Por que é que os Óscares de 1975 continuam a suscitar controvérsias e emoções até hoje?

Quando vejo fotografias antigas da cerimónia de entrega dos Óscares, especialmente das da década de 1970, sinto um arrepio nostálgico a percorrer-me a espinha.

Há algo de quase fantasmagórico nessas imagens — elas evocam memórias de outra época, de outra América, quando a cerimónia dos Óscares valia realmente a pena ser vista. Naquela época, as nossas celebridades irradiavam classe, glamour, beleza e elegância.

É impressionante ver tantas estrelas incríveis que já não estão entre nós, e isso lembra-nos de como a vida é efémera. Antigamente, conhecia todos os nomeados, todos os filmes e todas as canções. Agora, mal consigo acompanhá-los.

Alguém disse uma vez que a cerimónia de 1975 foi «aquela época em que os atores e as atrizes tinham classe e não havia agenda política», e embora isso possa não ser totalmente verdade, sentimos, sem dúvida, que perdemos algo importante.

Por isso, vamos voltar à 47.ª cerimónia dos Óscares e concentrar-nos numa fotografia específica que tem suscitado acalorados debates nos últimos tempos. O que há nesta imagem que faz com que as pessoas falem tanto dela?

«Feio» e «grotesco»
É difícil falar dos Óscares de 1975 sem mencionar Dustin Hoffman. O lendário ator, que tem agora 87 anos, dominou sem dúvida as conversas que antecederam a cerimónia — embora, talvez, não da forma que muitos esperavam.

Hoffman estava nomeado para o prémio pela sua interpretação impressionante no filme «Lenny», um filme biográfico sobre o comediante Lenny Bruce, mas não estava entusiasmado com a ideia de comparecer à cerimónia. Conhecido pelas suas críticas francas à Academia, ele descreveu o evento como espalhafatoso e vergonhoso, chegando mesmo a chamá-lo de «feio» e «grotesco», comparando-o a um concurso de beleza.

Estas palavras levaram o apresentador Bob Hope a dizer: «Se hoje o Dustin Hoffman ganhar, vai ser o seu amigo — George C. Scott — a levá-lo», referindo-se à recusa do próprio Scott em aceitar o seu «Óscar» em 1971.

Embora Hoffman não tenha recebido, naquela noite, o prémio de Melhor Ator, isso não impediu Frank Sinatra, um dos apresentadores da cerimónia, de brincar com ele. Sinatra, conhecido pela sua carisma, fez uma piada injustificada que não teve boa aceitação junto do público.

Sinatra confundiu-se nas suas falas
Parece que Sinatra teve uma noite complicada na 47.ª cerimónia de entrega dos Óscares.

As críticas de 1975 não foram muito favoráveis. O famoso crítico de cinema Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, relatou que o público chegou mesmo a vaiar Sinatra durante o espetáculo.

Ele parecia ligeiramente embriagado e confundia-se nas suas falas, tendo feito «algumas observações mordazes e de mau gosto dirigidas aos seus compatriotas — os ítalo-americanos».

«Foi um espetáculo vergonhoso», escreveu Ebert.

Mas naquela noite estavam destinadas a acontecer coisas ainda mais controversas.

O discurso que enfureceu Bob Hope
Se se argumentar que, no passado, as cerimónias de entrega de prémios eram supostamente menos politizadas, há uma história da cerimónia dos Óscares de 1975 que refuta categoricamente essa opinião. Em abril daquele ano, a guerra do Vietname estava prestes a terminar, e isso, sem dúvida, fez-se sentir ao longo de toda a noite.

Quando o realizador de documentários Bert Schneider subiu ao palco para receber o prémio de melhor documentário por «Corações e Mentes», não pôde deixar de chamar a atenção para o Vietname. Observou: «A ironia do destino é que estamos aqui reunidos num momento em que o Vietname está prestes a ser libertado». Isso não foi particularmente surpreendente, tendo em conta que o seu documentário crítico era dedicado à Guerra do Vietname.

No entanto, a situação agravou-se quando Schneider leu um telegrama com uma «Saudação de amizade a todo o povo americano» da embaixadora do Vietcongue, Dinh Ba Thi.

O telegrama expressava gratidão ao movimento antigerra «por tudo o que fizeram em nome da paz», e isso foi demais para o apresentador dos Óscares, Bob Hope, que há muito era um falcão no que dizia respeito à guerra do Vietname.

A resposta
Não querendo desistir, uma hora depois, Hope escreveu um telegrama que Frank Sinatra leu perante uma audiência dividida: «A Academia afirma: “Não nos responsabilizamos por quaisquer referências políticas no programa e lamentamos que estas tenham ocorrido esta noite”».

