A minha sogra empurrou-me contra a parede enquanto eu estava grávida de gémeos, a minha cunhada cuspiu-me em cima e roubaram-me o dinheiro das compras porque o meu marido estava «em missão fora». Então, a porta abriu-se com um estrondo, o Marcus entrou acompanhado por dois soldados e disse: «Devolvam o telemóvel à minha mulher. Agora.»

— Ela nem consegue carregar essas crianças direito!

A enfermeira ao meu lado inspirou bruscamente.

Aquela frase destruiu algo dentro de Marcus.

Não houve explosão.

Não houve gritos.

Mas mesmo da cama eu senti.

Algo terminou naquele momento.

Sua voz surgiu baixa.

Quase inaudível.

— Você está culpando minha esposa por um parto prematuro depois de meses aterrorizando ela?

— Eu nunca…

— Você enviou um homem para dentro do nosso quarto enquanto ela dormia.

— Eu estava preocupada.

— Você escreveu sobre minha morte no ultrassom dos meus filhos.

Silêncio.

Ouvi um dos seguranças dizer alguma coisa.

Então surgiu outra voz.

Pequena.

Frágil.

Era Monica.

— Marcus… mamãe está chorando. Você não pode simplesmente conversar com ela?

— Não.

— Por favor.

— Não.

Seguiu-se uma pausa longa.

Então a voz de Brett apareceu.

— Sandra, entregue a pasta para ele.

Meus olhos se arregalaram.

Pasta?

Ouvi papéis sendo manuseados.

Marcus perguntou:

— O que é isso?

Sandra respondeu rápido demais.

— Proteção.

— Para quem?

— Para os bebês.

Vi Marcus virar ligeiramente o corpo.

A luz do corredor iluminou parte do seu rosto.

Ele estava lendo documentos.

Então ficou imóvel.

Completamente imóvel.

A enfermeira observou meu monitor.

Depois olhou para mim.

— Respire devagar, mamãe.

Mas eu não consegui.

Porque Marcus entrou novamente no quarto.

Segurando um documento.

Seu rosto já não demonstrava apenas raiva.

Havia algo pior.

Horror.

Ele aproximou-se da cama.

Nas mãos havia uma folha assinada.

Ou pelo menos uma tentativa de assinatura.

Meu coração afundou.

Reconheci imediatamente o nome.

Marcus Carter.

No final da página.

Mas aquela assinatura não era dele.

Era uma falsificação.

Marcus engoliu em seco.

Sua voz saiu rouca.

— Haley…

Ele me mostrou o documento.

— Isto diz que, se você for considerada incapaz de cuidar das crianças…

Fechei os olhos por um segundo.

Quando os abri novamente, o mundo parecia menor.

Mais frio.

Mais perigoso.

Marcus terminou a frase.

— Minha mãe receberá a guarda temporária dos bebês.

O quarto inteiro desapareceu.

Restou apenas o papel.

A assinatura falsificada.

E um detalhe que fez meu sangue congelar completamente.

Logo abaixo da falsa assinatura…

Alguém havia escrito a data daquele dia.

Como se estivesse tudo pronto.

Esperando apenas o momento certo para ser usado contra nós.

Parte 9

Depois daquilo, o hospital transformou-se numa verdadeira fortaleza.

A segurança retirou Sandra, Monica e Brett da ala de maternidade. A oficial Ramirez retornou acompanhada de outro policial e recolheu a pasta como prova oficial. Um segundo número de ocorrência foi anexado ao primeiro.

Marcus voltou a ligar para o departamento jurídico.

Sua voz estava tão controlada que aquilo me assustava mais do que qualquer explosão de raiva.

Falsificação.

Assédio.

Invasão de propriedade.

Ameaças.

Interferência em cuidados médicos.

As acusações começaram a se acumular até que Sandra deixou de parecer apenas uma sogra difícil e passou a parecer exatamente aquilo que era:

Uma pessoa perigosa.

Permaneci deitada naquela cama de hospital enquanto os monitores dos bebês preenchiam o quarto com seus sons constantes.

Cada vez que o coração da Bebê B desacelerava, parecia que minha própria alma parava junto.

E toda vez que voltava ao ritmo normal, eu tinha vontade de fazer uma promessa silenciosa ao universo:

Nunca permitir que alguém que confundisse amor com posse chegasse perto das minhas filhas.

Na manhã seguinte, as contrações haviam diminuído.

A médica parecia cautelosamente otimista.

— Acho que conseguimos ganhar algum tempo.

Marcus soltou o ar como se estivesse prendendo a respiração desde a noite anterior.

Consegui dormir por duas horas.

Quando despertei, a luz do sol atravessava parcialmente as persianas.

Marcus continuava sentado na mesma cadeira ao lado da cama.

Vestindo as mesmas roupas do dia anterior.

Parecia mais velho do que quando atravessou a porta do apartamento.

— O que aconteceu?

Ele levantou os olhos imediatamente.

— Nada com que você precise se preocupar.

— Marcus.

Ele esfregou o rosto.

— Brett ligou.

Aquela resposta me despertou completamente.

— E?

Marcus permaneceu em silêncio por alguns segundos.

— Ele quer prestar depoimento.

— Contra Sandra?

— Contra Sandra. E talvez contra Monica também.

Pisquei.

— Ele disse que não sabia da falsificação do documento de guarda até ontem à noite.

Observei o rosto de Marcus.

— Você acredita nele?

O maxilar dele endureceu.

— Acredito que ele está com medo.

De certa forma, aquilo bastava.

Naquela mesma tarde, a oficial Ramirez trouxe novas informações.

Brett havia confirmado que Sandra contratara Ron Keller para me vigiar.