Quando a Paige se mudou para o seu antigo apartamento, reparou logo na ausência de uma máquina de lavar roupa e de uma máquina de lavar louça. Decidindo que isso não era problema, comprou os seus próprios eletrodomésticos. Mas quando chegou o dia da mudança e ela tentou levá-los consigo, o seu ex-senhorio insolente armou um verdadeiro escândalo, sem suspeitar que a Paige lhe tinha preparado uma lição.
Eu tinha 25 anos e o meu próprio apartamento foi para mim uma lufada de ar fresco depois de um ano a viver sob o jugo do meu antigo senhorio, o Sr. Robinson. O que posso dizer… isso é outra história.
Olá, chamo-me Paige.
Quando vi este apartamento pela primeira vez, o Sr. Robinson recebeu-me à porta com um ar de quem me estava a fazer um enorme favor ao alugá-lo.
— Bem-vinda, Paige — sorriu ele. — Vais gostar daqui. O bairro é excelente.
O apartamento tinha espaço suficiente para uma pessoa, mas o local estava bastante degradado: a tinta descascava das paredes, os móveis velhos mal se mantinham de pé e o cheiro a pó indicava que não se fazia limpeza há semanas.
Quando entrei na cozinha, reparei imediatamente na ausência de eletrodomésticos.

— Não há aqui nem máquina de lavar roupa nem máquina de lavar louça? — perguntei.
O Sr. Robinson encolheu os ombros:
— Isso não incomoda a maioria dos inquilinos. Há uma lavandaria aqui perto, pode sempre ir lá.
— Mas isso é terrivelmente inconveniente. Eu trabalho à noite e aos fins de semana, não tenho tempo nenhum para me ocupar disso — franzi o cenho.
Ele encolheu os ombros:
— Bem, não é um complexo residencial de luxo. Mas, por este preço, não há nada melhor. Acabas por te habituar.
Era inútil discutir. Acenei com a cabeça, mas decidi firmemente: não vou perder horas em lavandarias e montanhas de louça.
Depois da mudança, usei as minhas últimas poupanças e as gorjetas dos turnos da noite para comprar uma máquina de lavar roupa e uma máquina de lavar louça.
Passados alguns dias, o Sr. Robinson veio visitar-me.
— Está tudo bem? — perguntou ele, espreitando para a cozinha.
— Sim — respondi. — Só queria dizer que comprei uma máquina de lavar roupa e uma máquina de lavar louça.
As sobrancelhas dele ergueram-se:

— A sério? Bem, cuida bem delas.
— Claro — sorri eu.
Ele examinou atentamente os eletrodomésticos:
— Deve ter gasto uma fortuna.
— Sim — acenei com a cabeça. — Mas vale a pena.
Ele acenou com a cabeça em resposta, mas era evidente que não estava nada contente com isso.
Passou um mês. Encontrei um apartamento mais perto do trabalho e entreguei o aviso de saída.
No dia da mudança, comecei a desligar os meus aparelhos. E então, como um furacão, o senhor Robinson irrompeu pela porta.
— Onde é que vais com esses aparelhos?! — gritou ele. — Agora fazem parte do apartamento!
Endireitei-me, cruzando os braços:
— Desculpe, o quê? Fui eu que os comprei. São meus.
— Estiveram aqui tempo suficiente. Agora pertencem ao apartamento! Se os levar, vou deduzir o valor deles da caução!
Fiquei em choque:
— Não tem o direito! Eu avisei-o de que eram compras minhas!
Mas ele foi inflexível:
— Vou deduzir do depósito! Tenta contestar!
Eu fervia de raiva:
— Ótimo! — gritei. — Vou contratar um advogado!
Ele limitou-se a rir:
— Tu? Uma simples empregada de mesa? Vamos ver!

Claro que não tinha dinheiro para pagar um advogado. Mas tinha a certeza de uma coisa: não ia desistir assim tão facilmente.
No dia seguinte, liguei ao meu amigo Kevin — um pau para toda a obra.
— Imagina só — contei-lhe eu. — O Robinson exige que deixemos o equipamento.
— Esse tipo perdeu completamente o juízo — suspirou o Kevin. — Mas tenho uma ideia.
Uma hora depois, o Kevin estava na minha casa.
— Primeiro, desligamos as mangueiras e os fios — explicou ele. — Deixamos as caixas e levamos tudo o que é importante.
Retirámos cuidadosamente todas as peças necessárias. O trabalho não demorou muito tempo.
— Perfeito — sorriu Kevin.
— Vai ser uma surpresa para o senhor Robinson — ri-me.
— Pois é! — riu-se ele. — Ele não vai dar por nada de imediato.
Dois dias depois, enquanto me instalava no novo apartamento, tocou o telefone. Era o número do Sr. Robinson.
Suspirei e atendi:
— Estou?
— Paige! Por favor! Não faças isso! Não vou conseguir encontrar as peças, e preciso dessas máquinas para os novos inquilinos!
Fingi ser ingénua:

— Do que está a falar? Eu só vim buscar o que era meu.
— Por favor! Devolvo-te a caução!
Fiz uma pausa:
— Vou pensar nisso.
Algumas horas depois, ele ligou de novo — agora quase a chorar:
— Devolvo-te toda a caução e mais 200 dólares por cima! Devolve-me só as peças! Senão, vou perder os inquilinos!
Fingi que estava a pensar muito:
— Está bem. Encontramo-nos junto ao apartamento.
Quando cheguei, ele estava literalmente a andar de um lado para o outro. Levei a caixa com as peças, mas primeiro exigi o dinheiro em numerário.
Ele entregou-me o dinheiro e, imediatamente, espreitou para dentro da caixa… e empalideceu:
— Não está tudo aqui! Onde estão os cabos?!
Encolhi os ombros:
— Provavelmente perderam-se por aí. Talvez os encontre daqui a uma ou duas semanas.
— Não podes fazer isso! — gritou ele.
Olhei-o diretamente nos olhos:
— Lembre-se, Sr. Robinson, de quem foi o primeiro a tentar levar o que não lhe pertencia. Esta é a lição da «empregada burra»: respeitar a propriedade alheia.

Ele ficou ali parado com uma cara de tacho, e eu fui-me embora orgulhosa.
À noite, encontrei-me com o Kevin.
— Imagina só — disse ele a rir —, ele pensou mesmo que podia ficar com o teu equipamento!
— Mas agora estou num lugar novo, sem ele e sem a sua arrogância — respondi, levantando o copo.
Brindámos e rimos. Era uma nova fase — livre e alegre.
Lembrem-se sempre: respeitar a propriedade alheia é importante, sejam quem forem.
E vocês, o que teriam feito no meu lugar?
