Documentos que, naquele momento, ela não estava a ler com especial atenção…

Clara não se mexeu.

Não respondeu.

A batida repetiu-se.

Desta vez, mais suave.

— Serviço de quartos.

Mentira.

Ela não tinha pedido nada.

O silêncio voltou.

Ainda mais longo.

Ainda mais denso.

E depois… o som do cartão a tentar abrir a porta.

Foi então que Clara se levantou.

Sem fazer barulho.

Pegou na mala.

E saiu pela porta das traseiras, que tinha deixado entreaberta há algumas horas.

Não ficou à espera para ver quem entraria.

Não precisava disso.

Porque agora compreendia melhor do que nunca.

Já não era um aviso.

Era uma caçada.

Ela desceu pela escada de incêndio.

Andar após andar.

Sem parar.

O coração batia rápido, mas a mente… estava completamente lúcida.

Quando saiu para a rua, o ar frio bateu-lhe no rosto.

E, pela primeira vez desde que tudo começou, ela esboçou um sorriso quase imperceptível.

Não por alívio.

Mas por confiança.

Eles cometeram um erro.

Pensavam que estavam a perseguir alguém que fugia.

Mas Clara já não fugia.

Ela estava a aprender.

E quando uma pessoa sabe o suficiente…

Ele deixa de ser uma presa.

Na manhã seguinte, Diego acordou com uma notícia que não esperava.

Não era um telefonema.

Não era uma ameaça.

Era algo muito mais simples.

Uma notificação oficial.

O nome de Clara.

Num documento oficial.

E uma palavra que eles não tinham previsto.

Investigação.

Pela primeira vez na casa da família Hernández…

O silêncio não era controlo.

Era medo.