Seu sorriso se ampliou.
— Que todos vejam o quanto você merece este dia.
Talvez aquele instante pudesse ter durado mais.
Mas o som de vários carros estacionando do lado de fora nos lembrou que o tempo continuava avançando.
Os convidados começavam a chegar.
Pelas janelas abertas entravam vozes animadas, cumprimentos calorosos e gargalhadas.
A cerimônia estava prestes a começar.
E, pela primeira vez desde que acordei naquela manhã, eu me senti pronta para vivê-la.
Da janela do segundo andar, eu conseguia observar os convidados chegando aos poucos. Mulheres com vestidos coloridos desciam dos carros com cuidado, homens ajustavam gravatas diante dos espelhos retrovisores e crianças corriam animadas em direção ao jardim, ignorando completamente qualquer formalidade. Engoli em seco.
Era real.
A casa que, poucas horas antes, parecia vazia e silenciosa agora estava cheia de vida.
Mesmo assim, as cadeiras da primeira fila continuariam sem as pessoas que, durante tanto tempo, eu acreditei que fossem indispensáveis para mim.
Evelyn percebeu imediatamente a mudança na minha expressão.
Aproximou-se e falou em voz baixa:
— Não procure por eles.
Olhei para ela.
— Olhe para quem está aqui. Essas são as pessoas que escolheram celebrar você.
Suas palavras me trouxeram de volta ao presente.
Assenti lentamente enquanto ajustava o véu que Monica havia prendido com tanto cuidado.
Henry limpou a garganta.
— Vou lá para fora verificar se tudo está pronto. Temos convidados para receber.
Ele apontou para mim com um sorriso discreto.
— Não faça todos esperarem por muito tempo, soldado.
A última palavra não soou como brincadeira.
Soou como respeito.
Sorri de leve.
— Sim, senhor.
Henry abriu um sorriso satisfeito antes de seguir para o jardim.
Evelyn foi atrás dele, mas antes apertou minha mão com carinho.
Monica permaneceu no quarto.
Ela cruzou os braços e me analisou da cabeça aos pés, exatamente como fazia durante inspeções militares.
Após alguns segundos, assentiu.
— Está pronta.
Continuei em silêncio.
— Está firme. Está forte. Hoje ninguém pode atingir você.
Aquelas palavras caíram sobre mim como uma promessa.
O silêncio que dominava a casa mais cedo parecia pertencer a outra vida.
Agora ele havia sido substituído pelo som dos convidados chegando, pelas conversas misturadas, pelas risadas e pelo crescente movimento vindo do jardim.
A casa já não estava vazia.
Estava preenchida da maneira certa.
Endireitei a postura mais uma vez.
Ajustei o vestido.
Respirei fundo.
As vozes vindas das janelas abertas espalhavam-se pelo ambiente.
Seja lá como Paris estivesse naquele momento, não poderia competir com aquilo.
Do lado de fora, o movimento aumentava a cada minuto.
Mais carros estacionavam ao longo da rua.
Portas batiam.
Conversas ecoavam.
Risadas atravessavam o jardim.
O som dos saltos sobre o caminho de pedra misturava-se ao arrastar das cadeiras sendo posicionadas na grama.
Comecei a caminhar em direção à entrada principal.
O vestido deslizava suavemente pelo chão.
Monica seguia atrás de mim como uma guarda-costas determinada a impedir qualquer tentativa de fuga.
Pela janela lateral, observei os convidados ocupando seus lugares.
Uma amiga da faculdade acenava para alguém que eu mal reconhecia.
Dois parceiros de negócios de Caleb apertavam as mãos de um primo distante dele, enquanto seus sapatos elegantes afundavam levemente no gramado.
Aquilo deveria ser reconfortante.
Mas outro som começou a chamar minha atenção.
Pequenos comentários.
Sussurros.
Perguntas disfarçadas de conversa educada.
Consegui ouvir fragmentos.
— Onde está a família dela?
— Os pais não vieram?
Apertei a moldura da porta com mais força.
A madeira pressionou minha palma.
Monica percebeu imediatamente.
Ela inclinou a cabeça em minha direção.
— Deixe falarem.
Suspirei.
— As pessoas sempre falam.
Ela deu de ombros.
— O que importa é você caminhar até aquele altar.
Um sorriso surgiu em seus lábios.
— Depois disso, ninguém mais terá nada a dizer.
Soltei uma pequena risada.
Não exatamente por achar graça, mas porque aquilo ajudou.
Lembrei-me de que fofocas não tinham poder para me destruir.
Eu já havia sobrevivido a coisas muito piores.
Pouco depois, Evelyn apareceu no corredor.
Movia-se com elegância mesmo sobre o antigo piso de madeira.
Parou ao meu lado e pousou a mão em meu braço.
— Não dê atenção ao que estão dizendo lá fora.
Seu tom era calmo.
— Eles vieram para celebrar você, não para julgá-la.
Ela sorriu.
— E, se alguém tiver perguntas, deixe que continue se perguntando.
Sua mão apertou suavemente meu braço.
— Você não deve explicações a ninguém.
Assenti agradecida.
Então me virei para o espelho pela última vez.
Meu reflexo devolveu o olhar.
O véu estava perfeito.
Os ombros firmes.
