Nunca pensei que estaria entre aqueles cujo coração seria partido pela traição — e certamente não por parte de alguém que foi meu melhor amigo durante muitos anos.
Mas foi exatamente isso que aconteceu comigo, e no momento em que menos esperava.

O meu nome é Emma e sempre fui uma pessoa que confia facilmente nos outros.
Desde criança, estive rodeada de pessoas em quem podia confiar e que podiam confiar em mim.
Essa confiança determinava todas as minhas relações de amizade, especialmente com uma amiga como a Sophie.
Conheci a Sophie na faculdade e logo nos tornámos inseparáveis.
Partilhávamos tudo: os nossos sonhos, medos e esperanças.
Ela era a pessoa a quem recorria para pedir conselhos, com quem comemorava os acontecimentos importantes da minha vida.
Éramos mais do que amigas — éramos como irmãs.
Nunca conheci uma ligação tão profunda e tinha a certeza de que duraria para sempre.
Namorei com o Alex, meu ex, por quase dois anos.
Conhecemo-nos logo após terminarmos a faculdade e, desde o início, tudo parecia perfeito.
Mas, com o tempo, tudo mudou.

Afastámo-nos uma da outra.
As discussões tornaram-se mais frequentes e o amor transformou-se gradualmente numa obrigação, em vez de paixão.
No final, separámo-nos — pacificamente, pelo menos era o que eu pensava.
Não suspeitava que essa separação seria o início da destruição de tudo o que eu considerava amizade e lealdade.
Quando nos separámos do Alex, a Sophie estava ao meu lado.
Ela consolou-me, apoiou-me e disse que eu ia superar isso.
Naqueles momentos de dor e angústia, confiei nela mais do que nunca.
Ela repetia sem parar que eu era forte e merecia alguém que me valorizasse.
Ela até disse: «És minha irmã, Emma. Estarei sempre do teu lado».
Mas eu não sabia que ela estava a mentir.
Tudo veio à tona no sábado à tarde, uma semana antes do meu aniversário.
Eu estava em casa, navegando nas redes sociais, quando me deparei com uma publicação no perfil do Alex.

Era uma foto em que ele e a Sophie estavam sentados num café, sorrindo amplamente.
A Sophie o marcou na publicação e escreveu na legenda: «Um ano se passou, muitos outros ainda estão por vir».
Fiquei sem fôlego.
Eu olhava para a tela, mas aquelas palavras não faziam sentido na minha cabeça.
Um ano? O que isso significa?
Pensei que talvez fosse imaginação minha.
Revi o feed do Alex, esperando que fosse apenas um erro — talvez uma foto antiga ou algo assim.
Mas não, estava tudo claro: Sophie e Alex, felizes, juntos.
Liguei imediatamente para a Sophie, tentando conter o pânico que crescia no meu peito.
«Olá, Sophie, o que se passa?» — a minha voz soava calma, mas por dentro eu estava a ferver.
«Olá, Em!» — a voz dela estava animada, como se ela não suspeitasse do que a esperava.
«Não brinques comigo. Eu vi a foto. O que diabos está a acontecer, Sophie? Por que não me contaste nada sobre ti e o Alex?»
Houve uma pausa.
Eu ouvia a respiração dela ao telefone.
«Emma, eu…» — ela começou, mas eu a interrompi.

«Não, não preciso de desculpas. Eu pensava em ti como uma irmã. Eu confiava em ti. Há quanto tempo isso dura, Sophie?»
A voz dela tremeu, e foi a primeira vez que a ouvi insegura.
«Eu não sabia como te contar. Não queria magoar-te. Começámos a conversar algum tempo depois de te separares do Alex. Não foi planeado. Nós simplesmente… nos entendemos.»
«Vocês estão juntos há um ano, Sophie. Um ano inteiro, e nunca me contaste?»
A minha voz tremia de dor e desconfiança.
«Tu sabias o quanto ele significava para mim. E tu… tu simplesmente me traíste?»
«Sinto muito, Emma», disse Sophie, e havia sinceridade em sua voz, mas isso não importava.
O dano já estava feito.
«Não foi como deveria ter sido. Mas, em algum momento, não consegui mais esconder. Não queria magoar-te.»
Os meus pensamentos estavam confusos.
Um ano inteiro.
Eu contei à Sophie tudo o que aconteceu entre mim e o Alex, o bom e o mau.
Ela esteve ao meu lado em todas as etapas, deu conselhos, consolou-me, fingiu estar do meu lado.
Ela repetia que eu merecia algo melhor, mas agora eu percebia que ela não dizia isso por se preocupar comigo.

Ela já estava com ele.
«Eu achava que você era minha melhor amiga. Achava que não tínhamos segredos uma para a outra», disse eu, quase inaudível.
«Mas mentiste-me este tempo todo.
Tudo o que havia entre nós era mentira.»
«Nunca quis magoar-te, Emma», implorou Sophie.
«Juro que não foi assim.»
Mas isso não importava.
Nada do que ela pudesse dizer mudaria o que tinha acontecido.
Durante anos, considerei a Sophie o meu apoio, a pessoa mais próxima de mim.
Confiava nela mais do que em qualquer outra pessoa.
E agora tudo isso tinha sido destruído por uma traição.
«Não consigo, Sophie», disse eu, com a voz trémula de emoção.
«Partiste algo em mim que não pode ser consertado.
Preciso de espaço.
Preciso de tempo.
Longe de ti.
Longe dele.»

«Eu entendo», respondeu ela baixinho, e ouvi-a soluçar.
«Sinto muito, Emma.»
Mas eu não estava pronta para perdoar.
Desliguei o telefone, sentindo o mundo à minha volta desmoronar.
Os dias seguintes passaram num turbilhão.
Eu não sabia em quem confiar agora.
As duas pessoas mais próximas de mim traíram-me de uma forma que eu nem imaginava ser possível.
Sentia-me sozinha, como se tivesse-me perdido em tudo isto.
Mas, com o tempo, percebi algo importante: a traição define não quem foi traído, mas quem traiu.
Eu não estava destruída.
Estava magoada, sim, mas iria curar-me.
Encontraria uma maneira de seguir em frente sem elas na minha vida.
Por mais doloroso que fosse, tive de deixar a Sophie ir.

Ela já não era a pessoa que eu conhecia, e para minha própria cura, eu precisava de me afastar da relação tóxica em que nos tornámos.
E embora isso fosse levar tempo, eu sabia uma coisa:
Eu ia conseguir.
Vou aprender a confiar novamente, mas nunca esquecerei esta lição: a confiança deve ser conquistada, não distribuída sem pensar.
Naquele momento, bastava-me ser eu mesma, redescobrindo aquela força que eu tinha esquecido.
