua família e dos seus amigos. Foi um verdadeiro baile.

O que podemos aprender com esta história?

Não julgue um livro pela capa. O preconceito de Mikhail em relação a Betty devido à sua aparência levou-o ao seu próprio fracasso. Tudo poderia ter sido diferente se ele não a tivesse julgado tão severamente.

Trate as pessoas da mesma forma, independentemente da sua aparência. Se o Mikhail tivesse tratado a

Betty como qualquer outro cliente, teria recebido um bom chá e um convite para o casamento.