— Você não precisa assumir essa responsabilidade.
Taylor ergueu os olhos.
Parecia genuinamente confuso.
— Você é minha esposa.
— Por mais três meses.
O maxilar dele se contraiu.
— Você realmente acredita que essa frase não significa nada para mim agora?
Ela não respondeu.
Porque não sabia como responder.
O problema com homens como Taylor não era a falta de sentimentos.
Era justamente o contrário.
Eles sentiam tudo intensamente.
Mas, muitas vezes, apenas por um curto período.
Depois moldavam o mundo novamente para que coubesse dentro de suas zonas de conforto.
Taylor esfregou as mãos sobre o rosto.
Respirou fundo.
— Eu sei que não mereço sua confiança.
A voz dele estava mais baixa.
— Sei que toda essa situação começou por causa da minha arrogância. Mas estou pedindo que me deixe ajudar.
— Por quê?
Ele a encarou.
Havia algo quase partido naquele olhar.
— Porque eu me importo com você.
Maya observou o acesso intravenoso preso ao braço.
— As pessoas dizem isso quando estão assustadas.
— Então eu estou assustado.
A voz falhou pela primeira vez.
— Estou apavorado, Maya. É isso que você precisa ouvir? Tudo bem. Estou apavorado.
A sinceridade daquela confissão a imobilizou.
Taylor continuou:
— Não sei exatamente quando isso deixou de ser apenas um contrato para mim. Talvez naquela primeira manhã em que você tomou aquele café horrível na minha cozinha e disse que meu apartamento parecia um hotel de luxo construído para fantasmas.
Apesar de tudo, Maya quase sorriu.
— Talvez tenha sido quando percebi que você nunca me pediu nada. Talvez tenha sido naquela festa, quando ouvi aquelas mulheres falando de você e tive vontade de incendiar o salão inteiro.
Ele balançou a cabeça.
— Talvez tenha sido tudo isso junto. Não sei. Mas sei de uma coisa: não consigo mais ficar sentado assistindo você fingir que isso não importa.
Os olhos de Maya se encheram de lágrimas.
— Taylor…
— Não.
Ele se inclinou para frente.
Os olhos fixos nos dela.
— Deixe-me dizer isso da pior forma possível, se for necessário. Não estou oferecendo pena. Não estou tentando comprar redenção. Estou dizendo que, se existe um caminho para seguir adiante, eu quero caminhar nele com você. E se você decidir que não me quer ao seu lado, vou respeitar. Mas não me diga que eu não sinto nada apenas porque você tem medo de acreditar no contrário.
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
Durante meses Maya acreditara que a coisa mais perigosa em sua vida era a doença escondida dentro do peito.
Agora existia algo novo.
Esperança.
Retornando em uma forma que ela não havia pedido.
E que não sabia se conseguia confiar.
Sua voz saiu quase inaudível.
— Eu não quero ser salva.
A expressão dele suavizou.
Não era pena.
Era algo mais profundo.
Algo conquistado.
— Então não seja salva.
Taylor segurou seu olhar.
— Lute. E me deixe ficar ao seu lado enquanto você luta.
Maya virou o rosto.
As lágrimas finalmente haviam vencido.
E ela não queria que ele as visse.
Pouco depois sentiu a mão dele repousar suavemente sobre a sua.
Sem apertar.
Sem exigir.
Sem pedir nada.
Apenas permanecendo ali.
E, pela primeira vez em muitos meses, Maya dormiu sem acordar assustada.
Quando o sol nasceu, Nova York parecia renovada.
A luz clara da manhã subia lentamente pelos prédios visíveis através da estreita janela do hospital.
Em algum lugar abaixo, um caminhão fazia entregas.
Enfermeiros trocavam de turno.
O cheiro de café fresco chegava pelos corredores.
Taylor continuava ali.
Não tinha ido embora.
Alguém lhe dera um cobertor durante a madrugada.
Ele permanecia dobrado sobre a cadeira, sem uso.
Taylor estava de pé diante da janela.
Uma xícara descartável em uma das mãos.
O telefone na outra.
Falava com alguém usando aquele tom objetivo e eficiente que Maya conhecia das reuniões corporativas.
— Não.
Fez uma pausa.
— Adie a reunião.
Outra pausa.
— Deixe Daniel cuidar da atualização da fusão.
Silêncio.
— Não me importa se Londres não está satisfeita. Eles sobreviverão à frustração por quarenta e oito horas.
Escutou novamente.
Depois respondeu:
— Eu disse que estou indisponível.
Nova pausa.
— Porque minha esposa está hospitalizada.
O maxilar endureceu.
— Então explique melhor.
Ele desligou.
Ao vê-la acordada, seus ombros relaxaram imediatamente.
— Você faz isso soar convincente — murmurou Maya.
Taylor aproximou-se e pousou o café sobre a mesa.
— Porque é verdade.
— Você está cancelando o trabalho?
— Estou reorganizando.
— Por minha causa?
— Por nós.
Disse aquilo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Pouco depois das nove horas, a Dra. Lee voltou trazendo os resultados atualizados.
As notícias eram encorajadoras.
Os indicadores haviam melhorado durante a noite.
Os danos existiam.
