Erros engraçados que você pode ter perdido no filme do Batman de 1966

Em 1966, «Batman» não era apenas um filme — era uma explosão da cultura pop que mudou para sempre a forma como os super-heróis eram vistos.

O filme cult, estrelado por Adam West e Burt Ward, personificava o estilo vibrante, colorido e não convencional da década de 1960 — uma época em que o panorama cultural era um turbilhão de pop art, padrões psicadélicos e um senso de humor divertido.

E, como na maioria dos filmes lendários, houve muitos momentos nos bastidores e falhas no guarda-roupa que tornaram o filme do Batman tão memorável quanto as suas travessuras na tela.

A razão cínica por trás do filme
Na minha opinião, o primeiro filme do Batman é uma brilhante encarnação da cultura pop dos anos 60.

Cores vivas e chamativas, cenas de luta absurdamente exageradas e humor que beira o ridículo — tudo isso são sinais daquela época. A América de meados dos anos 60 estava em um período de transição — turbulências políticas, mudanças sociais e revolução cultural. O que poderia ser melhor para fugir da realidade do que um herói de banda desenhada alegre e leviano, lutando contra vilões como o Joker, o Pinguim e a Mulher-Gato, num mundo onde o pior que poderia acontecer era uma trilha de risadas?

É claro que por trás do filme «Batman» de 1966 havia motivos bastante inteligentes e, sejamos honestos, um pouco cínicos.

O produtor William Dozer pensou: «Ei, por que não lançar este filme sobre o Batman nos cinemas enquanto a primeira temporada da série de TV ainda está em produção, para criar hype?». Uma jogada genial, não é mesmo?

Mas a 20th Century-Fox não concordou. Eles não estavam dispostos a pagar toda a conta do filme, quando podiam simplesmente dividir os custos de uma série de televisão muito menos arriscada. Portanto, enquanto Dozier sonhava grande, o estúdio decidiu jogar pelo seguro e permitiu que ele seguisse sozinho o caminho da criação do filme. Uma jogada clássica de Hollywood — nada se compara a um risco calculado…

As duas condições obrigatórias de Adam West
Em 1966, quando o Batman apareceu em cena, Adam West estava no auge da popularidade, uma sensação da cultura pop. Alto, em forma, com uma voz de barítono, ele era o Bruce Wayne americano ideal. Mas antes de se tornar o icónico combatente do crime de Gotham, Adam West era apenas mais um ator à procura da sua hora de glória.

Na verdade, ele nasceu William West Anderson e mudou o nome para «Adam West» quando se mudou para Hollywood em 1959, após alguns pequenos papéis na televisão.

O produtor do Batman, William Dozer, escolheu West não apenas por sua aparência e carisma, mas também porque o notou no papel de um espião ao estilo James Bond, o capitão Q, em um comercial da Nestlé Quik.

Quando Adam leu o guião do episódio piloto de «Batman» de 1966, apaixonou-se por ele após apenas 20 páginas. Como ele disse numa entrevista em 2006: «Li o guião do piloto e, após apenas 20 páginas, percebi que era exatamente o tipo de comédia que eu queria fazer».

A decisão sobre o elenco resumiu-se a uma disputa entre West e Lyle Waggoner, e no final West concordou em participar no filme com duas condições. Primeiro, ele queria ter mais tempo de tela no papel de Bruce Wayne, e não apenas como Batman.

Segundo, ele queria aprovar quem iria interpretar o Robin. Ele deu luz verde a Bert Ward, que tinha um cinto castanho em karaté, mas não tinha experiência como ator.

Segundo West, ele compreendeu o material e trouxe algo único para o papel do Batman: «Não se pode interpretar o Batman de forma séria, com um queixo quadrado, de forma direta, sem deixar os espectadores sentirem que por trás da máscara há algo à espera de sair, que ele é um pouco louco, estranho».

A maldição disfarçada
Apesar de Adam West ter sido o Batman na série de televisão cult de 1966, ele teve de lutar constantemente contra o seu maior sucesso.

Apesar de ter atuado em vários filmes e programas de televisão ao longo da sua carreira, ele sempre foi chamado de «Batman da televisão».

Após o fim da série, foi difícil para ele encontrar papéis, mas ele fez um retorno lendário como a voz do presidente da câmara de Quahog em «Family Guy».

Infelizmente, West faleceu em 2017, após uma breve batalha contra a leucemia.

O Joker recusou-se a raspar o bigode
Sabia que César Romero, que interpretou o Joker, recusou-se categoricamente a raspar o seu icónico bigode para o papel?

Em vez disso, os maquilhadores simplesmente pintaram-no de branco. O ator alto e afável manteve essa estranha decisão em todos os episódios da série e do filme, e sejamos honestos: ninguém se deixou enganar por esse «disfarce». Se fosse tão importante, os produtores poderiam facilmente usar uma prótese para esconder o bigode, mas a teimosia de Romero tornou-se parte do charme do Joker.

Romero faleceu em 1994, aos 86 anos, devido a complicações causadas por um coágulo, após ser hospitalizado com bronquite grave e pneumonia. Ele recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, no número 6615 da Hollywood Boulevard, por sua contribuição ao cinema, e outra estrela na Vine Street, número 1719, pela televisão.

