Quando eu era criança, sempre soube que era adotada.
Os meus pais nunca tentaram esconder isso de mim.
Eles diziam que eu era especial, que esperaram muitos anos por uma criança e que me amavam desde o primeiro momento em que me viram.
Tive uma infância feliz. Um lar acolhedor e amoroso.
Mas, algumas semanas antes de eu completar 18 anos, coisas estranhas começaram a acontecer.
Tudo começou com e-mails.
O primeiro veio de um endereço desconhecido:
Feliz aniversário, Emma. Estive a pensar em ti. Adoraria conversar contigo.
Sem nome. Sem explicações.
Ignorei-o.

Depois, recebi um pedido de amizade no Facebook de um perfil sem foto. Nome: Sara V.
Ficou na minha caixa de correio sem resposta.
E então, na manhã do meu aniversário de 18 anos, alguém bateu à porta.
Quando a abri, percebi que tudo iria mudar.
Lá estava ela. Uma mulher com cabelos loiros emaranhados e olheiras escuras sob os olhos cansados.
Ela olhou para mim como se tivesse visto um fantasma. Ela estava ofegante, como se tivesse prendido a respiração durante anos.
«Eu sou a tua mãe.»
— «A tua verdadeira mãe», acrescentou ela, aproximando-se.
— «Sei que é um choque», disse ela, com a voz trémula. — «Mas, por favor, Emma. Por favor, ouve-me.»
Eu devia ter fechado a porta.
Devia ter ligado aos meus pais.
Mas não o fiz.
Não conseguia mexer-me.

«Os teus pais adotivos mentiram-te», disse ela, enxugando o suor da testa.
— Eles enganaram-me, Emma. Roubaram-te de mim!
Ela agarrou-me pelas mãos, com as mãos a tremer.
Havia lágrimas nos seus olhos quando tirou uma pasta da mochila e colocou uma pilha de papéis nas minhas mãos.
Documentos de nascimento. Os meus documentos.
No fundo, uma assinatura.
O nome dela.
— «Eu nunca quis te abandonar, Emmi», ela sussurrou. — Era assim que eu te chamava quando ainda estavas na minha barriga. Eu era jovem e assustada. Eles me convenceram de que eu não era boa o suficiente. Que tu estarias melhor sem mim. Eles me manipularam… e eu me arrependo disso todos os dias.
— «Dá-me uma oportunidade. Vem comigo. Deixa-me mostrar-te a vida que deverias ter tido.»
Eu devia ter dito «não».
Eu devia ter fechado a porta.
Certo?

Mas não o fiz.
Eu disse à Sara que a encontraria no restaurante mais próximo.
Naquela noite, eu estava na nossa sala de estar.
Os meus pais estavam sentados à minha frente, sorridentes, ainda alegres — sem suspeitar da tempestade que eu estava prestes a desencadear.
— «Hoje, uma mulher veio à nossa casa».
— «Ela disse… que era a minha mãe biológica».
— «Ela disse-me que vocês mentiram. Que tu a enganaste para que ela me abandonasse».
A minha mãe inspirou profundamente. Esse som — áspero, doloroso — fez o meu estômago revirar.
— «Emma», disse ela suavemente. — «Isso não é verdade».
— Eu disse a ela que ficaria com ela por uma semana».
— «Emma, por favor, querida», implorou a minha mãe. — «Apenas ouve-nos. Não vás embora.»
O meu pai, calmo, mas firme, acrescentou:

— «Vai, Emma. Mas lembra-te — ela já te abandonou uma vez. Pensa bem antes de sair pela porta».
A casa da Sara não era uma casa.
Era uma mansão.
Grande. Fria. Assustadora. Quem diria?
Cumpri a minha palavra — uma semana. Só para ver.
No dia seguinte, uma mulher parou-me perto da mansão.
— «Sou a Evelyn», disse ela. «Moro aqui perto.»
«Ela não lhe contou, pois não?»
«Que ninguém a enganou. Que ela o entregou voluntariamente.»
«Emma, ela divertia-se constantemente. Gastava cada centavo que tinha. Quando engravidou, viu em si um fardo. A vida dela era demasiado «complicada».»
— «Ela nunca te procurou. Nunca. Até agora.»
— «O pai dela morreu no mês passado», acrescentou Evelyn com um olhar sério.
— «E ele deixou tudo para ti. Já tens dezoito anos. Por lei, tudo isso é teu.»
Não se tratava de amor.
Tratava-se de dinheiro.

Quando voltei para casa, os meus pais estavam à minha espera à porta.
Não disse uma palavra.
Apenas me atirei para os braços da minha mãe.
— «Bem-vinda de volta, querida», disse o meu pai suavemente.
E, naquele momento, percebi:
já tenho tudo o que preciso.
Uma família verdadeira.
