Fingi concordar.
— Tem mais uma coisa, Jenna. Acho que não faz sentido adiar nosso casamento. Depois da morte da minha mãe, percebi como a vida pode mudar de um segundo para o outro. Não quero perder mais tempo. Vamos nos casar.
Ela arregalou os olhos.
— Está falando sério, James?
Sorri.
— Nunca falei tão sério.
Ela praticamente pulou em cima de mim.
— Meu Deus! Sim! Claro que sim! Podemos fazer já neste fim de semana. Uma cerimônia simples, só para nós.
Balancei a cabeça.
— Não. Quero exatamente o contrário. Vamos fazer uma festa grande. Quero todos lá. Sua família, os antigos amigos da minha mãe, nossos vizinhos, colegas de trabalho… todo mundo. Quero celebrar um novo começo.
O sorriso dela ficou ainda maior.
Grande demais.
Na manhã seguinte, antes mesmo de tomar café ou escovar os dentes, Jenna já ligava para floristas, decoradores e buffets.
Reservou um elegante salão de festas.
Contratou fotógrafo.
Escolheu flores.
E publicou nas redes sociais:
«Nosso para sempre começa agora. James e Jenna. Unidos para sempre.»
Enquanto ela organizava o casamento dos sonhos…
Eu fazia ligações muito diferentes.
Também fiz uma promessa silenciosa às minhas irmãs.
Jamais permitiria que alguém as afastasse de mim.
O salão estava exatamente como Jenna sempre sonhou.
Toalhas brancas impecáveis.
Centenas de velas suspensas.
Arranjos florais sofisticados.
Tudo parecia saído de uma revista de casamentos.
Ela caminhava entre os convidados usando um vestido de renda, irradiando felicidade.
Cumprimentava parentes.
Abraçava amigos.
Parou diante de Lily para ajeitar o laço do vestido.
Depois sorriu para Maya enquanto colocava uma mecha de cabelo atrás de sua orelha.
— Vocês duas estão lindas — disse com uma ternura ensaiada.
Maya olhou discretamente para mim.
Apenas balancei a cabeça, mostrando que estava tudo sob controle.
Alguns minutos depois, Jenna pegou o microfone.
— Quero agradecer a todos por estarem aqui. Hoje celebramos o amor, a família e…
Dei um passo à frente.
— Se me permitem… acho que essa parte deve ser conduzida por mim.
Ela virou para mim ainda sorrindo.
Mas seu sorriso começou a desaparecer.
Peguei um pequeno controle remoto que estava no bolso do paletó.
— Hoje realmente estamos aqui para revelar quem cada um de nós é de verdade.
Apertei um botão.
O enorme telão atrás do altar se iluminou.
Segundos depois, a voz de Jenna ecoou por todo o salão.
— A casa? O dinheiro do seguro? Tudo isso deveria ser nosso! Só preciso convencer o James a colocar a casa no meu nome. Depois disso, pouco me importa o que aconteça com aquelas meninas. Vou transformar a vida delas num inferno até ele desistir. No final, ele vai acreditar que entregar as duas foi ideia dele.
O salão inteiro mergulhou num silêncio absoluto.
Logo vieram os murmúrios.
Olhares incrédulos.
Expressões de choque.
Sem dizer uma palavra, reproduzi outra gravação.
A voz dela voltou a preencher o ambiente.
— Pare de chorar, Maya. Você precisa crescer e parar de escrever essas histórias ridículas.
Em seguida ouviu-se a voz frágil de Maya.
— Mas nós não queremos ir embora… O James é o melhor irmão do mundo…
Jenna ficou completamente branca.
— Não! Isso… isso não aconteceu assim! James, você tirou tudo de contexto!
Olhei diretamente para ela.
— Não tirei nada de contexto.
Minha voz permaneceu calma.
— Eu ouvi cada palavra.
Ela começou a tremer.
— Você não pode fazer isso comigo!
Respirei fundo antes de responder.
— Não fui eu quem fez isso. Foi você.
Nesse instante, dois seguranças contratados para o evento aproximaram-se discretamente.
Ela começou a gritar.
— James! Você está destruindo a minha vida!
Olhei para Lily e Maya antes de responder.
— Não. Eu apenas impedi que você destruísse a delas.
Os seguranças a acompanharam para fora do salão enquanto todos observavam em completo silêncio.
O casamento nunca aconteceu.
Uma semana depois, a adoção foi oficialmente concluída.
Quando saímos do fórum, Maya enxugava discretamente as lágrimas.
Lily segurou sua mão e sorriu.
— Agora ninguém nunca mais vai separar a gente.
Naquela noite fizemos espaguete, exatamente como nossa mãe costumava preparar.
Enquanto colocávamos a mesa, Maya perguntou baixinho:
— Podemos acender uma vela para a mamãe?
Sorri.
— Claro que podemos.
Acendemos a pequena chama.
Ficamos alguns instantes em silêncio.
Lily então me abraçou com força.
— A gente sempre soube que você escolheria nós duas.
Minha garganta travou.
Nenhuma palavra conseguiu sair.
As lágrimas vieram antes.
As duas me abraçaram ao mesmo tempo.
Naquele instante compreendi que não havia perdido minha família.
Eu a havia salvado.
Estávamos finalmente seguros.
Éramos uma verdadeira família.
E, pela primeira vez desde a morte da nossa mãe…
Aquela casa voltou a ser um lar.
