— Marina, acho melhor você não pegar esse prato. Tem salada com maionese. Isso não faz bem para você, lembra? — comentou Artur sem sequer tirar os olhos da carne que assava na grelha. Logo em seguida, soltou uma risada, satisfeito com a própria piada.
Ao redor da mesa estavam doze pessoas. Era uma tarde quente de verão na varanda da nossa casa. O churrasco, que eu mesma havia temperado logo cedo e preparado com todo cuidado, exalava um aroma irresistível. A marinada seguia uma receita que levei quase três anos aperfeiçoando. E a salada, vale lembrar, também tinha sido feita por mim.
Durante sete anos a história se repetiu exatamente da mesma forma. Desde o primeiro dia em que o Costa o levou para me conhecer. Artur me analisou da cabeça aos pés, assobiou e disparou:
— Então, Costinha… vejo que você gosta de mulheres bem avantajadas.
Naquele momento sorri, convencida de que era apenas uma brincadeira de mau gosto.
Como eu estava enganada.
Eu e Costa nos casamos há oito anos. Eu tinha quarenta anos; ele, trinta e oito. Ambos já havíamos passado por um casamento anterior. Costa trabalhava como engenheiro em um escritório de projetos. Eu, por outro lado, já administrava a segunda unidade da minha confeitaria, Doce Encanto. Era uma rede criada por mim, construída do zero, sem empréstimos bancários e sem depender da ajuda de ninguém. Durante três anos reinvesti absolutamente todo o lucro no crescimento do negócio. Quando oficializamos nossa união, existiam apenas duas lojas. Hoje, a rede já conta com cinco.
Artur era amigo de Costa desde os tempos de escola. Cresceram juntos, serviram no exército lado a lado e, todos os anos, no outono, mantinham a tradição de viajar para pescar. Para meu marido, Artur era praticamente um irmão. Eu compreendia perfeitamente a importância dessa amizade. Talvez tenha sido exatamente por isso que suportei tantas situações durante tanto tempo.
Artur era dono de uma agência de publicidade chamada Brisa Media. Desenvolviam identidades visuais, embalagens, campanhas promocionais e administravam redes sociais para empresas. O negócio parecia prosperar. Mas havia um detalhe que ele jamais imaginou.
Seis anos antes, eu precisava contratar uma empresa para realizar o rebranding completo da minha rede de confeitarias: nova identidade visual, embalagens, cardápios, fachadas e toda a comunicação da marca. Minha gerente, Vitória, apresentou três propostas. Entre elas estava justamente a Brisa Media. Eles ofereciam o melhor prazo e o orçamento mais competitivo. Fechamos contrato utilizando a razão social da empresa — Confeitaria Plus Ltda. Toda a comunicação ficou sob responsabilidade da Vitória.
Assim, durante seis anos, Artur trabalhou para a minha empresa sem nunca descobrir que a cliente responsável pelos pagamentos era justamente a esposa de seu melhor amigo.
Todos os anos, meu orçamento reservado para a agência dele chegava a quatro milhões e oitocentos mil rublos. Era esse o valor destinado ao desenvolvimento de novos cardápios, campanhas sazonais, identidade das novas unidades e gestão das redes sociais.
Todos os meses, sem exceção, quatrocentos mil rublos eram transferidos para sua empresa rigorosamente em dia.
Costa sabia de toda a situação. Fui eu quem pediu que jamais revelasse a verdade a Artur. Não queria misturar amizade com negócios. Meu marido respeitou minha decisão e permaneceu em silêncio.
Enquanto isso, Artur seguia distribuindo piadas e comentários ofensivos como se fossem algo completamente normal.
Naquela noite, depois de colocar sobre a mesa a última travessa — legumes assados saídos do forno — sentei-me ao lado de Costa. Artur já enchia as taças de vinho com um sorriso convencido no rosto. Sua esposa, Helena, estava sentada em frente a nós. Mantinha os olhos fixos no prato, exatamente como fazia todas as vezes em que o marido começava mais um de seus constrangedores espetáculos.
— Marina, até o verão você bem que poderia perder alguns quilinhos — comentou Artur enquanto entregava uma taça de vinho a um dos convidados. — Você ainda usa biquíni ou continua escondida atrás de uma saída de praia?
O silêncio caiu imediatamente sobre a mesa.
Alguém pigarreou, claramente desconfortável.
