Bilionário casou-se com uma rapariga gorda por uma aposta de 5 milhões de dólares, mas a transformação dela deixou-o chocado!

O som da risada chegou até ela antes de qualquer outra coisa.

Não foram as palavras. Nem mesmo o tom. Apenas aquela explosão de riso feminino, leve e despreocupada, vinda do outro lado do salão — o tipo de gargalhada que as pessoas soltam quando se sentem seguras para serem cruéis.

Maya Brown permanecia ao lado de um enorme arranjo de orquídeas brancas que se erguia quase até o teto do Grand Astor Hotel. Uma de suas mãos envolvia a haste fina de uma taça de champanhe que ela não tocava havia mais de vinte minutos. À distância, observava três mulheres cobertas de joias e vestidos luxuosos fingindo não encará-la. O salão inteiro brilhava com riqueza. Lustres de cristal lançavam reflexos dourados pelas paredes espelhadas, enquanto garçons silenciosos deslizavam entre os convidados carregando bandejas de prata. Do lado de fora, Manhattan estava mergulhada na escuridão fria de uma chuva de primavera recém-caída. Ali dentro, porém, tudo parecia cuidadosamente polido para refletir luz.

Ela já sabia que aquilo aconteceria.

Soube no exato instante em que Taylor lhe disse que precisava comparecer ao evento.

— É importante para a empresa — afirmara ele naquela tarde.

Estava parado à porta da suíte que havia reservado para ela em sua cobertura luxuosa. Já vestia a camisa do smoking, e os abotoaduras reluziam sob a iluminação suave.

— As pessoas esperam ver minha esposa.

Esposa.

Mesmo depois de três meses daquele acordo improvável, a palavra ainda parecia afiada.

Maya ergueu os olhos do livro que fingia ler e respondeu:

— Então talvez você devesse ter se casado com alguém que elas considerassem mais fotogênica.

Taylor ficou imóvel por um breve instante.

— Você não vai se esconder por causa delas.

— Não — respondeu ela. — Vou porque assinei os documentos. Nada além disso.

E agora estava ali.

Sob luzes de hotel que pareciam destacar cada imperfeição, cada detalhe, cada olhar lançado em sua direção.

Seu vestido azul era simples, discreto e já tinha alguns anos. Ainda assim, estava impecavelmente passado. Ela usava brincos de pérola que haviam pertencido à sua avó e sapatos de salto baixo escolhidos por pura praticidade. Sabia que jamais sobreviveria a uma noite inteira em um daqueles saltos extravagantes feitos apenas para impressionar. Os cabelos estavam presos com cuidado, sem extravagância. Fizera tudo o que podia para não chamar atenção.

Mas nada disso importara.

Perto do bar, uma das mulheres inclinou a cabeça em sua direção e sussurrou algo para as amigas. Outra sequer se preocupou em disfarçar. Olhou diretamente para Maya, os lábios curvando-se em um sorriso de desdém.

Então a risada voltou.

Desta vez, mais alta.

Maya mudou o peso do corpo de uma perna para a outra. Os tornozelos estavam inchados. Havia também aquela pressão familiar no peito — não exatamente dor, mas um aviso constante que a fazia perceber cada respiração.

Disse a si mesma que precisava permanecer firme.

Ficar.

Sorrir, se fosse necessário.

Aguentar mais uma hora.

Ir embora.

Então ouviu claramente uma das mulheres comentar, em uma voz calculadamente despreocupada:

— Eu continuo achando que isso foi alguma espécie de estratégia de marketing. Não existe a menor chance de Taylor King ter se casado com ela por vontade própria.

Seguiu-se um breve silêncio.

Outra voz respondeu, suave e divertida:

— Talvez seja caridade.

As três caíram na gargalhada.

Maya baixou os olhos para o champanhe intacto.

Pequenas bolhas subiam lentamente pelo vidro e desapareciam na superfície, como fracassos silenciosos.

Seu rosto permaneceu sereno.

Anos sendo observada, julgada e analisada haviam lhe ensinado a esconder emoções.

Mesmo assim, sua mão tremeu uma única vez.

E ela odiou a possibilidade de que alguém tivesse percebido.

— Com licença — murmurou baixinho, mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa.

Virou-se para sair.

Mas não conseguiu dar nem dois passos.

Uma mão segurou a sua.

Taylor.

Ela sequer o tinha visto se aproximar.

Ele possuía aquela estranha habilidade de atravessar ambientes como se o espaço se abrisse automaticamente à sua passagem.

Alto, elegante, com mais de um metro e oitenta, vestindo um smoking impecavelmente ajustado sobre os ombros largos. Os cabelos escuros estavam penteados para trás, e o maxilar definido parecia ainda mais marcante sob a luz dos lustres.

Era o tipo de homem que chamava atenção antes mesmo que as pessoas percebessem que estavam olhando.

A riqueza parecia fazer parte dele.

A confiança também.

Normalmente isso o tornava inacessível.

Naquele instante, porém, fazia dele alguém perigoso.

— Não vá — disse em voz baixa, apenas para ela ouvir.

— Está tudo bem.

Os olhos dele percorreram seu rosto.

Depois seguiram na direção das mulheres perto do bar.

— Não — respondeu calmamente. — Não está.