A Jamie Lee Curtis era espetacular. Mas eu nunca soube que ela era assim tão espetacular – até ter voltado a vê-la recentemente em «True Lies».
Este filme de 1994 combinou ação, comédia e drama de uma forma que cativou o público e o transformou num clássico de culto.
Mas sabiam que o filme quase matou a sua personagem principal, o Arnold Schwarzenegger? E repararam nos inesquecíveis erros de filmagem em que a Jamie Lee Curtis ficou com a roupa interior à mostra?
«True Lies» sempre foi um dos meus favoritos. Como nasci nos anos 80, provavelmente já o vi mais de 10 vezes. Um enredo excelente, ação espetacular e atores fantásticos. Pode até ser o meu filme preferido do Arnold Schwarzenegger. Para quem ainda não o viu, eis um breve resumo:
O filme acompanha Harry Tasker, um homem aparentemente comum que leva uma vida secreta como espião do governo. Quando a sua esposa entediada, interpretada por Jamie Lee Curtis, é involuntariamente arrastada para o seu mundo perigoso, isso dá origem a uma mistura de ação, suspense e comédia.
Vale a pena referir que «True Lies» conta também com um elenco secundário de peso, incluindo Tom Arnold, Bill Paxton, Art Malik e Tia Carrere, todos eles com atuações memoráveis que contribuem para o encanto deste clássico do cinema.
O acidente quase fatal de Schwarzenegger no set
Durante a intensa cena de equitação em «True Lies», Arnold Schwarzenegger passou por um momento aterrorizante que poderia ter terminado em desastre.
Enquanto as câmaras filmavam, o seu cavalo assustou-se de repente e disparou fora de controlo. Sem tempo para reagir, Arnold teve de pensar rápido — conseguiu deslizar para fora da sela, mas no pior local possível, a apenas polegadas de uma queda de 30 pés.

O caos começou quando a equipa preparou uma cena em que o cavalo tinha de parar na beira de um edifício. Para lhe dar mais espaço, construíram uma pequena rampa. Mas, enquanto mediam a nova distância até à câmara, alguém deixou cair acidentalmente o braço da câmara — mesmo em cima do nariz do cavalo. O animal, assustado, entrou em pânico, girando e empinando-se numa rampa com apenas quatro pés de largura, sem corrimão.
«Percebi que era uma situação perigosa e desli-me imediatamente do cavalo, e um duplo agarrou-me», recordou Schwarzenegger mais tarde. «Se o cavalo tivesse dado um passo em falso, teríamos caído 90 pés até um chão de cimento.»
As falas mais engraçadas de «True Lies»
Uma das falas mais engraçadas de «True Lies» tem uma história por trás surpreendentemente real.
Quando Harry Tasker confidencia ao seu parceiro Gib que suspeita que a sua mulher tenha um caso, Albert Gibson, interpretado por Tom Arnold, responde com um discurso amargo sobre o seu próprio divórcio. Ele recorda como a sua ex-mulher levou tudo quando se foi embora — «até as bandejas de cubos de gelo do congelador!»
O que torna este momento ainda melhor é que não se tratou apenas de uma piada do guião — foi inspirada na vida real. Na altura, Tom Arnold estava a passar por um divórcio complicado com Roseanne Barr e, ao que parece, ela levou mesmo as bandejas de cubos de gelo quando se mudou.
Arnold tinha desabafado sobre isso com o realizador James Cameron no set, dizendo: «Que tipo de cabra doentia tira as bandejas de cubos de gelo do congelador?» Cameron achou a frase tão hilariante que decidiu incluí-la no guião.
A piada no casting que garantiu um papel a Tom Arnold
Por falar em Tom Arnold, muitos talvez não saibam que ele, na verdade, nunca esperou conseguir um papel em «True Lies». Ele só foi ao casting para ter a oportunidade de conhecer o realizador James Cameron.
Durante o casting, ele interpretou algumas cenas com Arnold Schwarzenegger, e Cameron percebeu imediatamente a química natural entre os dois. Depois, Tom disse em tom de brincadeira a Cameron: «[O Schwarzenegger] não é assim tão grande, acho que consigo dar-lhe conta.» Esse comentário inesperado fez Cameron rir às gargalhadas — e, assim, sem mais nem menos, Tom garantiu o papel.