Costa pousou a mão sobre o meu joelho. O mesmo gesto de sempre. Era a maneira silenciosa de dizer: «Tenha paciência. Ele não faz por mal.»
Segurei minha taça, encarei Artur por alguns segundos e respondi com absoluta tranquilidade:
— Artur, por acaso você sabe que sua agência ainda não terminou de pagar o financiamento do escritório?
Não elevei a voz. Não havia ironia. Apenas constatei um fato.
Eu sabia daquilo porque, algum tempo antes, Vitória havia comentado casualmente que alguns layouts atrasaram justamente por causa de problemas financeiros relacionados ao aluguel do imóvel.
O sorriso dele vacilou por um breve instante.
Foi quase imperceptível.
Logo voltou a rir.
— E desde quando você sabe alguma coisa sobre o meu escritório? — perguntou, girando lentamente a taça entre os dedos. — O Costa abriu o jogo, foi? Grande parceiro você é, hein!
Costa permaneceu calado.
Terminei meu vinho.
Como se nada tivesse acontecido, Artur mudou de assunto. Futebol. Férias. Carros. Exatamente como sempre fazia.
Respirei fundo.
«Tudo bem… Já sobrevivi a isso tantas vezes. Sobrevivo de novo.»
Naquela noite, depois que todos foram embora, eu estava na cozinha lavando a pilha de louças.
Costa aproximou-se por trás, envolveu minha cintura com os braços e apoiou o rosto no meu ombro.
— Desculpa por ele… Você sabe como o Artur é.
Continuei esfregando um prato antes de responder.
— Justamente. Eu sei muito bem como ele é. Mas dizer que «ele é assim» não transforma falta de respeito em brincadeira.
Costa beijou minha nuca, suspirou e foi dormir.
Eu continuei parada diante da pia.
A água quente escorria pelas minhas mãos, mas eu já não conseguia sentir conforto algum.
Só cansaço.
Sete anos ouvindo exatamente as mesmas piadas.
Sete anos escutando exatamente as mesmas desculpas.
Sete anos vendo as mesmas pessoas abaixarem os olhos para evitar o constrangimento.
Cerca de um mês depois, Artur telefonou.
Era o aniversário dele.
Quarenta e dois anos.
Convidou-nos para a festa.
Mesmo depois de tudo, resolvi preparar um presente.
Talvez fosse ingenuidade.
Talvez apenas fizesse parte de quem eu era.
Sou confeiteira.
Passei quase seis horas preparando um bolo de três andares, coberto por ganache de chocolate, decorado com delicados fios de caramelo moldados à mão. Cada camada exigiu um preparo diferente: o merengue, o recheio, a cobertura e toda a decoração foram feitos separadamente.
No final, o bolo pesava quase quatro quilos.
Costa carregou a caixa até o carro com tanto cuidado que parecia transportar um bebê.
— Ficou maravilhoso — disse admirando o trabalho. — O Artur vai ficar impressionado.
E realmente ficou.
Só que não da maneira que imaginávamos.
O restaurante estava completamente reservado para a comemoração.
Havia cerca de vinte convidados.
Mesas compridas cobertas por toalhas brancas impecáveis.
Música ao vivo.
Helena usava um vestido novo e permanecia tão discreta quanto sempre.
Artur circulava pelo salão como se fosse o dono do mundo.
Bronzeado, sorriso perfeito, camisa que certamente custava uma pequena fortuna.
Abraçava os homens com entusiasmo, beijava a mão das mulheres, distribuía simpatia para todos.
Era extremamente carismático.
Desde que ninguém o conhecesse de verdade.
Coloquei a caixa sobre uma mesa auxiliar e retirei cuidadosamente a tampa.
O bolo parecia uma verdadeira obra de arte.
Os fios de caramelo refletiam a iluminação do salão de maneira elegante.
Várias pessoas se aproximaram imediatamente para fotografá-lo.
— Quem fez esse bolo? — perguntou uma senhora usando um vestido vinho.
— Eu mesma.
Ela arregalou os olhos.
— Você é confeiteira?
— Sou.
Nesse momento Artur aproximou-se.
Primeiro observou o bolo.
Depois voltou os olhos para mim.
Sorriu.
— Marina… Não tenho o que dizer. O bolo ficou espetacular. Mas talvez fosse melhor você parar de gastar tanto creme nos bolos e começar a gastar um pouco menos consigo mesma, não acha?
Ele caiu na gargalhada.
