Tammy Lynn Leppert: como desapareceu sem deixar rasto

Ela mal tinha começado a sua carreira, conquistando milhões de espectadores com a sua beleza impressionante e com o papel de Steven Bauer, a rapariga sedutora em biquíni, no filme «O Rosto com a Cicatriz».
Mas depois, num piscar de olhos, desapareceu sem deixar rasto na praia, deixando para trás apenas perguntas e um mistério que já se arrasta há 42 longos anos.

Será que Tammy Lynn Leppert foi a arquiteta e a protagonista de umas férias perfeitas ou a vítima de um crime perfeito?

Dominou os concursos de beleza
A história de Tammy Lynn Leppert é uma história de sonhos hollywoodianos, beleza e um mistério chocante e não desvendado que assombra o mundo há mais de quatro décadas.

Tammy nasceu em 1965 em Rockledge, na Flórida, e estava destinada à grandeza. Com cabelo loiro, olhos castanhos e um charme inato, conquistou o público desde o momento em que se tornou o centro das atenções.

Com apenas 4 anos, Tammy começou a participar em concursos de beleza. E não se limitou a participar — ela dominou. Na adolescência, já tinha participado em mais de 300 concursos, vencendo 280 deles. Mas isso foi apenas o começo. Em 1978, a Tammy apareceu na capa da revista CoverGirl, consolidando o seu lugar como estrela em ascensão no mundo do mundo da moda.

«Sempre gostei de me exibir perante as pessoas. Quando era pequena, adorava participar em concursos, porque gostava de me vestir bem, especialmente com roupas à moda antiga, sabem, com aqueles chapéus antigos com penas. É como ser uma beldade do Sul, usar aqueles vestidos enormes», explica a Tammy.
Por trás do seu sucesso inicial estava a sua mãe, Linda Curtis, que apoiava as ambições de Tammy com uma dedicação inabalável.

«Estava constantemente ocupada a levá-la de um lado para o outro, para onde ela tinha de ir e o que tinha de fazer. E eu gostava disso. Gostava de ver os seus sucessos, porque ela procurava sempre o melhor, o nível mais alto», recorda Curtis.

De olho no «Óscar»
O primeiro papel de Tammy foi o de uma rapariga numa festa no filme Little Darlings (1980), e a imprensa local rapidamente a acolheu como a sua própria futura estrela. A bela loira desfrutava de cada momento de atenção.

«Não estou surpreendida com toda esta atenção. Trabalhei para isto e estou muito emocionada e feliz. Sempre sonhei com uma vida assim, embora nunca queira estar longe da praia. Vai demorar algum tempo, mas quero ganhar um «Óscar» e conhecer pessoas como o Burt Reynolds e a Lee Majors. A representação… está-me no sangue. Sempre quis que as pessoas olhassem para mim e adoro ser fotografada. Uma boa atriz pode fazer tudo o que quiser», afirmou ela numa entrevista ao jornal The News and Daily Advance.

A sua grande oportunidade surgiu em 1983, quando participou no filme «O Homem da Cicatriz», que se tornou um marco na história do cinema.

Aos 18 anos, interpretou um papel pequeno, mas inesquecível, de uma rapariga em biquíni que distrai a atenção da câmara de vigilância durante a infame cena da motosserra. Parecia que nada poderia impedir a sua ascensão à fama de Hollywood.

Nesse mesmo ano, estreou o filme «O Homem da Cicatriz», e a Tammy participou no filme «Férias de Primavera» (1983), onde participou numa luta de boxe, o que reforçou ainda mais a sua presença em Hollywood. Foi noticiado que as suas pernas, ancas e tronco apareciam no cartaz principal do filme, o que consolidou ainda mais o seu estatuto de estrela em ascensão.

A festa que mudou tudo
No entanto, nos bastidores, algo sombrio estava a acontecer. Começaram a circular rumores de que a Tammy tinha testemunhado algo terrível numa festa — um acontecimento tão perturbador que a abalou profundamente. Após o término das filmagens de «Férias de Primavera», a Tammy, de 18 anos, foi a uma festa sozinha. Quando regressou, estava irreconhecível — era uma pessoa completamente diferente.

À medida que a sua saúde mental se deteriorava rapidamente, a sua carreira, outrora promissora, tomou um rumo aterrador. Ela foi tomada pela paranóia, convencida de que alguém a queria apanhar. O seu comportamento tornava-se cada vez mais instável e aqueles que outrora a conheciam começaram a ficar preocupados.

Mais tarde, descobriu-se que algo preocupante também tinha acontecido durante as filmagens do filme «O Homem da Cicatriz», que começaram em Miami, em março de 1983. Durante as filmagens, a Tammy vivia na casa de um amigo da família, Walter Libovitz. Segundo Walter, tudo corria bem até ao quarto dia de filmagens:

«O diretor de casting ligou-me e informou que a Tammy tinha tido um colapso no set de filmagens. Disseram que era uma cena em que alguém deveria ser alvejado e salpicado com sangue falso. Segundo eles, quando a Tammy assistiu a essa cena, começou a chorar histericamente, e a situação ficou tão grave que tiveram de a levar para a caravana. Ela estava num estado de enorme medo, ansiedade… O que é que lhe provocou exatamente esse medo tão intenso, não sei. Quando falei com a mãe da Tami, disse-lhe que ela devia levar a Tami ao médico e também dirigir-se à polícia para apurar se o problema era de natureza psicológica ou se havia motivos para crer que alguém estava realmente a tentar matá-la, e para esclarecer a situação.»