Tom Arnold referiu mais tarde que tinha a mesma excelente química com Arnold Schwarzenegger fora do ecrã que tinham no ecrã. Tornaram-se bons amigos durante as filmagens de «True Lies».
A filhinha do Tony
Quando chegou a altura de escolher a atriz para o papel de Helen Tasker em «True Lies», James Cameron tinha o coração decidido por Jamie Lee Curtis, mas Arnold Schwarzenegger não concordou de imediato.
Cameron conhecia Curtis há anos, tendo já trabalhado com ela em «Blue Steel» (1990), realizado pela sua ex-mulher, Kathryn Bigelow. Cameron sempre admirou o talento dela e estava ansioso por voltar a trabalhar com ela. No entanto, quando sugeriu o nome dela para o papel, Schwarzenegger não ficou convencido. O icónico astro de ação não tinha a certeza de que Curtis fosse a escolha certa para o papel de Helen e, num esforço para não desagradar ao amigo, Arnold pediu ao seu agente que transmitisse a mensagem a Cameron.

Respeitando a opinião de Schwarzenegger, Cameron fez audições a muitas atrizes para o papel, mas depois de ver a memorável interpretação de Curtis em «Um Peixe Chamado Wanda» (1988), teve a certeza de que era ela a escolhida. Cameron, confiando nos seus instintos, decidiu dar um passo ousado. Dirigiu-se a Schwarzenegger e perguntou simplesmente: «Confias em mim?» Quando Arnold confirmou, Cameron disse-lhe: «Vai ser a Jamie.» Apesar das suas reservas iniciais, Arnold concordou com relutância.
Em retrospetiva, diz-se que a diferença de idades era uma preocupação para a estrela de «Terminator». Arnold era 11 anos mais velho do que Jamie Lee Curtis, mas o que realmente importava para ele era o profundo respeito que nutria pelo pai de Jamie, o lendário ator Tony Curtis.
«Acho que ele me conhecia como a filhinha do Tony. Acho que deve ter sido um pouco estranho para ele ter de beijar a filha do Tony», explicou Jamie Lee Curtis certa vez.
A verdade sobre a dança erótica
Um dos momentos mais icónicos e hilariante de «True Lies» acontece quando Helen tenta fazer uma dança erótica e acaba por cair no chão. Para apimentar o casamento, Harry convence Helen a acompanhá-lo numa falsa missão de espionagem num hotel.
Isto leva à famosa cena do striptease, em que a Helen pensa que está a seduzir um espião fictício, que acaba por ser o seu marido, o Harry.
Primeiro, a Jamie começa a dançar sedutoramente ao som da balada romântica «Alone in the Dark».
Mas, à medida que a tensão aumenta, a sua mão escorrega da coluna da cama, fazendo com que ela caia inesperadamente no chão a meio da dança.
Afinal, embora a maior parte do filme «True Lies» tenha sido cuidadosamente escrita e ensaiada, a cena do striptease não foi assim tão bem trabalhada.
Numa entrevista num podcast, Curtis revelou: «O que ninguém sabe é que não houve ensaio nem coreógrafo. O Jim [James Cameron] perguntou-me: “Ao som de que música queres dançar?”» Ela escolheu «Alone in the Dark», de John Hiatt, e explicou que dançou na cena da mesma forma que dançaria se estivesse sozinha em casa.
Uma decisão deliberada
Depois de escolher a música, Jamie Lee Curtis ensaiou exaustivamente a icónica cena de dança com o realizador James Cameron antes de a filmar.
Durante esses ensaios, surgiu a ideia da queda de Helen a meio da dança — não como um acidente espontâneo, como muitos acreditaram, mas como uma decisão deliberada tomada com antecedência. Arnold Schwarzenegger, no entanto, não foi informado sobre a queda planeada antes das filmagens.
Na cena, há um momento subtil em que Harry (Schwarzenegger) se senta brevemente, em estado de choque, percebe rapidamente que está a sair do papel e, em seguida, relaxa. Esta reação não foi planeada, o que deixa claro que a queda foi uma surpresa para ele.
Por exemplo, não era suposto o Arnold Schwarzenegger deixar cair o gravador, mas o James Cameron gostou tanto daquele momento que decidiu mantê-lo no filme.
