«Não me culpe por isso», interrompeu Frank. «Você concordou com o plano.»
Miriam observava a sua filha murchar sob o olhar do marido. Naquele momento, ela percebeu claramente o que estava a acontecer entre eles, e o seu coração se partiu novamente.

«Pamela», disse ela baixinho. «Venha comigo para casa. Podemos consertar tudo. Consertar tudo.»
Por um instante, a esperança brilhou nos olhos de Pamela. Então, a mão de Frank apertou o ombro dela.
«Não vamos a lado nenhum», disse ele com determinação. «A nossa vida agora é aqui. Temos tudo o que precisamos.»
Os ombros de Pamela caíram. «Desculpa, mãe», sussurrou ela. «Não consigo.»
Miriam ficou parada, olhando para os estranhos em que sua filha e seu genro se transformaram. Sem dizer mais nada, ela se virou e saiu da sala.

Depois disso, ela não conseguiu aproveitar as férias e imediatamente mudou seus planos. Mas a viagem de volta para casa passou como um sonho.
Miriam agia no piloto automático, repetindo mentalmente a confrontação que tinha ocorrido. O que ela deveria fazer? A encenação da morte era ilegal? Será que Frank estava a esconder mais alguma coisa?
No entanto, quando chegou à sua casa vazia, ela tomou uma decisão. Não iria denunciá-los. Pelo menos por enquanto.
Ela deixaria a porta aberta, na esperança de que um dia Pamela entrasse.

Três anos se passaram.
Miriam tentou seguir em frente, mas o peso desse segredo e a dor da traição não a abandonavam. Um dia chuvoso, alguém bateu à sua porta.
Miriam abriu a porta e viu Pamela, que estava na varanda, molhada pela chuva, abraçada a si mesma, parecendo completamente perdida.
«Mãe», disse Pamela com voz trêmula. «Posso entrar?»

Miriam hesitou, depois se afastou.
Pamela entrou na casa, deixando marcas de água no chão de madeira. Na luz forte da entrada, Miriam viu como a sua filha tinha mudado.
As roupas de marca e o cabelo perfeitamente penteado tinham desaparecido, substituídos por jeans gastos e um penteado desleixado. Havia olheiras escuras sob os olhos.
«O que aconteceu?», perguntou Miriam, esforçando-se por manter um tom neutro.

Pamela sentou-se no sofá, com os ombros curvados. «Perdi tudo», sussurrou ela. «O dinheiro, a casa, tudo. Frank… ele envolveu-se em investimentos mal sucedidos. Começou a jogar. Tentei impedi-lo, mas…»
Ela levantou a cabeça e, pela primeira vez, olhou para Miriam. «Ele foi-se embora. Levou o que restava e desapareceu. Não sei onde ele está.»
Miriam sentou-se em frente à filha, refletindo sobre a informação recebida.

Miriam queria consolar Pamela, abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. Mas as feridas ainda estavam muito recentes, a traição era muito profunda.
«Porque estás aqui, Pamela?», perguntou ela baixinho.
Os lábios de Pamela tremeram. «Eu não sabia para onde mais ir. Sei que não mereço a tua ajuda depois de tudo o que fizemos. Como fui egoísta. Mas eu… Sinto a tua falta, mãe. Sinto muito. Por tudo isso.»

Um silêncio pairou entre elas, porque Miriam não sabia o que fazer. Era exatamente isso que ela queria desde aquele dia nas Bahamas.
Por isso, ela estudou o rosto da filha, procurando nele sinais da rapariga que conhecia antes. Após alguns minutos, Miriam suspirou.
«Não posso simplesmente perdoar e esquecer, Pamela. O que tu e o Frank fizeram… foi mais do que apenas uma mentira. Acho que vocês infringiram a lei. Fingir a morte pode não ser totalmente ilegal, mas aposto que vocês não pagaram impostos sobre esse dinheiro. Além disso, você magoou muitas pessoas, não apenas a mim.»

Pamela acenou com a cabeça e novas lágrimas escorreram por suas bochechas. «Eu sei», ela sussurrou. «E você está certa. Em parte, Frank queria ir embora para não pagar impostos. Todo o resto… o fato de ele não querer voltar para a família… bem, isso foi apenas a cereja no topo do bolo.»
«Se queres corrigir a situação comigo e com todos os outros», continuou Miriam, com voz firme, «terás de enfrentar as consequências. Isso significa ir à polícia. Contar-lhes tudo. Sobre as mortes encenadas e tudo o resto que vocês dois fizeram com esse dinheiro. Tudo.»
Os olhos de Pamela arregalaram-se de medo. «Mas… eu posso ir para a prisão.»

«Sim», concordou Miriam. «Podes. Não quero que faças isso, mas é o único caminho a seguir. A única maneira de realmente expiar a tua culpa.»
Durante um longo minuto, Pamela ficou parada no lugar, cheirando levemente. Então, ela acenou lentamente com a cabeça. «Está bem», disse ela baixinho. «Eu farei isso. Custe o que custar.»
Miriam sentiu um lampejo de orgulho surgir por entre a raiva e a mágoa. Talvez a sua filha não estivesse totalmente perdida. O facto de ela estar longe de Frank definitivamente lhe fez bem.

«Está bem», disse ela, levantando-se. «Vamos vestir-te com roupa seca. Depois, vamos para a estação.»
Quando, algum tempo depois, saíram para o carro, Pamela hesitou. «Mãe?», perguntou ela. «Tu… tu vais ficar comigo? Enquanto eu falar com eles?»
Miriam fez uma pausa, depois estendeu a mão e apertou a mão da filha, permitindo-se sentir e demonstrar novamente todo o amor que sentia por ela. «Sim», disse ela com calor e desespero. «Eu vou com certeza».
«Obrigada», Pamela acenou com a cabeça e respirou fundo. De repente, a expressão do seu rosto mudou. A sua boca contraiu-se numa linha firme e os seus olhos encheram-se de determinação. «Vamos lá.»

Aí está a minha menina!
