No dia do casamento, a minha filha de 7 anos disse-me: «Mãe, olha para a mão do papá! Não quero um novo papá.»

Preparei um prato de macarrão que havíamos feito juntas e o coloquei diante dela.

— Alguém tomou uma decisão muito errada, meu amor — expliquei com cuidado. — A tia Serena fez algo que não deveria ter feito.

Natalie ouviu atentamente.

— Mas o papai não te traiu?

Sorri.

— Não.

Puxei-a para perto.

— Eu prometo que não.

— Ele apenas ficou sem reação quando tudo aconteceu.

Ela pensou por alguns segundos.

— Então não vamos precisar de outro papai?

Ri baixinho.

— Não, querida.

Beijei sua cabeça.

— Seu papai não vai a lugar nenhum.

Naquela noite, nós três nos sentamos juntos no sofá.

Richard havia preparado sanduíches de sorvete, os favoritos de Natalie.

Antes disso, ele apareceu segurando um coelhinho de pelúcia.

O brinquedo que ela havia esquecido na sala dos noivos.

— Acho que alguém esqueceu isto — disse ele com um sorriso gentil.

Natalie ficou imóvel.

Ainda insegura.

Richard se ajoelhou diante dela.

— Desculpe, querida.

Sua voz era baixa, mas firme.

— Cometi um erro naquele dia.

Não um erro capaz de destruir nossa família.

Mas um erro que pode ter te confundido.

E eu nunca quis que você duvidasse do amor que sinto por você e pela sua mãe.

Natalie o observou por alguns segundos.

Depois respondeu:

— Ainda bem.

Ele sorriu.

— Ainda bem por quê?

— Porque eu não quero um pai novo.

Aquelas palavras fizeram meus olhos se encherem de lágrimas.

Estendi as mãos para os dois.

— Obrigada — falei para Richard. — Obrigada por ser exatamente quem eu sempre soube que você era.

Ele sorriu para mim por cima da cabeça de Natalie.

E naquele instante compreendi algo importante.

Nossa família não era perfeita.

Nunca seria.

Mas continuava unida.

Continuava forte.

E, acima de tudo, continuava sendo uma família.