Tammy Lynn abandonou o filme e regressou a casa. A insistência da mãe levou-a a falar com o xerife local, mas nunca mencionou que sentia que a sua vida corria perigo. Mesmo no seio da família, a paranóia de Tammy só se intensificava. Segundo Wing, ela estava convencida de que alguém estava a tentar envenená-la:

«Havia dias bons e dias maus. Havia dias em que ela estava quase normal. E havia dias em que estava muito nervosa.»

Desapareceu sem deixar rasto
Depois, a 1 de julho, a Tammy perdeu completamente o controlo. Começou a partir todas as janelas da casa e atacou o Wing. Nesse momento, a Linda percebeu que algo de errado se passava com a sua filha. Na tentativa de prestar a ajuda necessária a Tammy, a sua mãe, Linda Curtis, internou-a numa clínica psiquiátrica de Melbourne para observação.

Tammy ficou lá 72 horas, mas os resultados revelaram-se surpreendentes — as análises ao sangue e à urina deram negativo para drogas, e ela não tinha antecedentes de consumo de drogas.

A 6 de julho de 1983, apenas alguns meses após o lançamento do filme «O Homem da Cicatriz», a Tammy desapareceu sem deixar rasto. Na verdade, desapareceu de forma tão completa que parecia que nunca tinha existido.

Ao sair de casa em Rockledge, no dia 6 de julho, de manhã cedo, ela disse: «Adeus, mamã, vemo-nos daqui a pouco, está bem?».

Segundo o detetive Jim Scragg, do Departamento de Polícia de Cocoa Beach, no estado da Flórida, a Tammy e a sua amiga foram à praia local, onde se desatou uma discussão acalorada entre elas.

«Esse amigo foi buscá-la a casa e foram para a praia. Falámos com ele. Ele contou que houve uma discussão verbal entre os dois. Ela pediu-lhe que a deixasse perto do Glass Bank, em Cocoa Beach, e ele acatou o pedido.»

A amiga de Tammy disse que ele a deixou a cerca de cinco milhas de casa. A modelo e atriz vestia uma saia de ganga azul e um top azul decorado com apliques florais, além de sandálias e uma bolsa cinzenta.

O detetive Scragg afirmou que essa foi a última vez que Tami Lynn foi vista com vida.

«Ela desapareceu sem deixar rasto. Falámos com alguns dos seus amigos mais próximos. Eles sentiram que a Tami tinha problemas em casa e… que ela queria sair de casa.»

Recebeu duas chamadas telefónicas estranhas
Segundo algumas fontes, antes do desaparecimento, a Tami poderia estar descalça. Também foram feitas suposições de que, naquela altura, ela estaria no terceiro mês de gravidez, embora isso nunca tenha sido confirmado.

Após o desaparecimento de Tammy, o detetive de Cocoa Beach, Harold Lewis, recebeu duas chamadas telefónicas de uma mulher que afirmava que Tammy ainda estava viva. Na primeira chamada, a mulher afirmou que a Tammy entraria em contacto quando chegasse a altura certa.

Na segunda chamada, soube-se que a Tammy estava a realizar o seu sonho, frequentando uma escola para se tornar enfermeira.

O desaparecimento de Tammy abalou a sua família, os seus amigos e a opinião pública, dando origem às mais diversas versões — desde um jogo desonesto até um colapso mental repentino.

Mais tarde, a mãe de Tammy, Lynn Leppert, contou que a sua filha «tinha medo» de um amigo que a tinha levado naquele dia e depois a tinha deixado, o que suscitou suspeitas quanto ao seu envolvimento. No entanto, oficialmente, as autoridades nunca o designaram como suspeito, e não lhe foram apresentadas quaisquer acusações.

Teorias arrepiante relacionadas com este caso
Uma imagem com progressão etária, criada pelo Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, mostra como a Tammy poderia parecer na idade adulta. Apesar dos anos de buscas, o seu desaparecimento continua a ser um mistério.

Por fim, a investigação conduziu a um homem chamado Christopher Wilder, também conhecido como o «Assassino das Rainhas da Beleza», responsável pelos homicídios de várias jovens em 1984, alguns dos quais ocorreram na Flórida.

Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas
Wilder era conhecido por atrair as vítimas para o seu carro ou para a sua casa, alegando frequentemente que elas tinham sido convidadas para trabalhar como modelos — talvez tenha sido precisamente esta tática que convenceu a Tammy, uma modelo conhecida, a confiar nele.

Wilder foi morto num tiroteio com a polícia em New Hampshire, em abril de 1984, e, apesar das suspeitas que recaíam sobre ele, as autoridades nunca conseguiram encontrar provas concretas que o ligassem ao desaparecimento de Tammy.

Outro possível suspeito era John Brennan Crutchley, também conhecido como «o Violador-Vampiro», que atuava na Flórida por volta da altura em que a Tammy desapareceu. Tal como Wilder, Crutchley nunca foi definitivamente associado a este caso, e a polícia não conseguiu reunir provas suficientes para o ligar ao desaparecimento.

Mas a verdade continua a ser indesvendável, e o caso de Tammy continua a ser um dos mistérios mais duradouros de Hollywood. Linda Curtis sempre acreditou que a verdade sobre a sua filha acabaria por vir ao de cima. Seja por sorte, por uma testemunha-chave ou por um pequeno pormenor que tivesse escapado, ela estava convencida de que alguém, algures, tinha a resposta.

Infelizmente, Linda nunca chegou a ver a sua filha. Faleceu em Orlando, em 1995, vítima de uma doença cardíaca degenerativa. Na sua última entrevista, quando perdeu a voz, dirigiu ao público um último pedido sincero:

«Não vou poder acusar ninguém. Só quero saber», disse ela.

O que acham que aconteceu a Tammy Lynn Leppert? Terá sido um capricho do destino ou algo mais sombrio? Há mais de 40 anos que esta questão assombra os seus entes queridos e aqueles que acompanharam a sua curta e brilhante carreira.