Erros embaraçosos e segredos do «Rocky Horror Show»

Há alguns dias, voltei a ver «O Espetáculo do Terror de Rocky Horror» — e naquele momento em que o Tim Curry sai do elevador? Fiquei imediatamente cativado. Desde o primeiro passo até à última nota — ele domina cada fotograma. E a Susan Sarandon? Ouro puro.

Não importa se vai ver o filme pela primeira vez ou se é um ritual de Halloween, este clássico de culto é uma viagem alucinante por fantasia, sexo e rock ‘n’ roll.

Aqui estão os factos mais estranhos, engraçados e alucinantes que (talvez) nunca tenha sabido sobre «O Espetáculo de Terror de Rocky Horror».

Por que é que Tim Curry conseguiu este papel
Falar do filme «O Espetáculo de Terror de Rocky Horror» sem mencionar Tim Curry? É impossível! Foi a estreia de Tim Curry no cinema, e ele interpretou com perfeição o papel do Dr. Frank-N-Furter, um cientista extraterrestre travesti que cativa a atenção desde a primeira cena.

A razão pela qual Curry aceitou este papel no cinema deve-se ao facto de já ter interpretado a mesma personagem na peça teatral de 1973, escrita por Richard O’Brien.

O espetáculo «O Espetáculo de Terror de Rocky Horror» acumulou a incrível marca de 2 960 apresentações em Londres, e a interpretação eletrizante de Tim Curry foi o coração de toda a produção; por isso, quando chegou a altura de selecionar os atores para a versão cinematográfica, convidá-lo era simplesmente impossível.

Um homem musculoso que sabe cantar
A história de como Curry conseguiu o papel é, na verdade, bastante engraçada e diz muito sobre a sua autoconfiança enquanto jovem ator em início de carreira.

«Tinha ouvido falar da peça porque morava na Paddington Street, perto da Baker Street, e a poucas portas de lá ficava um antigo ginásio. Vi o Richard O’Brien na rua e ele disse que tinha acabado de passar pelo ginásio para ver se conseguia encontrar um homem musculoso que soubesse cantar. Perguntei: «Para que precisas que ele cante?» [E ele disse-me que o seu musical ia ser produzido e que eu devia falar com o Jim Sharman. Ele deu-me o guião e eu pensei: «Meu Deus, se isto resultar, vai ser um sucesso», diz Curry.

Carrie engordou depois do filme — para disfarçar
O filme «O Espetáculo de Terror de Rocky Horror» tornou Carrie conhecido do grande público e trouxe-lhe fãs dedicados. No entanto, durante muitos anos, Carrie não se atreveu a falar sobre o filme, porque teve de lidar com fãs demasiado entusiásticos.

Ele contou à VH1 que chegou mesmo a ganhar peso para parecer «gordinho e simples». Foi uma tentativa de se distanciar do papel de Frank.

Agora, fala com mais tranquilidade sobre o filme e até o considera um «rito de passagem» para os adolescentes.

Em 2015, Curry afirmou que o filme era «uma festa de fim de semana garantida, à qual se pode ir com ou sem namorado(a) e, quem sabe, encontrar alguém, se ainda não tiveres, além de ser uma oportunidade para as pessoas experimentarem vários papéis, percebes? Descobrir, ajudá-las, talvez, a compreender a sua própria sexualidade».

Não foi um passeio
As filmagens de «O Espetáculo de Terror de Rocky Horror» não foram um passeio no parque para todos os participantes. Ao contrário da atmosfera desenfreada do espetáculo teatral, no set de filmagens tudo era muito profissional. A filmagem durou apenas cinco semanas, pelo que os atores e a equipa de filmagem tinham de chegar ao estúdio todos os dias de manhã cedo — especialmente Tim Curry, cuja maquilhagem complexa demorava quatro horas a aplicar. Acabou por aprender a fazê-la ele próprio, para poupar tempo.

Como o Meat Loaf interpretou a canção
Ao rever «O Espetáculo do Horror de Rocky Horror», reparo sempre num momento engraçado em que ninguém menos que o Meat Loaf aparece no papel de Eddie. Há imensas histórias fantásticas dos bastidores associadas a ele, mas qual é uma das minhas favoritas?

