Keanu Reeves: Uma vida marcada pela tragédia, um legado definido pela resiliência

Ele cresceu numa família desestruturada, passou por perdas devastadoras — incluindo a do seu melhor amigo devido às drogas — e enfrentou repetidamente tragédias pessoais.

No entanto, apesar de tudo, tornou-se um dos atores mais queridos de Hollywood. O seu percurso é marcado pela resiliência, pela dor e pelo triunfo. Mergulhe na sua história completa abaixo:

O pai abandonou-o
Ninguém jamais poderá dizer que Keanu Reeves é um fracassado. Superando adversidade após adversidade, a estrela de «Matrix» tornou-se uma pessoa famosa em Hollywood, que todos consideram um bom rapaz.

Mas, se olharmos para além da aparência positiva de Reeves, podemos descobrir um passado que criou muitos problemas que os outros nem sequer imaginam.

Reeves nasceu em Beirute (Líbano) a 2 de setembro de 1964, filho de uma mãe que trabalhava como artista inglesa e figurinista e de um pai geólogo havaiano.

O pai de Reeves abandonou a família quando ele tinha apenas três anos e, pouco depois, os pais se separaram. Na infância, Reeves foi criado pela mãe e mudou-se várias vezes. A família mudou-se várias vezes, primeiro para Sydney, depois para Nova Iorque e, finalmente, para Toronto, onde ele passou a maior parte da sua infância.

A última vez que Reeves viu o pai foi aos 13 anos, durante uma visita à ilha havaiana de Kauai.

Na infância, Keanu Reeves foi diagnosticado com dislexia.

«Como tinha dificuldades em ler, não era um bom aluno», diz ele.

Ele estudou em quatro escolas secundárias diferentes. Em 2008, numa entrevista ao Daily Mail, Reeves explicou por que a sua experiência escolar foi «difícil».

«Eu não era o aluno mais bem ajustado da escola», refletiu ele.

«Em cinco anos, estudei em quatro escolas diferentes», disse Reeves. «Eu tinha um bom desempenho, era bom em inglês e em trabalhos criativos. Fazia parte da equipa de xadrez.»

E, claro, ele se destacava na arte de representar. Na verdade, foi graças à sua habilidade como ator que ele foi aceito na Etobicoke School of the Arts, uma escola de artes cênicas.

No entanto, Reeves não se encaixava no grupo.

«Era uma escola muito pequena e, provavelmente, eu não me encaixava nela», disse ele ao Daily Mail.

«Eu tinha conflitos e desentendimentos com os funcionários. Eu e o diretor não nos dávamos bem. Eu era um daqueles “porquês” — fazia perguntas demais sobre tudo. Não conseguia parar, mesmo que isso causasse problemas.

«Eu precisava de autonomia e, se quisessem impor-me algo, teríamos problemas.»

Em breve, devido a essa atitude, Reeves meteu-se em problemas dos quais não conseguiu sair. Com apenas 16 anos, foi expulso da escola.

«É uma carta horrível, dizendo que você não pode voltar à escola no ano seguinte. Fiquei muito chateado por terem me pedido para sair», diz Reeves.

No entanto, isso acabou por ser o impulso de que ele precisava para realmente revelar o seu potencial no mundo da representação. Noutra entrevista, o ator de 55 anos disse: «Comecei a frequentar cursos de representação à noite».

Tudo mudou
«Simplesmente me pareceu a coisa certa a fazer. Basicamente, foi por respeito à arte da representação. Estudei com Stanislavski e trabalhei com a memória das emoções. Comecei a falhar nas audições, depois consegui alguns trabalhos e entrei para um teatro comunitário. Depois, arranjei um agente.»

No final da adolescência, Keanu Reeves morava em Los Angeles e aceitava qualquer papel que conseguisse encontrar. Então, em 1989, tudo mudou.

A comédia boba sobre viagens no tempo «Bill & Ted’s Excellent Adventure» o tornou uma estrela. Mas ele não queria ser apenas mais um galã de Hollywood — ele precisava de profundidade.

Nos anos 90, ele se destacou em dramas fortes como «Meu Idaho Pessoal», não ficou atrás de Al Pacino em «O Advogado do Diabo» e se tornou o herói do filme de ação «Velocidade Máxima». Mas, em 1999, ele recebeu um papel que mudou para sempre o cinema.

Um hacker chamado Neo. O filme se chamava Matrix.

Ele se tornou um fenómeno cultural, reinterpretando a ficção científica, a ação e a filosofia na tela. Reeves poderia ter pegado todo o dinheiro e fugido, mas, em vez disso, ele deu a maior parte de seus ganhos à equipe de dublês e efeitos especiais, afirmando que eles mereciam mais.

Um herói silencioso
Mas, fora das câmaras, a vida era implacável. Em 1999, a sua namorada, Jennifer Syme, estava grávida da sua filha, mas a criança nasceu morta. Apenas dois anos depois, Jennifer morreu num acidente de carro. Em 1993, ele perdeu o seu melhor amigo, River Phoenix, por overdose. A maioria das pessoas teria desmoronado. Mas Keanu? Ele simplesmente continuou em frente, suportando silenciosamente a sua dor.

Com o passar dos anos, tornou-se um herói discreto de Hollywood, que andava de metro, doava milhões a hospitais e sentava-se sozinho em bancos de jardim, como qualquer pessoa comum. Então, em 2014, fez algo que ninguém esperava.

Com quase 50 anos, quando a maioria das estrelas de filmes de ação começa a desaparecer, Reeves fez um retorno explosivo na pele do assassino implacável John Wick. Esse papel o trouxe de volta ao topo da fama, provando que algumas lendas não desaparecem, mas ficam ainda melhores com o tempo.

Apesar da fama, ele continua sendo uma das figuras mais modestas e queridas de Hollywood. Ele não é apenas um ator. Ele é um enigma. Um guerreiro. Um sobrevivente.

O seu nome? Keanu Reeves.

A trajetória de Keanu Reeves é um testemunho de resiliência, provando que, mesmo diante de enormes dificuldades, a força e a graciosidade podem levar a um legado extraordinário.

Apesar das lutas pessoais e tragédias que ele passou, ele continua sendo um símbolo de bondade, humildade e força de perseverança. A sua história não é apenas uma história de fama hollywoodiana, mas a história de um homem que realmente conquistou o amor e o respeito de milhões de pessoas.