Preparei um prato de macarrão que havíamos feito juntas e o coloquei diante dela.
— Alguém tomou uma decisão muito errada, meu amor — expliquei com cuidado. — A tia Serena fez algo que não deveria ter feito.
Natalie ouviu atentamente.
— Mas o papai não te traiu?
Sorri.
— Não.
Puxei-a para perto.
— Eu prometo que não.
— Ele apenas ficou sem reação quando tudo aconteceu.
Ela pensou por alguns segundos.
— Então não vamos precisar de outro papai?
Ri baixinho.
— Não, querida.
Beijei sua cabeça.
— Seu papai não vai a lugar nenhum.
Naquela noite, nós três nos sentamos juntos no sofá.
Richard havia preparado sanduíches de sorvete, os favoritos de Natalie.
Antes disso, ele apareceu segurando um coelhinho de pelúcia.
O brinquedo que ela havia esquecido na sala dos noivos.
— Acho que alguém esqueceu isto — disse ele com um sorriso gentil.
Natalie ficou imóvel.
Ainda insegura.
Richard se ajoelhou diante dela.
— Desculpe, querida.
Sua voz era baixa, mas firme.
— Cometi um erro naquele dia.
Não um erro capaz de destruir nossa família.
Mas um erro que pode ter te confundido.
E eu nunca quis que você duvidasse do amor que sinto por você e pela sua mãe.
Natalie o observou por alguns segundos.
Depois respondeu:
— Ainda bem.
Ele sorriu.
— Ainda bem por quê?
— Porque eu não quero um pai novo.
Aquelas palavras fizeram meus olhos se encherem de lágrimas.
Estendi as mãos para os dois.
— Obrigada — falei para Richard. — Obrigada por ser exatamente quem eu sempre soube que você era.
Ele sorriu para mim por cima da cabeça de Natalie.
E naquele instante compreendi algo importante.
Nossa família não era perfeita.
Nunca seria.
Mas continuava unida.
Continuava forte.
E, acima de tudo, continuava sendo uma família.