A história não contada de Lee Meriwether
Ao contrário da crença popular, Lee Merriwether nunca interpretou a Mulher-Gato na série de televisão Batman (1966) — essa honra coube a Julie Newmar e Cat Kitt. No entanto, Merriwether interpretou esse papel icónico no filme Batman: The Movie, de 1966.

Mas, ao que tudo indica, as filmagens começaram antes de Lee Merriwether ser oficialmente confirmada para o papel da Mulher-Gato. Como resultado, a icónica vilã não aparece na cena inicial a bordo do submarino do Pinguim, onde os outros três vilões aparecem.

Um detalhe engraçado que poucos sabem (talvez porque Lee o tenha partilhado numa entrevista para um jornal em 1966) é que Lee tinha uma maneira brilhante de se preparar para o papel da Mulher-Gato. A ex-estrela do «Miss América» tinha dois gatos em casa e decidiu estudá-los atentamente antes das filmagens.

«Eu observava-os atentamente. Tentava mover-me como eles — com imponência, silenciosamente, mas capaz de atacar com ferocidade sem aviso prévio», diz ela.

Falha no guarda-roupa
Aqui está um pequeno facto engraçado, especialmente se você assistiu ao filme Batman: A Movie (1966) no grande ecrã! O filme tem um momento inesperado e inesquecível, que talvez seja um dos mais lendários da história da televisão e do cinema.

No início do filme, Batman e Robin sobrevoam Gotham City (na verdade, Los Angeles) de helicóptero. Eles passam por um grupo de mulheres de biquíni no telhado. Se você for observador, poderá notar que um dos biquínis (o vermelho) não fica no lugar, revelando um pouco mais do que o pretendido.

É claro que os produtores do filme rapidamente o ocultaram na versão final, pois não podiam refilmar a cena.

Este pequeno detalhe encantou e surpreendeu muitos fãs, incluindo um utilizador do Reddit, que escreveu: «Devido ao desfoque, parece que ela tem cabelo comprido na frente, mas isso não faz sentido, pois ele salta para cima e para baixo e parece que ela o tem preso num rabo de cavalo. Eu assistia a esse filme constantemente e nunca tinha percebido isso.» Esse é um daqueles momentos curiosos que nos fazem avaliar o quanto de atenção (ou falta dela) foi dada a esses detalhes clássicos.

O momento «falso» de Adam West
Mas, talvez, o detalhe mais interessante do filme do Batman de 1966 pertença a ninguém menos que ao próprio Adam West. Numa entrevista concedida alguns anos após o lançamento do filme, West contou que havia uma cena no filme que ele simplesmente não conseguia levar a sério.

É a cena icónica com o «repelente de tubarões», quando Batman está pendurado num helicóptero com uma bomba nas mãos e é atacado por um tubarão.

Para se salvar, ele usa um spray repelente de tubarões, que funciona milagrosamente, e consegue escapar ileso. No entanto, para West, essa cena era tão incomum que ele não conseguia parar de rir do quão falso tudo parecia.

West também lembrou como os produtores ficaram insatisfeitos com os efeitos sonoros que o Batman emitia ao colidir com a tubarão. West sorriu e disse que isso não importava, considerando o quão falsa a tubarão parecia.

Além disso, no meio dessa cena icónica, há um erro. Quando Robin estende o spray repelente de tubarões ao Batman, ele está pendurado de cabeça para baixo bem acima do Batman. Mas quando Batman usa o spray no tubarão, Robin misteriosamente desaparece.

Se olharmos para esta cena hoje, com o seu enorme tubarão de plástico e lutas excessivamente teatrais, ela parece quase absurda. Mas é aí que reside parte do seu encanto. O filme sobre o Batman não tentava ser levado a sério. Era uma sátira divertida ao género dos super-heróis, usando adereços exagerados e humor absurdo para entreter os espectadores que precisavam de uma pausa das realidades difíceis da década de 1960.

O legado duradouro do filme «Batman» de 1966
Apesar da sua vulgaridade e erros ocasionais no guarda-roupa, o filme «Batman» de 1966 manteve um lugar nostálgico e querido na cultura pop. É uma cápsula do tempo que capturou aquele momento da história em que os super-heróis eram divertidos, levianos e não carregavam todo o peso do mundo nos ombros.

Enquanto conhecemos o Batman como uma figura sombria e pensativa, o filme de 1966 nos presenteou com um Batman cheio de gadgets, cores e humor.

Por exemplo, por volta dos 15 minutos, o Pinguim diz a frase: «Vamos ficar juntos, ou, mais provavelmente, vamos ficar todos separados». Esta frase jocosa, que soa como uma ameaça vilã, foi na verdade proferida por Benjamin Franklin durante a Revolução Americana, quando ele temia ser acusado de traição pelos seus colegas delegados.

É uma reviravolta engraçada no filme, mostrando que mesmo os vilões de Gotham não resistem a uma pequena lição de história — e tudo isso de forma leve e divertida.

E por volta de 1:40:00, um dos delegados do Mundo Unido começa a bater com o sapato na mesa e a gritar. Esta é uma referência ao famoso golpe com o sapato do líder soviético Nikita Khrushchev durante os debates na Assembleia Geral da ONU em 1960.

Problemas no guarda-roupa, supervilões e até tubarões falsos — tudo isso se tornou a base de uma história inesquecível do cinema. Você se lembra deste filme? E você percebeu algum desses erros hilários?