A Arina foi adotada quando tinha apenas cinco anos. Era uma menina pequena para a idade, muito magrinha e tão frágil que, ao lado das outras crianças, parecia ainda menor. Observava os novos pais com extrema cautela, como se não conseguisse acreditar que realmente a estavam levando dali. Custava-lhe aceitar que, finalmente, teria um verdadeiro lar, uma mãe, um pai e uma família só dela.
No orfanato, Arina era querida por todos. Parecia uma delicada boneca de porcelana: cachos dourados, grandes olhos azuis, um pequeno nariz levemente arrebitado e lábios delicados em forma de arco. Era calma, gentil e extremamente carinhosa. Nunca fazia birra, sempre procurava ajudar quem estivesse por perto, e os cuidadores sentiram um aperto enorme no coração ao se despedirem daquela garotinha tão doce.
Sua nova mãe, Sveta, e o pai, Anton, mostraram desde o primeiro dia que eram pessoas generosas e de bom coração. Receberam Arina com amor sincero e, em pouco tempo, passaram a tratá-la exatamente como se fosse filha biológica. Os avós, tanto do lado de Sveta quanto do de Anton, também acolheram a menina com carinho, sem qualquer sinal de distância ou preconceito.
Mesmo assim, havia algo que Arina jamais conseguia compreender. Em certos momentos, pegava a mãe olhando para ela com uma tristeza tão profunda e dolorosa que sentia um estranho desconforto. Naquele olhar existia um segredo, algo escondido que ela não era capaz de explicar. Fora isso, todos a tratavam com afeto, e a menina logo se acostumou com a nova vida. Pela primeira vez, parecia que havia encontrado paz e segurança.
Quando Arina completou dezessete anos, a tranquilidade da família foi destruída. Anton adoeceu de forma inesperada. Após vários exames, os médicos descobriram que ele tinha câncer, mas o diagnóstico veio tarde demais. A doença já havia avançado a ponto de praticamente não existir tratamento eficaz.
Os últimos meses foram vividos dentro de casa. Anton perdia as forças pouco a pouco, apagando-se em silêncio, dia após dia. Numa tarde, Arina voltou da escola — estava terminando o ensino médio — e encontrou a mãe chorando sem conseguir conter as lágrimas. O pai, por sua vez, parecia inquieto e profundamente emocionado.
— Pai, o que aconteceu? — perguntou ela, assustada.
— Arishka… está tudo bem… Só estou sentindo muita dor — respondeu Anton com a voz fraca e rouca. — Mas preciso lhe dizer uma coisa. Durante toda a minha vida eu te amei, e continuo te amando agora. Você sempre foi minha filha. Sou imensamente feliz por termos vivido juntos. Nunca se esqueça disso.
As lágrimas escorreram imediatamente pelo rosto de Arina.
— Obrigada, pai… Eu também amo muito o senhor. Sou eu quem deve agradecer. Vocês me deram um lar, uma família e a oportunidade de crescer cercada de amor.
Anton tentou continuar:
— Pergunte… à sua mãe… Ela vai explicar tudo…
Mas as palavras começaram a se embaralhar. Sua voz enfraqueceu tanto que já não era possível entender claramente o que queria dizer.
Três dias depois, Anton faleceu.
Arina ajudou a organizar o funeral, cuidou da casa, preparou as refeições e resolveu toda a papelada necessária. Em meio à dor e às inúmeras responsabilidades, não havia espaço para conversas importantes. Svetlana parecia completamente devastada. Fazia tudo automaticamente, como se uma parte essencial dela tivesse partido junto com o marido.
O tempo passou.
Três anos depois, Arina concluiu o curso de costura e conseguiu emprego em um ateliê. Em várias ocasiões tentou voltar àquela última conversa com o pai e perguntava à mãe o que Anton pretendia revelar antes de morrer. No entanto, Svetlana sempre mudava de assunto. Dizia que, nos últimos momentos de vida, Anton já não estava lúcido por causa da doença. Mesmo assim, evitava encará-la nos olhos, como se escondesse uma verdade que não tinha coragem de contar. O mistério permanecia intacto.
Foi numa exposição canina que Arina conheceu Mikhail. Uma amiga a convidou para acompanhá-la porque participaria do evento com sua elegante pastora-alemã. Enquanto caminhava entre os espaços onde os cães estavam reunidos, admirando os animais, Arina notou um jovem parado diante da área reservada aos schnauzers-miniatura. Ele observava aqueles cães pequenos e divertidos com uma expressão de tristeza difícil de ignorar.
Curiosa, ela resolveu aproximar-se.
— Olá. Eu sou a Arina. Posso fazer uma pergunta? Por que você está olhando para esses cachorrinhos com um semblante tão triste?
— Boa tarde. Eu sou o Mikhail, mas pode me chamar de Misha. Desde criança sou apaixonado por schnauzers-miniatura. Sempre sonhei em ter um, mas meus pais nunca permitiram. Diziam que não queriam assumir toda a responsabilidade de cuidar de um cachorro.
Foi assim que a conversa começou.
