Voltei-me para ele.
Durante anos imaginei aquele encontro.
Imaginei vingança.
Imaginei humilhação.
Imaginei fazê-lo sentir a mesma dor que provocou em mim.
Mas agora…
Nada disso parecia importante.
Sorri.
Um sorriso tranquilo.
Livre.
— Não.
A resposta foi simples.

Mas definitiva.
Não era uma vitória.
Era algo muito maior.
Liberdade.
— Eu não preciso mais de nada do senhor.
Nem do seu dinheiro.
Nem da sua aprovação.
Nem do seu sobrenome.
Nem do seu império.
Tudo aquilo que um dia ele acreditou poder me negar, eu já havia conquistado sozinha.
Então me virei.
Segurei as mãos dos meus filhos.
— Vamos embora.
As crianças sorriram imediatamente.
Sebastian permaneceu parado por um instante.
Dividido entre o passado e o futuro.
Entre a vida que lhe impuseram e a vida que realmente desejava.
Então deu o primeiro passo.
E depois outro.
Seguindo-nos.
Não como herdeiro da família De la Vega.
Não como sucessor de um império.
Mas como um homem finalmente disposto a escrever sua própria história.
Saímos do hotel.
A noite da Cidade do México nos recebeu com uma brisa suave.
As luzes brilhavam por todos os lados.
O trânsito distante parecia uma melodia de recomeço.
Tudo parecia diferente.
Como se o mundo inteiro tivesse acabado de abrir uma nova porta.
Uma das crianças ergueu os olhos para mim.
— Mamãe, para onde vamos agora?
Olhei para cada um deles.
Depois para Sebastian.
E naquele instante percebi que já não existia medo dentro de mim.
Nem dúvidas.
Nem correntes.
Apenas esperança.
Sorri.
— Vamos para casa.
As crianças sorriram.

Sebastian também.
Porque desta vez não seria uma casa construída sobre mentiras.
Nem sobre poder.
Nem sobre imposições.
Seria um lar escolhido por nós.
Construído por amor.
Protegido pela verdade.
E, pela primeira vez em muitos anos…
Juntos.