Em seguida virou-se para os convidados.
— A Marina realmente adora doces… Acho que isso dá para perceber só de olhar, não é?
E deu dois tapinhas no meu ombro.
Fiquei imóvel.
Ao meu lado estava um bolo que havia consumido seis horas do meu trabalho.
Na minha frente estavam cerca de vinte pessoas assistindo àquela cena.
Algumas desviaram o olhar.
Outras esboçaram sorrisos constrangidos.
Helena permaneceu encarando a própria taça.
Naquele instante aconteceu algo dentro de mim.
Não foi explosão.
Não foi raiva.
Foi como ouvir o clique de uma fechadura sendo trancada.
Olhei diretamente para Artur.
— Este bolo custa doze mil rublos. Foram seis horas de trabalho artesanal. Você acabou de humilhar a pessoa que trouxe um presente feito exclusivamente para você. Por isso… vou levá-lo de volta.
Fechei cuidadosamente a caixa.
O silêncio tornou-se tão pesado que era possível ouvir uma torneira pingando na cozinha.
— Você está falando sério? — perguntou Artur, completamente sem reação.
— Mais sério do que nunca.
Levantei a caixa.
Quatro quilos.
E, curiosamente, minhas mãos permaneciam firmes.
Virei-me e caminhei em direção à saída.
Costa me alcançou no estacionamento.
— Marina… espera.
— Vou esperar dentro do carro.
— Ele não quis dizer isso…
Interrompi antes que terminasse.
— Costa… ele «não quis dizer isso» durante sete anos. Em todas as reuniões. Na frente de todo mundo. Eu simplesmente não vou mais fingir que isso é normal. Vamos embora.
Entramos no carro e fomos para casa.
Na manhã seguinte levei o bolo para uma das minhas confeitarias.
Ele foi vendido em menos de uma hora.
Durante todo o trajeto, Costa permaneceu em silêncio.
Quando chegamos em casa, finalmente falou:
— O Artur ficou ofendido.
Olhei para ele e respondi calmamente:
— Eu também fiquei.
Naquela noite sentei sozinha na cozinha com uma xícara de chá nas mãos.
Lá fora tudo estava silencioso.
Pensei que doze mil rublos não representavam uma fortuna.
Seis horas de trabalho também não eram uma eternidade.
Mas havia algo que jamais poderia ser medido em dinheiro.
Vinte pessoas tinham testemunhado, pela primeira vez, alguém se recusar a aceitar uma humilhação em silêncio.
Talvez eu tivesse agido certo.
Talvez não.
Eu realmente não sabia.
Mas havia uma coisa da qual tinha absoluta certeza.
Minha postura permanecia ereta.
E isso já significava muito.
Duas semanas depois, Artur telefonou como se absolutamente nada tivesse acontecido.
Convidou-nos para uma festa na piscina.
Antes de desligar ainda fez outra piada:
— Só não apareçam com bolo desta vez!
Não existia a menor vontade de ir.
Disse isso a Costa.
Ele apenas concordou.
Alguns dias depois, porém, voltou ao assunto.
— Marina… o Sérgio e a Olívia também vão. O Dima confirmou presença. Faz tanto tempo que não nos encontramos… Não estou pedindo para você fazer as pazes com o Artur. Só quero que vá comigo. Por mim.
Por ele.
Durante oito anos quase tudo foi «por ele».
Cada aniversário.
Cada churrasco.
Cada encontro.
Cada festa sem sentido.
Uma vez até fiz as contas.
Em sete anos nos encontramos com Artur aproximadamente sessenta vezes.
Oito ou dez encontros por ano.
E não houve um único em que ele deixasse de fazer algum comentário sobre meu peso, minha aparência, minha comida ou minhas roupas.
Sessenta encontros.
Sessenta humilhações.
E, em todas elas, eu sorria, permanecia em silêncio ou simplesmente saía do ambiente.
Depois, invariavelmente, Costa repetia a mesma frase:
«Ele não faz por mal.»
No fim…
Eu aceitei ir.
A casa de Artur ficava em um condomínio afastado da cidade. Um terreno enorme, piscina, espaço gourmet com churrasqueira, jardim impecavelmente cuidado. Tudo transmitia a mesma mensagem: luxo, sucesso e ostentação. Ele adorava exibir cada detalhe daquilo que conquistara. Espreguiçadeiras brancas alinhadas ao redor da piscina, iluminação embutida na água, caixas de som espalhadas pelo quintal tocando música ambiente. Naquele dia havia dezoito convidados. Conhecia cerca da metade; os demais eram completos desconhecidos para mim.
