As hélices batiam violentamente contra o ar noturno enquanto Arthur avançava em passos firmes.
Naquele instante, ele não era apenas um pai indo resgatar a filha.
Era um imperador marchando para a guerra.
Elliot Vance havia construído seu pequeno reino de ilusões sobre areia movediça. Usou dinheiro que nunca lhe pertenceu, alimentou o próprio ego destruindo emocionalmente Isabella e acreditou que poderia sair ileso.
Arthur Sinclair estava prestes a liberar o oceano inteiro sobre ele.
Parte 2
O grande salão do Metropolitan Museum of Art brilhava como um universo particular da elite nova-iorquina.
Taças de champanhe tilintavam.
Risadas elegantes ecoavam pelo ambiente.

Conversas carregadas de arrogância circulavam entre políticos, empresários, celebridades e investidores.
No palco principal, um senador discursava longamente sobre filantropia e responsabilidade social enquanto metade da plateia fingia prestar atenção.
Elliot Vance, porém, estava completamente à vontade.
Afinal, aquela era sua arena.
Posicionado próximo ao bar principal, segurava uma taça de Dom Pérignon vintage em uma das mãos enquanto Chloe permanecia agarrada ao seu braço como um troféu cuidadosamente exibido.
Ele se sentia intocável.
Livre.
Vitorioso.
Com Isabella fora de cena, Elliot tinha a sensação de que sua vida finalmente estava sendo “atualizada”. Já imaginava reformando a cobertura luxuosa onde moravam. Os móveis suaves escolhidos por Isabella seriam substituídos por peças modernas e frias. As cores acolhedoras desapareceriam.
Tudo finalmente refletiria o homem poderoso que ele acreditava ser.
No meio de uma história exagerada sobre investimentos internacionais, Elliot percebeu uma mudança estranha na atmosfera do salão.
Sutil.
Mas imediata.
O senador no palco interrompeu o discurso no meio da frase e olhou confuso para a lateral da estrutura. Um dos organizadores do evento aproximou-se dele rapidamente e começou a falar algo em tom urgente.
O senador pareceu surpreso.
Depois simplesmente se afastou do microfone.
As conversas no salão começaram a diminuir.
— Senhoras e senhores… — anunciou o organizador visivelmente nervoso. — Tivemos uma alteração inesperada na programação desta noite. Recebam, por favor… o senhor Arthur Sinclair.
O nome ficou suspenso no ar.
Por alguns segundos, ninguém reagiu.
Então começaram os murmúrios.
“Arthur Sinclair?”
“O verdadeiro Arthur Sinclair?”
“Isso é impossível…”
Executivos do setor financeiro trocaram olhares alarmados.
Empresários ficaram rígidos.
Algumas pessoas pareciam ter acabado de ver um fantasma.
Porque Arthur Sinclair era praticamente uma lenda viva.
E então ele surgiu no palco.
Não usava smoking.
Não parecia um bilionário extravagante.
Vestia apenas calças escuras, um suéter elegante e um casaco simples.
Parecia mais um professor universitário do que o homem que controlava um dos maiores impérios econômicos do planeta.
Mas havia algo nele impossível de ignorar.
Uma presença esmagadora.
Uma gravidade silenciosa que dominou instantaneamente o salão inteiro.
O ambiente mergulhou em absoluto silêncio.
Elliot congelou.
A taça parou no meio do caminho até seus lábios.
Ele estreitou os olhos tentando compreender o que estava vendo.
O sobrenome parecia familiar.
Sinclair.
Arthur.
Algo dentro dele começou lentamente a se conectar… mas sua mente recusava aceitar.
Isso não podia ser o pai de Isabella.
O pai dela era apenas um consultor discreto do interior.

Um homem simples.
Sem importância.
No palco, Arthur aproximou-se do microfone.
Não precisou ajustá-lo.
Não precisou chamar atenção.
Toda a sala já estava completamente hipnotizada por sua presença.
Então seus olhos azuis atravessaram a multidão até encontrarem exatamente quem procuravam.
Elliot Vance.
Arthur o encarou diretamente antes de começar a falar.
— Meu nome é Arthur Sinclair.
Sua voz ecoou pelo salão gigantesco com uma calma assustadora.
Sem gritos.
Sem emoção exagerada.
Somente o peso brutal de um homem acostumado a comandar impérios.
— Para aqueles que não me conhecem… sou fundador e único proprietário da Sinclair Global.
O impacto foi imediato.
Suspiros cortaram o salão.
Sussurros desesperados se espalharam por todos os lados.
Sinclair Global não era apenas uma empresa.
Era um colosso internacional.
Controlava portos, companhias aéreas, rotas marítimas e dezenas de subsidiárias espalhadas pelo planeta.
Praticamente todas as pessoas naquela sala dependiam, direta ou indiretamente, da influência econômica de Arthur Sinclair.
Ele não era apenas um bilionário.
Era um criador de reis.
Uma força invisível por trás de governos e mercados.
E naquele momento…
Os olhos dele continuavam fixos em Elliot.
O sangue de Elliot desapareceu do rosto.
Frio.
Paralisante.
Sinclair.