Richard O’Brien estava preocupado que o Meat Loaf não conseguisse acompanhar a música «Hot Patootie — Bless My Soul», que tem um ritmo acelerado. Por isso, entregou-lhe a partitura e disse: «Não faz mal se ele saltar umas duas linhas. De qualquer forma, ninguém do elenco londrino cantou esta canção corretamente.» O Meat Loaf olhou para ele e respondeu com indiferença: «E qual é o problema?» — E depois, à primeira tentativa, interpretou a canção na perfeição.

A entrada dramática não estava planeada
Um dos momentos mais marcantes do filme é quando o Dr. Everett V. Scott irrompe em cena, embatendo diretamente contra a parede. Por incrível que pareça, essa entrada dramática não estava inicialmente planeada — aconteceu porque a equipa de filmagem se esqueceu de incluir uma porta adicional no laboratório.

O reconhecimento real chocou Curry
Os fãs do «Rocky Horror Show» espalham-se por todo o mundo, mas uma das fãs mais inesperadas e famosas foi a princesa Diana. Quando Tim Curry se apresentava na Áustria, informaram-no de que a princesa queria encontrá-lo. Quando finalmente foram apresentados um ao outro, Diana esboçou um «sorriso malicioso» e disse que «O Espetáculo do Horror de Rocky» «completou na perfeição a minha educação».

Carrie partilhou esta história durante uma entrevista no programa «Fresh Air» com Terry Gross, contando como conheceu o rei Carlos III e a princesa Diana após a apresentação de «Amor por Amor». Recordou como o colocaram no fim da fila para a audiência. O príncipe Carlos admitiu, de forma educada mas vaga, que tinha visto Curry «na televisão», mas a reação de Diana foi inesquecível. O seu comentário sincero sobre a forma como o filme de culto a tinha marcado apenas confirmou o quão profunda foi a ressonância que este provocou, mesmo entre os membros da família real.

Quando o método de representação se tornou demasiado real
Não sei se repararam nisso, especialmente se forem verdadeiros fãs de «Rocky Horror», mas durante a cena icónica do jantar, Barry Bostwick deixou-se levar pela emoção e, sem querer, bateu com o punho na mesa — mesmo na mão de Susan Sarandon. A reação dela?

Dor absolutamente real. Mas ela vingou-se (sem querer) mais tarde, em «The Show on the Floor», quando lhe pisou o pé com o seu salto alto. A careta dele, captada pela câmara? Também 100% genuína. É o que se chama de vingança acidental — com um toque de glamour…

Susan Sarandon
As filmagens decorreram no outono e no inverno de 1974 no Reino Unido, principalmente nos estúdios Bray Studios e numa antiga mansão rural chamada Oakley Court.

Ao que tudo indica, fazia frio no set e não havia casas de banho. Barry Bostwick, que interpretou Brad Majors, conta que estava sempre molhado porque o castelo tinha infiltrações. Os atores tinham uma única «sala quente» com aquecedores para se aquecerem, mas sabem que mais? Essa sala acabou por pegar fogo.

Quando Susan Sarandon manifestou as suas preocupações, a direção do estúdio ignorou-as. Após as filmagens de uma cena na piscina, com um traje revelador, ela contraiu pneumonia. Richard O’Brien recordou que ela «tremia de febre» e «deveria estar sob observação médica», mas recusou-se a interromper o trabalho, e ninguém entre os espectadores reparou no seu corpo exausto nem no seu estado de saúde.

A propósito, quanto a Barry Bostwick: ele e Susan Sarandon namoraram mesmo durante as filmagens. Richard O’Brien revelou isso por acaso ainda em 2013.

A cena que quase se tornou uma cena de nudez
Ao interpretar Janet Weiss, a sensual protagonista do filme, Sarandon esteve em diferentes graus de nudez ao longo de todo o filme. Um dos momentos mais marcantes de Janet é o seu despertar sexual durante a canção «Touch-A-Touch-A-Touch Me», interpretada em frente a Rocky, interpretado por Peter Hinwood, que na altura era modelo.