Escolhi um maiô fechado e, por cima, uma túnica leve. Uso manequim cinquenta e dois. Sim, sou uma mulher grande. Nunca escondi isso de mim mesma. Todos os dias, ao acordar, vestir minhas roupas, dirigir até o trabalho, administrar cinco confeitarias e garantir o salário de trinta e duas pessoas, eu sei exatamente quem sou. Meu corpo pertence apenas a mim. Não era da conta de Artur fazer comentários sobre ele.
Durante a primeira hora, tudo transcorreu em paz.
Artur permanecia próximo da churrasqueira, conversando animadamente com alguns convidados novos.
Eu estava sentada em uma espreguiçadeira, tomando limonada e conversando com Olívia.
Gostava muito dela.
Assim como eu, era uma mulher de corpo avantajado. Também se tornava alvo das «brincadeiras» de Artur, embora com menos frequência, já que eles se encontravam apenas algumas vezes por ano.
Pouco depois, Artur aproximou-se segurando uma taça de bebida.
Exibia aquele sorriso convencido de sempre.
Bronzeado.
Em ótima forma física.
Confiante.
Parou ao meu lado.
— Marina, por que você não entra na piscina? A água está ótima.
— Prefiro ficar aqui.
Ele insistiu.
— Ah, deixa disso! Todo mundo já entrou. Ou está com medo de fazer a água transbordar?
Algumas pessoas riram discretamente.
Duas… talvez três.
O restante fingiu que não tinha ouvido nada.
Ignorei completamente o comentário.
Voltei a conversar com Olívia.
Imaginei que, como sempre, aquilo terminaria ali.
Ele faria mais uma piada desagradável.
Eu permaneceria em silêncio.
A festa acabaria.
Iríamos embora.
Mas, dessa vez, Artur não saiu dali.
Permaneceu parado exatamente atrás de mim.
Eu conseguia sentir sua sombra.
De repente, levantou a voz para que todos ouvissem:
— Sua gorda idiota! Entra logo nessa piscina!
Antes que eu pudesse reagir, senti um empurrão violento.
As duas mãos dele atingiram minhas costas.
Naquele instante eu havia acabado de me levantar da espreguiçadeira para me afastar e estava bem na borda da piscina.
O mundo desapareceu por um segundo.
A água envolveu meu corpo.
O impacto.
O cheiro forte de cloro invadindo meu nariz.
A túnica encharcada ficou pesada imediatamente, puxando-me para baixo.
Emergi rapidamente e me agarrei à borda.
Meus ouvidos zuniam.
Levantei a cabeça.
Artur continuava lá em cima.
Rindo.
Abrindo os braços como se fosse inocente.
— Ah, qual é! Foi só uma brincadeira!
Dezoito pessoas assistiam à cena.
Algumas riam.
Outras permaneciam imóveis, completamente caladas.
Costa corria desesperadamente em minha direção, saindo da churrasqueira.
Helena estava pálida, quase sem cor no rosto.
Saí da piscina sozinha.
Ninguém precisou me ajudar.
A túnica molhada grudava completamente no meu corpo.
Os cabelos escorriam sobre minha testa.
Meu celular, que estava no bolso, deixou de funcionar no mesmo instante.
O aparelho, que havia custado oitenta mil rublos, transformou-se em um pedaço inútil de plástico encharcado.
Peguei uma toalha sobre a espreguiçadeira ao lado.
Sequei calmamente o rosto.
Percebi algo curioso.
Minhas mãos permaneciam absolutamente firmes.
Nem mesmo eu esperava por isso.
Olhei diretamente para Artur.
— Você acabou de me empurrar na piscina sem a minha autorização. Meu telefone foi destruído. Ele custa oitenta mil rublos. Espero receber esse valor até amanhã.
O sorriso dele desapareceu por um instante.
Apenas um instante.
Logo voltou a fingir que tudo era engraçado.
— Marina… você está exagerando. Foi só uma brincadeira. Compra outro celular.
Mantive exatamente o mesmo tom de voz.
— Aguardo a transferência até amanhã. Caso contrário, registrarei uma ocorrência policial. Isso não foi uma brincadeira, Artur. Foi uma agressão.
O silêncio caiu sobre o quintal.
