Ele pediu o divórcio três dias antes do Ano Novo…

Mia saiu correndo feliz de volta para a sala.

Depois de terminar a cozinha, Kate foi para a lavanderia dobrar as roupas. O vento gelado de dezembro tornava tudo congelante lá fora, e as toalhas penduradas no varal estavam rígidas de frio. Ela trouxe tudo para dentro. As roupas ainda estavam mornas da secadora e carregavam um leve cheiro de inverno — as camisas sociais de Michael, os casacos de fleece das crianças, suas próprias leggings de academia.

Todas aquelas peças misturadas pareciam simbolizar perfeitamente aquela família: aparentemente unida por fora, mas composta por indivíduos completamente diferentes em essência.

Às nove da noite, Kate levou as crianças para o banho. Leo já conseguia se virar sozinho, mas Mia ainda precisava de ajuda. O banheiro estava tomado pelo vapor quente, e o corpinho da menina era macio e aquecido. Kate ensaboava cuidadosamente os cabelos da filha quando Mia perguntou de repente:

— Mamãe… por que o papai fica sempre trancado no escritório?

— Porque ele precisa trabalhar.

— Mas o pai da Khloe não trabalha em casa. Ela disse que ele brinca de Lego com ela depois do trabalho.

As mãos de Kate pararam por um breve instante.

— Cada pai tem um trabalho diferente — respondeu ela suavemente.

Mia pareceu aceitar a resposta apenas pela metade, mas logo voltou a brincar com as bolhas de espuma.

Depois de secar os cabelos das crianças, contar uma história antes de dormir e cobri-las com o edredom, já eram quase dez da noite. Kate fechou lentamente a porta do quarto infantil e permaneceu parada no corredor por alguns segundos, respirando fundo.

Somente naquele horário a casa finalmente ficava silenciosa.

Mesmo que suas poucas horas livres fossem quase sempre usadas para organizar a casa e preparar o dia seguinte, pelo menos ela conseguia sentir um pouco de paz.

Michael continuava no escritório. Uma faixa de luz escapava por baixo da porta, e ela conseguia ouvir vagamente sua voz ao telefone. O tom dele era leve, descontraído… havia até um sorriso escondido naquelas palavras.

Não era o sorriso automático que ele reservava para ela e as crianças.

Era um sorriso genuíno.

Kate permaneceu alguns segundos diante da porta, mas não bateu. Apenas se virou e entrou no quarto principal.

Na última gaveta do criado-mudo, ela retirou um caderno preto da marca Moleskine. As bordas já estavam desgastadas pelo tempo. Michael havia dado aquele diário de presente no ano em que se casaram.

Na época, ele dissera:

— Katie, escreva aqui tudo o que sentir. Quando envelhecermos, vamos reler tudo juntos. Vai ser divertido.

Kate abriu o caderno.

As páginas estavam cheias de anotações densas, mas não eram declarações românticas. Eram registros frios, planejamentos e diálogos consigo mesma.

Na página mais recente estava escrito:

“19 de dezembro de 2025. Faltam três meses para atingir o objetivo. Continue firme.”

Ela pegou a caneta e acrescentou outra frase:

“Hoje tudo pareceu normal. Ele recebeu duas ligações e evitou minha presença nas duas vezes. Mia perguntou por que o pai nunca brinca com ela. Não soube responder.”

Depois de escrever, guardou o diário novamente no fundo da gaveta e o cobriu com alguns livros.

Em seguida, foi ao banheiro, trocou de roupa e se deitou na cama.

A foto do casamento ainda permanecia pendurada acima da cabeceira. Na imagem, Kate tinha apenas vinte e quatro anos. Sorria intensamente, com os olhos cheios de brilho e esperança. Michael a abraçava pelos ombros, parecendo igualmente apaixonado.

Doze anos haviam passado.

A fotografia estava desbotada.

Assim como o amor deles.

Kate apagou a luz do abajur e permaneceu imóvel na escuridão, com os olhos abertos. Escutou a porta do escritório se abrir. Depois ouviu os passos de Michael pelo corredor e o som do banheiro de hóspedes sendo usado.

Eles dormiam em quartos separados havia três anos.

A justificativa dele era simples: trabalhava até tarde e não queria incomodá-la.

Poucos segundos depois, a porta do quarto de hóspedes se fechou silenciosamente.

Kate virou para o lado e fechou os olhos.

Ela não precisava olhar o celular do marido para saber que, naquele momento, ele provavelmente trocava mensagens com outra mulher — talvez Jessica… ou talvez alguma outra cujo nome ela ainda desconhecia.

Três anos antes, ela havia descoberto mensagens suspeitas no telefone dele, perfumes desconhecidos impregnados nas roupas e o aumento repentino das “horas extras” no trabalho e nos fins de semana.

Ela o confrontou.

Michael explicou que era apenas uma colega de trabalho, exigências profissionais, e que ela estava imaginando coisas demais.

Kate escolheu acreditar.

Ou melhor…

Escolheu fingir que acreditava.

Porque naquela época ela não tinha emprego, renda própria nem qualquer possibilidade real de recomeçar. Os filhos ainda eram pequenos, e ela não suportava a ideia de destruir a imagem de uma família “perfeita”.