Quando filmaram outra tomada da mesma piada, a reação do Schwarzenegger não pareceu tão genuína, o que realça a verdadeira espontaneidade do momento.
Esta visão dos bastidores acrescenta um toque de magia à cena, provando que, embora a comédia tenha sido cuidadosamente elaborada, a surpresa para todos — especialmente para Schwarzenegger — foi muito real.
«Odiei cada hora disso»
Por falar nessa cena icónica, que é sem dúvida a mais famosa de todo o filme, sabias que o sutiã e as cuecas a condizer usados por Helen Tasker durante a cena do striptease eram, na verdade, da própria Jamie Lee Curtis? Aposto que não esperavas por isso!
Outro pormenor divertido é quando perguntaram a Arnold Schwarzenegger numa entrevista se a sua mulher se incomodava por ele ficar ali sentado a ver a Jamie Lee Curtis a fazer striptease; ele respondeu, com humor, que ela lhe tinha perguntado sobre isso.
Arnold tranquilizou-a, dizendo: «Querida, detestei cada hora disso!»
Roupa interior menos reveladora
Embora a Helen ainda esteja a usar a mesma roupa que tinha quando foi raptada após o striptease para o Harry no hotel, quando está na parte de trás da limusina durante a cena da demolição da ponte, de repente está a usar roupa interior menos reveladora.
Parece que, de alguma forma, uma rápida mudança de roupa se infiltrou no meio do caos — definitivamente não é algo que aconteça todos os dias! É um pequeno, mas engraçado, deslize de continuidade no meio de toda a ação.
Uma dança de coragem e dedicação
Jamie Lee Curtis ganhou um Globo de Ouro pelo seu papel como Helen Tasker, mas a cena do striptease em «True Lies» acompanhou-a durante muito tempo.
A cena enfrentou algumas críticas, com alguns espectadores a considerá-la misógina. No entanto, o realizador James Cameron revelou mais tarde que Curtis desempenhou um papel significativo na definição de como a cena se desenrolou. Inicialmente, o plano era que Helen se despisse completamente no escuro, mostrando apenas a sua silhueta.
Curtis, no entanto, sugeriu filmar a cena em plena luz, mantendo a roupa interior vestida. Chegou mesmo a demonstrar esta abordagem a Cameron, que comentou que isso lhe fazia lembrar porque é que adorava o seu trabalho. Curiosamente, enquanto muitos homens criticaram a cena, a maioria das críticas femininas considerou-a empoderadora e até libertadora para Helen.
Jamie Lee Curtis descreveu True Lies como «sem dúvida, a melhor experiência da minha vida profissional até agora». No entanto, filmar a icónica cena do striptease foi bastante desgastante para ela.
«Por favor, dizer que não estava neurótica como qualquer mulher estaria se fosse fazer aquela dança! Dizer que não fiz dieta. Dizer que não fui ao ginásio. Fiz imensos levantamentos de pernas, agachamentos, tudo para tonificar o meu corpo, porque estava prestes a ser fotografada para a posteridade em tanga e sutiã!»
O gesto inesperado de Schwarzenegger
Schwarzenegger, sempre profissional, não deixou que a sua relutância inicial afetasse a sua atitude em relação a Curtis no set. Na verdade, Arnold ficou tão impressionado com a atuação dela que, quando chegou a altura de definir os créditos do filme, surpreendeu toda a gente ao demonstrar muita classe.
Originalmente, estava previsto que Arnold fosse o primeiro nome nos créditos, seguido do título e, em seguida, do nome de Jamie Lee Curtis. No entanto, depois de ver a versão final, Cameron percebeu que o filme não se resumia apenas à ação — tratava-se, fundamentalmente, da relação entre as duas personagens principais.
Ele viu-o como um «épico doméstico» que girava em torno de um casamento, tornando Jamie Lee Curtis uma parte igualmente importante da história. Assim, Cameron ligou a Schwarzenegger e perguntou-lhe se ele não se importaria de colocar o nome de Curtis antes do título, mesmo ao lado do seu.

Sem hesitar, Schwarzenegger concordou. Como a própria Curtis afirmou, no mundo implacável do mundo do espetáculo, o crédito é tudo, e o facto de Arnold ter tomado esta decisão foi um «gesto verdadeiramente nobre da sua parte». Numa indústria em que os atores podem, por vezes, ser muito zelosos em relação à sua posição nos créditos, o gesto de Schwarzenegger foi uma demonstração rara e admirável de respeito e generosidade.