Até a música pareceu diminuir de volume.
Costa já estava ao meu lado.
Também completamente molhado.
Ele havia pulado na piscina para me ajudar, mas eu já tinha conseguido sair sozinha.
— Vamos embora — disse ele.
Pela primeira vez em sete anos, não acrescentou a frase que eu conhecia de cor:
«Ele não fez por mal.»
Durante o trajeto de volta sentei sobre uma toalha para não molhar o banco do carro.
A água escorria da minha roupa.
Eu estava encharcada.
Furiosa.
E, ao mesmo tempo, estranhamente tranquila.
Era uma sensação difícil de explicar.
Minha raiva já não queimava.
Era fria.
Lúcida.
Clara como uma manhã de inverno.
Artur nunca enviou o dinheiro.
Nem no dia seguinte.
Nem três dias depois.
Nem uma semana mais tarde.
Em vez disso, mandou uma mensagem para Costa:
«Fala para a sua mulher parar de fazer drama. Foi só uma piada. Ela ainda devia agradecer por eu aguentar a presença dela nas nossas reuniões.»
Costa não respondeu.
Apenas mostrou a mensagem para mim.
Li cada palavra lentamente.
Naquele instante senti algo mudar definitivamente dentro de mim.
Não era como se algo tivesse se quebrado.
Era diferente.
Como uma engrenagem finalmente encontrando seu encaixe depois de anos girando fora do lugar.
Uma semana depois organizamos um jantar em nossa casa.
Em parte seria um encontro social.
Em parte, uma reunião de negócios.
Convidei dois empresários interessados em adquirir franquias da minha rede de confeitarias.
Costa chamou alguns colegas do escritório.
Foi então que Artur resolveu aparecer por iniciativa própria.
Telefonou para Costa dizendo:
— Ouvi dizer que vai ter reunião aí. Eu e a Helena também vamos passar.
Meu marido perguntou se aquilo me incomodava.
Olhei para ele por alguns segundos.
Depois respondi com toda a calma do mundo:
— Pode deixar que ele venha.
Doze pessoas ocupavam a longa mesa da nossa sala de jantar. A casa era a mesma de sempre, mas aquela noite tinha um peso completamente diferente. Passei dois dias inteiros preparando tudo. Não por causa de Artur. Na verdade, ele era a última pessoa em quem eu pensava. Entre os convidados estavam o senhor Tagirov e a senhora Belousova, proprietários de uma respeitada rede de cafeterias em Samara. Eles estudavam a possibilidade de adquirir uma franquia da Doce Encanto. Aquele jantar poderia definir o futuro da expansão da minha empresa. Era um encontro realmente importante.
Artur apareceu usando sua inseparável camisa de marca, trazendo uma garrafa de vinho que custava cerca de dois mil rublos e acompanhado de Helena. Abraçou Costa com entusiasmo, cumprimentou-me apenas com um leve aceno de cabeça e sentou-se à mesa.
Durante a primeira hora comportou-se de maneira surpreendentemente educada.
Contou histórias das férias na Turquia.
Fez algumas piadas.
Elogiou os pratos.
Por um instante, pensei que o episódio da piscina finalmente tivesse lhe ensinado alguma coisa.
Foi um engano.
Quando chegou a hora da sobremesa, servi pequenas tortinhas recheadas com creme de frutas vermelhas, todas feitas artesanalmente por mim naquela mesma manhã.
Artur recostou-se na cadeira, segurando uma taça de vinho tinto. Seu olhar denunciava que já havia bebido mais do que deveria.
Então falou alto o suficiente para que todos escutassem:
— Sabem de uma coisa? A Marina não é boa apenas para fazer sobremesas maravilhosas… Ela também sabe comer como ninguém.
Virou-se para Tagirov e continuou:
— Costa, conta pra eles. Quantos pratos ela consegue devorar de uma vez?
Tagirov arqueou discretamente as sobrancelhas.
Belousova pousou o garfo sobre o prato.
Eu permanecia sentada na outra extremidade da mesa.
À minha frente estava uma das tortinhas.
Creme de frutas vermelhas.
Preparado cuidadosamente por mim poucas horas antes.
Quatro horas de trabalho apenas naquela manhã.
Dois dias inteiros organizando aquele jantar.
Parceiros importantes.
Minha casa.
Minha mesa.
Minha comida.
E aquele homem…
Mais uma vez.
Dentro de mim tudo ficou absolutamente silencioso.
