Há três anos, os seus sete filhos foram atirados ao rio pelo próprio marido…

O homem hesitou, lançando olhares nervosos para os convidados… para Sebastián… para Lucía…

— Não posso falar aqui, senhora…

Valeria avançou mais um passo. Seu olhar tornou-se puro gelo.

— Fale… ou vai se arrepender.

O homem engoliu em seco.

— Ele está em um hospital privado… ao norte da Cidade do México. Mas… há pessoas vigiando.

— Quem?

O homem não respondeu.

Mas não precisava.

Valeria virou lentamente o rosto… e seus olhos se fixaram em Lucía.

Lucía recuou.

— Não… eu não sei do que você está falando…

Valeria sorriu.

Mas não era um sorriso humano.

— Você nunca soube mentir direito.

Naquela mesma noite…

A chuva voltou.

Assim como três anos antes.

Valeria desceu do carro preto sem esperar ninguém. O hospital era sofisticado, silencioso… silencioso demais.

— Fique aqui — ordenou ao motorista.

— Senhora, pode ser perigoso—

— É exatamente isso que eu procuro.

Ela entrou.

Os corredores tinham cheiro de desinfetante… e de segredos.

De repente, dois homens surgiram à sua frente.

— Você não pode passar.

Valeria os analisou de cima a baixo.

— Quem mandou vocês?

— Isso não importa.

Ela soltou uma leve risada.

— Importa sim… porque vou enterrá-los junto com ele.

Em menos de um minuto…

Os dois estavam no chão.

Ninguém saberia explicar como.

Valeria continuou andando… até parar diante de uma porta.

Quarto 307.

Sua mão tremeu.

Pela primeira vez… em três anos.

Ela abriu.

Um menino.

Pequeno.

Pálido.

Conectado a aparelhos.

Mas vivo.

Valeria sentiu o mundo se desfazer novamente… só que de outra forma.

— Meu filho…

Aproximou-se devagar.

Seus dedos tremiam ao tocar o rosto dele.

Quente.

Real.

— Mamãe… — sussurrou o menino, com os olhos quase fechados.

Valeria caiu de joelhos.

— Me perdoa… me perdoa por não ter te protegido…

As lágrimas que ficaram presas por três anos… finalmente vieram.

Mas então—

Uma voz ecoou atrás dela.

— Que cena emocionante.

Valeria congelou.

Aquela voz…

Não podia ser.

Virou-se lentamente.

Sebastian estava na porta.

Aplaudindo.

Sorrindo.

Como um demônio.

— Achei que você demoraria mais para encontrá-lo.

Valeria se levantou.

Seu olhar voltou a endurecer.

— Foi você.

— Claro que fui — respondeu ele, com tranquilidade. — Você realmente achou que eu deixaria todos morrerem?

Valeria tremia de raiva.

— VOCÊ JOGOU ELES NO RIO!

— Sim — disse ele, sem emoção. — Mas um… já era suficiente para mim.

O silêncio ficou pesado.

— Funcionou…?

Sebastian caminhou lentamente até a cama do menino.

— Meu sangue. Meu herdeiro. O único de que eu precisava.

Valeria sentiu o peito queimar.

— Você é um monstro…

— Não — respondeu ele. — Sou um homem que faz o que precisa ser feito.

Valeria cerrou os punhos.

— E os outros seis…?

Sebastian a encarou.

E, pela primeira vez…

Não respondeu.

Isso bastou.

Valeria fechou os olhos por um segundo.

Quando os abriu…

A mulher que chorava já não existia mais.

Restava apenas…

Justiça.

— Então hoje… tudo termina.

Sebastian riu.

— Você contra mim?

Mas naquele instante…

As luzes do hospital se apagaram.

Sirene.

Passos.

Gritos.

E uma voz ecoou pelos corredores:

— Polícia! Ninguém se mexa!

Sebastian franziu a testa.

— O que você fez…?

Valeria o encarou.

Calma.

Implacável.

— Eu disse que isso era só o começo.

Ela tirou um pequeno dispositivo.

— Três anos… gravando, investigando, esperando.

Na tela…

Imagens.

Provas.

O rio.

Os homens.

As ordens.

Sebastian… dando a ordem.

O rosto dele mudou.

Pela primeira vez…

Medo.

— Você não pode…

— Eu já fiz.

A polícia entrou.

— Sebastián Cruz, você está preso por homicídio, tentativa de homicídio e conspiração.

Lucía apareceu atrás, desesperada.

— Sebastian, faz alguma coisa!

Mas ele já não tinha poder algum.

Apenas algemas.

E o olhar de Valeria.

— Isso é pelos meus filhos.

Meses depois…

O sol iluminava um jardim tranquilo.

O menino corria.

Ria.

— Mamãe!

Valeria o observava sentada em um banco.

Seu rosto já não era frio.

Ela era… humana novamente.

Havia perdido seis filhos.

Nada no mundo poderia apagar essa dor.

Mas havia salvado um.

E havia feito justiça.

Um homem se aproximou.

— Você está bem?

Valeria assentiu.

— Agora… estou.

Ela ergueu os olhos para o céu.

— Eles… podem descansar.

O vento soprou suavemente.

Como um carinho.

Como uma despedida.

Valeria segurou a mão do filho.

E seguiu em frente.

Sem olhar para trás.

Porque, desta vez…

Ela não estava mais fugindo.

FIM