Esta história dos bastidores não só revela a química entre Arnold e Jamie Lee Curtis no ecrã, como também destaca o tipo de camaradagem e respeito que muitas vezes passa despercebido nos bastidores.
«Ambos têm jeito para a comédia; ambos são muito expressivos fisicamente. Parecem, de alguma forma, equilibrar-se muito bem um ao outro», disse Cameron depois de ter feito o filme.
Moldar a personagem
Jamie Lee Curtis esteve profundamente envolvida na definição da sua personagem desde as fases iniciais do guião. Duas sugestões fundamentais que ela fez ajudaram a melhorar o papel e o enredo de Helen. Em primeiro lugar, insistiu para que Helen continuasse a não saber da vida dupla de Harry. No guião original, a Helen já estava a par das travessuras de espionagem do Harry. Curtis acreditava que manter a Helen na ignorância tornaria a revelação mais cómica e surpreendente, acrescentando uma camada extra de conflito e humor à relação entre os dois.
O realizador James Cameron concordou com a sua visão e reformulou o guião para incorporar essas alterações. Como resultado, a personagem de Helen tornou-se mais dinâmica, apresentando uma mistura de comédia, drama e um conflito emocional genuíno à medida que ela assimilava a verdade chocante sobre a vida secreta de Harry.
A cena em que fica suspensa de um helicóptero
Curtis também insistiu em fazer as suas próprias acrobacias. Enquanto Arnold Schwarzenegger lidava com as suas próprias acrobacias perigosas envolvendo cavalos em fuga, Curtis enfrentou os seus próprios desafios a grande altura. Uma das acrobacias mais memoráveis envolveu-a a ficar suspensa de um helicóptero, a 250 pés de altura e a 60 mph.
Inicialmente, James Cameron mostrou-se hesitante, mas Curtis estava determinada.

«Estava disposta a fazer tudo isso», disse ela sobre a experiência. «Estou disposta a fazer quase tudo, não tenho medo das alturas.»
No dia das filmagens, Curtis ficou suspensa pelo patim de um helicóptero, sem redes de segurança, enquanto Cameron a filmava com uma câmara de mão a partir do exterior da aeronave. Tanto o realizador como a atriz estavam dispostos a arriscar as suas vidas por esta cena, criando uma das sequências de ação mais intensas e de cortar a respiração alguma vez filmadas.
O terceiro filme com maior receita de bilheteira de 1994
«True Lies» foi um enorme sucesso de bilheteira, arrecadando mais de 378 milhões de dólares em todo o mundo, tornando-se o terceiro filme com maior receita de bilheteira de 1994, ficando apenas atrás de «O Rei Leão» e «Forrest Gump». Nada mau para um filme em que Jamie Lee Curtis saiu dos seus papéis habituais e Arnold Schwarzenegger proferiu algumas frases verdadeiramente icónicas!
Curiosamente, foi durante a produção de «True Lies», em 1993, que James Cameron conheceu o seu futuro coprodutor de «Titanic» e «Avatar», Jon Landau. Em julho de 2024, Cameron revelou que Landau, que era o «executivo» do estúdio responsável pela supervisão de «True Lies», desempenhou um papel fundamental em tornar o filme ainda melhor através de algumas revisões cruciais do guião.
«True Lies» suscitou, sem dúvida, muito debate ao longo dos anos — quer se trate da sua representação dos papéis de género, do equilíbrio entre comédia e ação, ou das acrobacias intensas que são difíceis de esquecer. Há quem defenda que a cena do striptease foi empoderadora, mostrando a vontade de Helen de assumir o controlo de uma situação perigosa, enquanto outros acreditam que ela reforçou um cliché desgastado de mulheres objetificadas em nome do humor.
E, claro, há a ação! Terá sido um pouco exagerada ou terá sido uma das comédias de ação mais emocionantes dos anos 90? A interpretação de Arnold Schwarzenegger de um espião amoroso, mas reservado, foi credível ou inclinou-se demasiado para a típica persona do herói de ação?
Acham que «True Lies» ainda se mantém atual hoje em dia, ou o mundo mudou o suficiente para que os seus temas possam ser vistos de forma diferente? Adoraria saber o que todos pensam!
