— Sirvam-se à vontade das batatas, queridos convidados, já que vieram de mãos vazias! — anunciou a anfitriã na casa de campo, decidida a finalmente lhes dar uma lição.

E foi assim que tudo terminou. É exatamente dessa maneira que as conversas entre adultos chegam ao fim quando o mais importante já foi dito, ouvido e, finalmente, compreendido.

Os convidados foram embora por volta das seis da tarde. Na despedida, Robert apertou a mão do irmão com mais firmeza do que de costume. Monika deu vários beijos em Anna e disse que queria muito conseguir a receita dos bolinhos de batata.

Quando o carro desapareceu atrás da curva, Piotr continuou olhando naquela direção por mais alguns instantes. Só depois se virou para a esposa.

— Você correu um risco e tanto.

— Que risco?

— Ele poderia ter ficado ofendido. Poderia ter feito um escândalo.

Anna começou a recolher os pratos.

— Se o seu irmão fosse o tipo de pessoa que se ofende com a verdade, então nem deveria vir aqui.

— E se ele continuasse sem entender nada?

— Nesse caso, eu teria dito tudo diretamente a ele. Mas sabia que Robert era capaz de compreender. — Ela colocou a louça sobre uma bandeja e olhou para o marido. — Você também é capaz.

Piotr pegou a bandeja das mãos dela.

— Eu lavo a louça.

— Ótimo.

Os dois arrumaram a mesa juntos, sem acrescentar mais nada. Depois, Piotr acendeu uma pequena fogueira e, até o anoitecer, ficaram sentados ao lado dela, apenas os dois, exatamente como Anna havia imaginado que seriam os primeiros meses naquele terreno. Atrás deles, as macieiras sussurravam ao vento e, em algum lugar mais adiante, do outro lado da cerca do terreno vizinho, um pica-pau batia o bico contra uma árvore. Finalmente, aquele lugar havia se transformado naquilo que deveria ter sido desde o princípio: um refúgio tranquilo, só deles, livre das expectativas alheias e daquela agitação interminável.

Piotr jogou um galho seco na fogueira e ficou observando por alguns instantes enquanto as chamas envolviam a madeira.

— Sabe — começou ele finalmente —, passei todo esse tempo com medo de que Robert pensasse que estávamos ficando metidos. Que compramos um terreno e agora queremos bancar os importantes.

— E estamos bancando os importantes?

— Não. — Piotr esboçou um sorriso. — Hoje acho que finalmente entendi por que isso me preocupava tanto. Eu pensava que, se convidássemos alguém, teríamos obrigatoriamente de receber as pessoas como se estivéssemos organizando uma grande festa de família. Mas não é assim que as coisas funcionam.

— É claro que não.

— Como você sabia disso?

Anna refletiu por alguns instantes antes de responder.

— Aprendi com a minha avó. Ela sempre dizia que um convidado deveria trazer alegria para dentro de uma casa, e não se transformar em uma obrigação. Quer vir? Então venha. Quer uma mesa farta? Ajude a prepará-la. Quer apenas conversar? Sente-se e converse. Mas, quando uma pessoa passa o tempo todo cozinhando e pagando por tudo, enquanto a outra só aparece para comer, isso deixa de ser hospitalidade. Começa a parecer um restaurante gratuito.

O fogo estalava baixinho. Anna esticou as pernas em direção ao calor.

— Eu realmente não estava com raiva de Robert — acrescentou depois de um momento. — Só queria que ele finalmente enxergasse a situação como ela realmente era.

— Agora ele já entendeu.

— Eu sei.

Uma semana depois, Robert foi o primeiro a telefonar.

— No sábado vamos aparecer aí novamente — anunciou. — A carne fica por nossa conta. Monika também vai preparar alguma coisa.

— Combinado — respondeu Piotr, olhando para Anna.

Ela fez um gesto de aprovação com a cabeça.

Depois, voltou a cuidar das macieiras. Já fazia algum tempo que elas precisavam ser podadas e, finalmente, os dois tinham tempo para isso.