As fotos dela estavam praticamente em todas as páginas públicas. Muitos chamam-na de «vampira», pois é a ela que a mulher mais se parece. Só que ninguém sabe quem se esconde por trás das tatuagens, dos piercings e dessa transformação fenomenal.
Maria José é natural do México. Segundo recordam os seus conhecidos, era uma rapariga muito calada, modesta e obediente. Dedicava-se ao estudo do Direito e queria construir uma vida confortável. Ninguém poderia imaginar que aquela «ratinha cinzenta» se transformaria, anos mais tarde, numa sensação mundial. E agora é considerada um símbolo de autoexpressão radical.

O ponto de partida e o desejo de se expressar desta forma surgiram aos 14 anos. E os anos que se seguiram contribuíram para que a Maria entrasse no Livro dos Recordes do Guinness. A verdade é que ela se submeteu a mais de 50 intervenções radicais, que transformaram radicalmente o seu corpo. A língua bifurcada, os implantes, dezenas de tatuagens e piercings contribuíram para que a mulher se tornasse irreconhecível. Só que as suas decisões não estão relacionadas com o desejo de ficar mais bonita ou de impressionar alguém. Trata-se de uma manifestação da dor vivida e de um símbolo da liberdade que ela conquistou após um casamento difícil.

Nas palavras de Maria, o corpo é uma tela e o sistema circulatório é arte. Ela considera as suas tatuagens sagradas e trata-as com muito carinho, equiparando-as a algo de valor inestimável. Todas as intervenções foram uma forma de demonstrar amor por si própria, e não um ato de rebeldia, razão pela qual muitos interpretam erroneamente o seu estilo de vida.
Algumas pessoas admiram-na, enquanto outras a criticam. No entanto, isso não faz com que a mulher duvide da sua escolha, pois ela não precisa da aprovação dos outros. Ela vai contra as regras e quebra os estereótipos, o que a torna especial na sociedade.

Hoje em dia, ela é associada à resistência e à força, pois nem toda a gente é capaz de se expressar assim. Ela tenta recuperar o controlo sobre a sua vida e alcançar a harmonia interior através da expressão exterior. Cada uma das suas cicatrizes ou tatuagens confirma que ela conseguiu superar as dificuldades e sobreviver, demonstrando o seu carácter forte e a sua sede de vida.
Como podem ver, a verdadeira coragem pode manifestar-se de várias formas. Se quisermos, podemos transformar o medo em amor-próprio e a dor em beleza.