«O Peter era, sem dúvida, o mais tímido e calado. Acho que ele ficou traumatizado por ter de filmar esta cena comigo», recorda Sarandon.

Os realizadores do filme queriam que Susan Sarandon se despisse completamente para esta cena, mas ela recusou — apesar de já ter aparecido nua noutros filmes.

No entanto, esperavam que ela se despisse completamente para esta canção icónica do filme «Rocky Horror», de Peter Hinwood. Sarandon manteve a sua posição e não se despiu completamente.

No entanto, a sua atuação ousada chamou a atenção da Playboy e, durante os anos que se seguiram, tentaram convencê-la a posar nua. Numa entrevista de 1991, ela afirmou: «Eles perseguem-me desde os tempos do “Rocky Horror Show”.»

Susan Sarandon não quer falar sobre o filme
Susan Sarandon contou que nunca planeou fazer o casting para o papel de Janet. Ela simplesmente foi ao set para visitar o seu amigo Tim Curry.

Os produtores repararam nela e perguntaram-lhe se não queria fazer o casting. Tinham ouvido bons cantores, mas não encontraram ninguém que conseguisse trazer o humor necessário à personagem de Janet. Sarandon recusou inicialmente, dizendo que não gostava muito de cantar e que até tinha um pouco de medo de o fazer.

Quando lhe perguntaram se poderia, pelo menos, cantar «Parabéns a você», ela concordou — e isso foi suficiente para os convencer. Gostaram da sua atuação e convidaram-na para o casting, mas Sarandon admite que foi um feliz acaso. Ela também manifesta descontentamento pelo facto de nenhum dos atores ter recebido qualquer remuneração pelas vendas do DVD, razão pela qual, por vezes, não quer falar sobre o filme.

Chove ou não?
Na cena «No Lugar de Frankenstein», quando a Janet usa o jornal para proteger a cabeça da chuva, o adereço foi propositadamente coberto com plástico para aguentar ser molhado várias vezes.

No entanto, o plástico não cobriu todo o jornal — um canto, onde Susan Sarandon o segurava, ficou descoberto, para manter o aspeto natural. Enquanto da maior parte do jornal escorre visivelmente água, o canto que ela segura na mão permanece seco, o que dá a entender que parte do adereço, na verdade, não se molhou.

Além disso, o casaco de Janet, durante a canção «Over at the Frankenstein Place», começa por ser azul, mas quando ela encontra o Riff Raff, torna-se, como por magia, branco.

E mais um pormenor engraçado do guarda-roupa da Janet, ao qual vale a pena prestar atenção na próxima vez que vir o filme. Logo no início, os sapatos dela são pretos, mas quando ela e o Brad chegam ao laboratório, tornam-se misteriosamente brancos.

Uma reviravolta inesperada na cadeira de rodas
No momento culminante do filme, quando a Magenta e o Riff Raff se preparam para transportar o castelo, o Brad e a Janet levam o Dr. Scott para longe do local dos acontecimentos. Depois de o castelo explodir e ser lançado pelos ares, os três ficam espalhados pelo terreno.

É curioso que o Dr. Scott esteja deitado sobre os destroços da cadeira de rodas — apesar de, apenas alguns minutos antes, ele não a ter utilizado.

Considerado um impostor
Quando Tim Curry vivia em Nova Iorque, reparou em fãs que se vestiam a rigor para as sessões da meia-noite do «Rocky Horror Show». Curioso, ligou para o teatro e perguntou se poderia juntar-se a uma das sessões. Os fãs ficaram contentes por vê-lo, mas os funcionários do teatro não acreditaram que fosse realmente o Tim Curry e chamaram-no de «impostor», chegando mesmo a expulsá-lo.

Depois de Curry ter confirmado a sua identidade, os funcionários pediram desculpa, mas, nessa altura, ele já tinha decidido não voltar. Imaginem só o quão embaraçoso deve ter sido para aqueles funcionários que se enganaram ao avaliar a estrela…

E quais são as vossas memórias favoritas deste filme clássico? Há algum erro ou história dos bastidores que, na vossa opinião, eu tenha deixado escapar e que deva, sem dúvida, constar nesta lista? Não hesitem em partilhar as vossas opiniões nos comentários!