Não era raiva.
Era uma serenidade estranha.
A mesma tranquilidade que costuma surgir um segundo antes de uma decisão definitiva.
Levantei-me sem pressa.
Peguei meu celular.
Um aparelho novo.
Comprado com meu próprio dinheiro para substituir o que Artur destruíra ao me empurrar na piscina.
Oitenta mil rublos pagos exclusivamente por mim, porque ele jamais cumpriu a promessa de ressarcir o prejuízo.
Disquei um número.
— Vitória?
Todos na sala voltaram imediatamente a atenção para mim.
— Sou eu, Marina. Sei que já está tarde, mas preciso que amanhã cedo você providencie o cancelamento de todos os contratos que ainda mantemos com a Brisa Media. Todos. Identidade visual, campanhas promocionais, redes sociais, material gráfico… absolutamente tudo. Coloque como justificativa problemas graves de relacionamento profissional e quebra de confiança. Sim… envolvendo as cinco unidades. Tenho certeza da decisão. Encontraremos outra agência em poucos dias. Obrigada.
Desliguei.
Coloquei o telefone calmamente sobre a mesa.
Então olhei para Artur.
Ele ainda não havia entendido.
Observava-me como alguém tentando compreender um idioma completamente desconhecido.
— Marina… o que foi isso? — perguntou, confuso.
Respirei fundo.
— Artur… a empresa Confeitaria Plus pertence a mim. A rede Doce Encanto também. Cinco confeitarias. Trinta e duas pessoas trabalhando comigo. Durante seis anos sua agência recebeu contratos da minha empresa. Quatro milhões e oitocentos mil rublos por ano. Fiz as contas recentemente. Isso representa quase metade do faturamento da sua agência.
Foi impressionante observar seu rosto mudar diante dos meus olhos.
Primeiro veio a incredulidade.
Depois o cálculo desesperado.
Em seguida a compreensão.
Por fim…
O medo.
Ele pousou a taça tão rapidamente que parte do vinho escorreu sobre a toalha branca.
— Espera… Você está dizendo que a Confeitaria Plus é sua empresa? E a Vitória trabalha para você?
Assenti lentamente.
— Exatamente. Durante seis anos você desenvolveu campanhas publicitárias para a minha rede sem fazer ideia de quem pagava suas faturas. E, durante sete anos, aproveitou cada encontro para me humilhar. Fez piadas sobre meu corpo, estragou meu celular ao me empurrar na piscina e agora resolveu me desrespeitar diante de pessoas que vieram negociar comigo dentro da minha própria casa.
Tagirov permanecia completamente imóvel.
Belousova encarava Artur com uma expressão que eu conhecia muito bem.
Era o mesmo olhar reservado para um inseto encontrado inesperadamente dentro do prato.
— Marina… espera… — Artur levantou-se tão depressa que a cadeira deslizou para trás. Pela primeira vez desde que o conhecia, percebi suas mãos tremendo. — Não mistura trabalho com assuntos pessoais. Isso é negócio. Eu sou amigo do Costa. Eu realmente não fazia ideia de que aquela empresa era sua.
Olhei diretamente para ele.
— Você pode até não saber quem era a proprietária da empresa. Mas sempre soube que eu era um ser humano. Mesmo assim escolheu me tratar como se eu não merecesse respeito.
Helena permaneceu sentada.
Cabeça baixa.
Em silêncio.
Como fazia em todas as outras ocasiões.
Voltei meu olhar para Costa.
Ele apenas me observava.
Sem interromper.
Sem pedir calma.
Sem repetir aquela velha frase que durante anos justificou tudo.
Pela primeira vez em nosso casamento, ele simplesmente me deixou terminar.
Artur deu um passo na minha direção.
Sua voz já não carregava arrogância.
Havia apenas desespero.
— Marina… podemos conversar? Em outro lugar… só nós dois. Eu…
Balancei a cabeça negativamente.
— Não. Durante sete anos você fez questão de me humilhar diante de outras pessoas. Hoje minha resposta também será dada diante de todos. Os contratos foram encerrados. Essa decisão é definitiva.
Sentei-me novamente.
Peguei uma das tortinhas.
Dei uma mordida.
O creme estava perfeito.
A doçura da baunilha.
A leve acidez das frutas vermelhas.
O equilíbrio exato que eu buscava.
Sorri discretamente.
Sentia orgulho do meu trabalho.