Este discurso enfureceu Shirley MacLaine, uma das coapresentadoras, bem como o ator Warren Beatty. Beatty respondeu sarcasticamente: «Obrigado, Frank, seu velho republicano». MacLaine acrescentou o seu próprio comentário mordaz, dizendo: «Disse que falava em nome da Academia. Pois bem, eu sou membro da Academia e não me perguntou nada!».

Olhando para trás, algumas pessoas consideram que os comentários de Bert Schneider foram relativamente moderados. Quem o conhecia salientou que as suas declarações na cerimónia dos Óscares de 1975 foram surpreendentemente contidas — especialmente se tivermos em conta a franqueza com que, por vezes, se pronunciava sobre a Guerra do Vietname.

A culpa coletiva do mundo do espetáculo
Ingrid Bergman dispensa apresentações e, na cerimónia dos Óscares de 1975, a lendária atriz sueca recebeu o Óscar na categoria de «Melhor Atriz Secundária» pelo papel de Greta Olsson no filme «Assassinato no Expresso do Oriente» . Aos 59 anos, foi recebida com aplausos entusiásticos de um público admirado, mas as suas emoções eram contraditórias.

Apresentada por Catherine Ross e Peter Falk, Bergman proferiu um discurso modesto e apologético, salientando que a atriz Valentina Cortese merecia o prémio mais do que ela.

Bergman considerava que tinha recebido o «Óscar» em parte porque Hollywood ainda se sentia culpada por lhe ter virado as costas em 1949, após o seu escandaloso romance com o realizador Roberto Rossellini.

Um momento marcante
A cerimónia de entrega dos Óscares de 1975, no Dorothy Chandler Pavilion, em Los Angeles (Califórnia), tornou-se verdadeiramente um acontecimento para a posteridade.

Estava tudo lá — elegância, estrelas icónicas, intrigas políticas e filmes inesquecíveis, como «O Padrinho, Parte II». Olhando para trás, pode-se dizer que foi o auge da era dourada de Hollywood, quando as celebridades possuíam um charme e uma graciosidade que hoje parecem uma raridade.

Por isso, não é de admirar que ainda hoje se fale dessa gala. Especialmente de uma fotografia que chamou a atenção — apesar de já terem passado quase 50 anos.

A fotografia, que imortaliza duas das figuras mais icónicas de Hollywood — John Voight e Raquel Welch —, continua a suscitar discussões, uma vez que transmite na perfeição a elegância e o encanto daquela época. No entanto, a imagem também suscitou críticas.

Naquela noite glamorosa, John Voight vestia um clássico smoking preto e estava ao lado da deslumbrante Raquel Welch, que brilhava num vestido rosa-escuro, desafiando ousadamente a gravidade. Juntos, subiram ao palco como apresentadores da cerimónia de entrega do prémio de melhor fotografia. Embora nenhum destes atores lendários estivesse nomeado nessa noite, deixaram, sem dúvida, uma impressão marcante na passadeira vermelha.

«O John parece um canalha.»
A fotografia deste evento tornou-se, desde então, viral nas redes sociais.

Embora a maioria das pessoas adore este visual icónico, alguns comentadores franziram o sobrolho, afirmando que o abraço de Voight com Raquel Welch parece inapropriado. «O John parece um idiota. A Raquel não parece à vontade. A menos que sejam um casal — isto é simplesmente assustador», comentou uma das mulheres. Outra acrescentou: «Ela parece que ele a está a tocar sem o consentimento dela 🥺».

No entanto, houve muitos que saíram em defesa da fotografia e de Voight:

«Naquela altura, eu era uma jovem mulher, e era frequente um homem segurar-me assim num evento qualquer ou noutro local, e isso era normal. Pode ser muito agradável, mas, claro, alguns rapazes eram mais simpáticos do que outros e alguns, pelo contrário, eram detestáveis, mas não havia nada de grave nisso.» «Algumas das reações indignadas aqui fazem-me simplesmente rir. Relaxem, pessoal!», afirmou um dos comentadores.

Outro acrescentou: «Estão todos tão críticos. Se não estavam lá naquela altura, não têm direito a opinar. Se estavam por perto na altura, sabem que não há nada de mal nesta fotografia! Por amor de Deus, pessoal…».

E o que acham vocês? Será que esta fotografia é um olhar encantador sobre o passado ou revela verdades incómodas sobre as dinâmicas de género em Hollywood? Vamos continuar a conversa e partilhar este artigo no Facebook!