TODAS AS NOITES, O MEU FILHO TOMAVA BANHO ÀS 3 DA MANHÃ, E EU DIZIA A MIM MESMA QUE ERA O STRESS — ATÉ QUE A CURIOSIDADE ME LEVOU A ESPREITAR PELA PORTA DA CASA DE BANHO E VI ALGO TÃO ASSUSTADOR, TÃO FAMILIAR E TÃO MALÉFICO QUE SAÍ DA CASA DELE PARA UMA COMUNIDADE DE REFORMADOS AINDA ANTES DO NASCER DO SOL… MAS NÃO CONSEGUI DEIXÁ-LA PARA TRÁS
Tenho 65 anos. Depois de me aposentar, decidi deixar a pequena cidade onde vivi durante toda a minha vida para morar com meu filho na capital. Todas as noites, exatamente às três da manhã, ele entrava no banheiro para tomar banho. No começo, tentei convencer a mim mesma de que aquilo era apenas um hábito estranho causado pelo estresse do trabalho. Mas certa noite, movida pela curiosidade, resolvi espiar discretamente pela porta entreaberta. O que vi ali dentro me deixou tão aterrorizada que, já na manhã seguinte, fiz as malas e me mudei para uma casa de repouso.

Olá a todos e sejam bem-vindos ao canal Solar Stories. Meu nome é Eleanor, tenho 65 anos e recentemente me aposentei após décadas trabalhando como professora em uma escola secundária. Resolvi ir para a cidade morar com meu filho, acreditando que finalmente teria uma velhice tranquila ao lado da família. No entanto, algo começou a acontecer todas as noites exatamente às três horas da manhã. Meu filho levantava em silêncio e seguia direto para o banheiro. Durante semanas, ignorei aquilo, até que a curiosidade falou mais alto. Quando finalmente decidi olhar o que acontecia ali dentro, testemunhei uma cena tão assustadora que abandonei aquela casa no dia seguinte e procurei abrigo em uma comunidade para idosos.
Na pequena cidade onde passei praticamente toda a minha existência, o vento frio do fim do outono atravessava as paredes da velha casa de madeira, carregando consigo o anúncio silencioso do inverno. Aquela residência antiga, construída em estilo artesanal, guardava quase toda a minha história. Ali vivi minha juventude como professora cheia de sonhos, ali me tornei esposa, depois viúva, e agora apenas uma mulher envelhecida pelo tempo, com os cabelos marcados pelos anos e pelas dificuldades.
Sobre a lareira permanecia a fotografia do meu falecido marido, ainda com aquele olhar severo e imponente. Sempre que meus olhos pousavam naquele retrato, sentimentos contraditórios despertavam dentro de mim. Havia tristeza, sim, mas também um estranho alívio. As pessoas costumam dizer que devemos respeitar os mortos, mas ninguém conhece as cicatrizes invisíveis que ele deixou em minha alma. Meu marido era um homem agressivo, autoritário e cruel. Tanto eu quanto nosso filho éramos tratados como se fôssemos propriedade dele.
Jamais esquecerei o dia em que ele recebeu o diagnóstico de câncer terminal. Foi exatamente na mesma semana em que nosso filho, Julian, recebeu sua carta de aceitação em uma grande universidade estadual. Engoli anos de mágoa e sofrimento para cuidar daquele homem até o último suspiro. Não fiz isso por amor, mas porque queria garantir que Julian pudesse continuar os estudos sem carregar aquele peso.
Quando meu marido morreu, nenhuma lágrima caiu do meu rosto. Pela primeira vez em muitos anos, senti como se uma corrente pesada tivesse sido arrancada dos meus ombros. Desde então, restávamos apenas eu e meu filho.
Dediquei cada pedaço da minha energia para criá-lo. Além das aulas na escola, fazia trabalhos extras para pagar seus estudos e oferecer oportunidades melhores. Julian sempre foi inteligente, decidido e extremamente ambicioso. Mas também possuía um temperamento explosivo, algo que me lembrava demais o pai. Sempre que ele levantava a voz ou demonstrava irritação, um medo silencioso crescia dentro de mim.
Mesmo assim, tentei educá-lo com carinho, acreditando que o amor de uma mãe poderia suavizar suas arestas. E, de certa forma, consegui. Julian se formou com honras e rapidamente conquistou um excelente emprego em uma grande cidade. Poucos anos depois, tornou-se gerente regional de uma corporação renomada.
Ele se casou com Clara, uma jovem gentil, educada e extremamente delicada. Quando os vi juntos, imaginei que finalmente poderia descansar. Sonhava com uma aposentadoria simples: cuidar do jardim pela manhã, cultivar tomates no quintal e conversar com minhas amigas ao entardecer.
Mas a vida raramente segue os planos que fazemos.
Naquele dia, eu estava no quintal cuidando das plantas quando o telefone tocou. Era Julian.
— Oi, mãe. O que está fazendo?
Mesmo em uma simples saudação, sua voz carregava uma autoridade quase intimidadora. Limpei as mãos sujas de terra no avental e respondi com um sorriso discreto.
— Estou olhando meus tomates. Acho que logo estarão prontos para colher. Está tudo bem, meu filho?
— Mãe, Clara e eu conversamos. Quero que comece a arrumar suas coisas. Neste fim de semana vou buscá-la para morar conosco na cidade.
Meu coração apertou imediatamente. A ideia de abandonar aquela vida tranquila me assustava profundamente.