Artur permaneceu parado no centro da minha sala, ao lado da toalha manchada pelo vinho derramado.
Nunca o tinha visto com uma expressão tão vazia.
Alguns segundos depois, virou-se sem dizer mais nada.
Saiu.
Helena levantou-se imediatamente e caminhou atrás dele.
Pouco depois, ouvimos a porta de entrada bater.
O silêncio voltou a dominar a mesa.
Terminei meu copo de água.
Tagirov limpou a garganta antes de falar.
— Senhora Marina… preciso dizer que sua proposta de franquia nos parece ainda mais interessante agora.
Sorri.
Desta vez, um sorriso verdadeiro.
O primeiro daquela noite.
Horas mais tarde, quando todos os convidados já haviam ido embora, eu e Costa recolhíamos os pratos da mesa.
Ele permaneceu calado por bastante tempo.
Por fim comentou, quase suspirando:
— Você sabe que, a partir de amanhã, o Artur vai me ligar todos os dias.
Continuei empilhando a louça antes de responder tranquilamente:
— Sei disso.
E, pela primeira vez em muitos anos…
Aquilo já não me preocupava nem um pouco.
— E o que exatamente eu devo dizer para ele? — perguntou Costa.
Olhei para ele por alguns segundos antes de responder.
— A verdade. Que ele entrou na minha casa e desrespeitou a dona da casa diante de todos.
Costa colocou um prato dentro da pia e permaneceu imóvel.
Depois ergueu os olhos para mim.
— Eu deveria ter colocado um limite nisso há muito tempo.
Não respondi.
Porque era verdade.
Ele realmente deveria.
Durante anos teve inúmeras oportunidades para impedir tudo aquilo.
E nunca fez.
Essa omissão também fazia parte da nossa história.
Dois meses se passaram.
Com o cancelamento dos contratos da Doce Encanto, Artur perdeu uma receita anual de quatro milhões e oitocentos mil rublos.
Era uma quantia grande demais para ser ignorada.
A empresa começou a sentir o impacto quase imediatamente.
Primeiro vieram as demissões.
Três funcionários precisaram ser dispensados.
Pouco tempo depois, a agência deixou o escritório amplo que ocupava e mudou para um espaço bem menor.
Soube de tudo por meio de Costa.
Apesar de tudo o que havia acontecido, ele continuava encontrando Artur a cada quinze dias.
Segundo comentavam, Artur agora repetia para qualquer pessoa disposta a ouvi-lo que eu era uma mulher rancorosa.
Dizia que aproveitei a oportunidade para me vingar.
Que misturei negócios com problemas pessoais.
Que empresários sérios jamais agiriam daquela forma.
Talvez.
Ou talvez empresários realmente profissionais simplesmente não empurrem uma cliente dentro de uma piscina depois de humilhá-la durante anos.
Pouco tempo depois encontrei outra agência de publicidade.
O trabalho deles era excelente.
A qualidade não deixava nada a desejar.
Havia apenas uma diferença curiosa.
Todos tratavam seus clientes com educação.
Parece incrível, mas descobri que é perfeitamente possível produzir boas campanhas de marketing sem ridicularizar quem paga pelo serviço.
Costa ainda visita Artur de vez em quando.
Nunca tentei impedir.
A amizade entre eles pertence aos dois.
Não a mim.
Mas existe uma mudança definitiva.
Artur nunca mais voltou a se sentar à nossa mesa.
E isso trouxe uma paz que eu já nem lembrava ser possível.
Pela primeira vez em sete anos, consegui receber pessoas na minha própria casa sem esperar, a qualquer instante, mais uma humilhação disfarçada de piada.
Ainda assim, existe uma pergunta que às vezes continua surgindo na minha cabeça.
Será que fui longe demais ao cancelar os contratos diante dos parceiros comerciais dele?
Ou aquele desfecho era apenas a consequência inevitável de tudo o que ele construiu durante anos?
Sessenta encontros.
Sessenta ocasiões para escolher o respeito.
Sessenta oportunidades desperdiçadas.
As piadas sobre meu corpo.
Os insultos.
O «sua gorda idiota».
O empurrão na piscina.
O celular destruído.
As ofensas repetidas dentro da minha própria casa.
Talvez a decisão daquela noite não tenha sido tomada em poucos minutos.
Talvez ela estivesse sendo construída lentamente durante sete anos inteiros.
E você…
No meu lugar, teria feito diferente?
