Meu marido pediu o divórcio sem sequer imaginar que eu ganhava cerca de 500 mil dólares. Ele afirmou com toda a convicção que não queria ao lado dele uma esposa que, segundo ele, não trabalhava nem contribuía. Algum tempo depois, acabou se casando com a minha melhor amiga. Mas a vida dá voltas — e, quando a verdade finalmente veio à tona, ele ficou completamente pálido, sem reação diante das consequências.

Mas a sensação de vitória esfriou um pouco quando Lily chegou na sexta-feira. Ela estava estranhamente quieta, arrastando os pés ao entrar.

“O que está te incomodando, querida?” perguntei, entregando um copo de suco.

“Papai e a Vanessa estavam gritando ontem à noite,” disse ela, olhando para os sapatos.

“Por quê?”

“Dinheiro.”

Interessante. Ethan sempre aparentou ter total controle financeiro.
“E como isso te fez sentir?” perguntei, sentando ao lado dela.

Ela deu de ombros, sem saber explicar.
“Só queria que eles não gritassem tanto.”

Eu a abracei, apoiando o queixo na cabeça dela.
“Às vezes, os adultos não sabem lidar com os próprios problemas. Mas nunca, nunca é culpa sua.”

Mais tarde, enquanto ela desenhava concentrada, comecei a rolar distraidamente pelas redes sociais. Os anúncios do evento estavam por toda parte: Primeira aparição pública de R.K. Bennett em três anos!

Então, a tela atualizou.

Uma publicação de Vanessa apareceu.

“Estou literalmente contando os segundos para o evento da próxima quinta! R.K. Bennett é minha maior inspiração. Tenho todos os livros dela!”

Ampliei a imagem anexada. Lá estava Vanessa, sorrindo perfeitamente dentro da minha antiga cozinha. Meus antigos armários ao fundo. Sobre a mesa, cuidadosamente organizados, estavam todos os meus livros.

Legenda: Completamente obcecada.

Tirei um print. Salvei em uma pasta oculta.

A armadilha estava pronta, a isca havia sido aceita — e o momento de fechar o cerco estava cada vez mais próximo.

Capítulo 3: O Baile dos Fantasmas

Percebi, naquele momento, que o universo tinha um senso de ironia quase cruel.

Na terça-feira à tarde, o nome de Ethan apareceu na tela do meu celular.
“Mia, preciso de um grande favor.”

“O que foi?”, perguntei, passando o dedo pela borda da minha xícara de café.

“A Vanessa conseguiu ingressos exclusivos para aquele gala literário de alto nível na quinta-feira. Você pode ficar com a Lily à noite?”

Fechei os olhos, enquanto um sorriso lento — quase predatório — se formava no meu rosto.
“Claro, Ethan,” respondi com uma serenidade impecável.

“Obrigado. Fico te devendo muito.”

Você realmente não tem ideia.

A quarta-feira foi dedicada à minha transformação. Fui ao salão mais sofisticado da cidade. Corte, coloração, finalização impecável. Gastei 12.800 dólares em um vestido de seda negra que caía sobre meu corpo como se tivesse sido feito de sombras sob medida para mim. Era elegante, discreto — e carregava uma presença silenciosa, quase perigosa. Quando me olhei no espelho da boutique, quase não me reconheci. Não porque eu tivesse mudado, mas porque, finalmente, eu era visível.

A noite de quinta-feira chegou.

Contratei minha babá mais confiável para ficar com Lily no apartamento.

“Onde você vai, tia Mia?”, perguntou ela, com os olhos arregalados enquanto eu colocava brincos de diamante.

“Um evento de trabalho. Um bem sofisticado.”

Às 18h50 em ponto, um carro preto elegante parou na entrada. Ao me acomodar no banco traseiro de couro, não havia ansiedade dentro de mim. Apenas uma calma fria, sólida.

O evento acontecia no luxuoso Grand Plaza Hotel. Assim que o carro parou, os flashes começaram. Luzes estouravam como relâmpagos. No instante em que meu salto tocou o chão, os gritos vieram.

“R.K. Bennett! Aqui! Olhe para cá!”

Sorri com controle e elegância. Rebecca me esperava perto da entrada, visivelmente em choque.
“Você está absolutamente deslumbrante,” ela sussurrou. “A internet inteira está falando de você.”

“A Vanessa já chegou?”, perguntei discretamente.

Rebecca olhou o tablet.
“Sim. Mesa 14.”

“Perfeito.”

O salão era um espetáculo: lustres gigantes, mesas cobertas com tecidos impecáveis, centenas de convidados influentes. E lá estava ela — Vanessa. Vestida de vermelho, rindo alto, cercada de pessoas que claramente orbitavam ao redor dela.

Ela ainda não tinha me visto.

Esperei nos bastidores até o momento certo.

Às 20h em ponto, a voz do apresentador ecoou pelo salão.
“Senhoras e senhores, recebam a convidada de honra desta noite…”

O aplauso cresceu como uma onda.

“…R.K. Bennett!”

Atravessei a cortina e caminhei até o centro do palco, envolvida pela luz intensa. Sentei-me com calma e deixei meu olhar percorrer o público — até encontrar a Mesa 14.

Vanessa.

Vi tudo acontecer em segundos. Primeiro, confusão. Depois, reconhecimento. E então… puro pânico. Seu rosto perdeu toda a cor. A taça de champanhe tremia na mão. Ela ficou imóvel, como se o mundo tivesse parado.

Acenei levemente.

O apresentador continuou:
“As obras de R.K. Bennett já venderam mais de dezoito milhões de cópias e foram adquiridas para uma adaptação multimilionária!”

O salão explodiu em aplausos.

Exceto a Mesa 14.

Durante uma hora, respondi perguntas sobre escrita, criatividade e propósito. Mas, de tempos em tempos, meus olhos voltavam para Vanessa. Ela parecia assistir ao colapso completo da própria realidade.