Aos 53 anos, Valentina não conseguia imaginar que veria duas riscas no teste de gravidez. Ela pestanejou, sacudiu o teste, até o aproximou da luz, na esperança de que fosse um erro. Mas tudo era óbvio — ela estava grávida.
«Não pode ser…», sussurrou ela, colocando a mão trémula sobre a barriga. Ela pensava que as mudanças bruscas de humor e o aumento de peso eram apenas sinais da idade. Mas agora tudo fazia sentido.
Na consulta médica, Valentina sentou-se ansiosa, esperando a confirmação do diagnóstico. O Dr. Smirnov, seu médico de longa data, examinou atentamente o ecrã da ecografia e depois virou-se para ela com um sorriso gentil.
— Está a ouvir os batimentos cardíacos, Valentina? — perguntou ele.
Valentina franziu a testa. — Batimentos cardíacos? — repetiu ela, sentindo a voz tremer.
— Sim, Valentina. Está grávida de gémeos.

O ar pareceu sair dos seus pulmões. Gémeos?! Não era apenas inesperado — isso mudava toda a sua vida. Ela já era mãe, já era avó. Como poderia passar por tudo isso novamente nessa idade?
— Doutor — disse ela timidamente — é possível… interromper a gravidez?
O rosto do Dr. Smirnov ficou sombrio. — Valentina, receio que já seja tarde demais. Os seus exames mostram algumas anomalias e você precisará de acompanhamento cuidadoso. Além disso, é muito provável que você tenha um parto prematuro.
O coração de Valentina apertou-se. «Por favor, deve haver outra solução», disse ela, implorando.
O médico abanou a cabeça. «Interromper a gravidez nesta fase pode colocar a sua vida em risco. Não recomendo vivamente que o faça.»
As lágrimas vieram aos olhos de Valentina. Ela estava com medo — não só por causa da gravidez, mas também pelo que a sua filha, Marina, diria. Ela respirou fundo e pegou o telefone.
Quando Marina atendeu, ela parecia alegre.
— Olá, mãe! O que aconteceu?
Valentina hesitou e depois disse:
— Preciso de te contar uma coisa importante.
Marina riu-se.

— Mãe, estás tão séria. O que se passa?
— Eu… estou grávida.
Seguiu-se um silêncio. E depois Marina começou a rir-se.
— Mãe, você é demais! Ótima piada, você é hilária!
— Não estou a brincar, Marina. Olhe para o seu telemóvel — acabei de enviar os resultados da ecografia.
Passaram-se alguns segundos e Valentina ouviu uma inspiração brusca do outro lado da linha.
— Meu Deus, mãe… É verdade? Como… quer dizer… o que você vai fazer?
Valentina suspirou profundamente.
— Eu queria interromper, mas os médicos dizem que já é tarde demais. Não tenho escolha — terei que dar à luz.
A voz de Marina suavizou-se.
— Mãe, não se preocupe. Se Deus a colocou nessa situação, Ele também a tirará dela. E eu estarei ao teu lado.
Lágrimas rolaram pelo rosto de Valentina.
— Querida, eu queria te dizer mais uma coisa naquela época… mas tu me interrompeste.

— Mãe, nada mais importa agora. Apenas cuide de ti. Nós vamos superar isso juntas.
Com o apoio da filha, Valentina encontrou forças para seguir em frente. O genro Alexei também a apoiava, visitando-a regularmente e ajudando-a com as tarefas domésticas. Mas tudo mudou no dia em que os gémeos nasceram.
As crianças eram pequenas, frágeis, mas saudáveis. Quando a enfermeira entregou os bebés a Marina e Alexei, ambos ficaram paralisados.
Cada um dos gémeos tinha uma marca de nascença no ombro — exatamente igual à de Alexei.
Marina empalideceu.
— Como é possível? — sussurrou ela, sentindo o coração bater freneticamente.
Alexei olhou para as crianças, atordoado.
— Não sei… mas, Marina, não é o que estás a pensar.
Marina virou-se bruscamente para ele, os olhos brilhando de raiva.
— Tu… traíste-me com a minha mãe?!
Alexei ficou boquiaberto.

— O quê?! Como você pode pensar isso?!
Marina apontou para as pintas.
— Então explique isso! A mesma pinta que você tem! Como isso é possível?!
Alexei tentava desesperadamente encontrar as palavras certas.
— Marina, por favor, vamos conversar com a tua mãe antes de tirar conclusões.
Mas Marina já tinha invadido o quarto de Valentina, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Mãe! — gritou ela, com a voz trêmula de raiva. — Como você pôde fazer isso comigo?! Há quanto tempo isso vem acontecendo?!
Valentina, ainda fraca após o parto, piscou os olhos, perplexa.
— Querida, do que você está a falar?
— Os gémeos! Eles têm a marca de nascença do Alexei! Isso significa… — a voz de Marina falhou — isso significa que tu e Alexei…
Os olhos de Valentina arregalaram-se de choque.
— Marina, não! Tu não entendeste nada!
Alexei entrou na sala, tentando acalmar a esposa.

— Marina, vamos ouvir a tua mãe. Deixa-a explicar-se.
Valentina respirou fundo e estendeu a mão para a filha.
— Querida, há algo que eu deveria ter contado antes. Mas eu tinha medo.
Marina afastou-se, mas Valentina continuou.
— O pai dos gémeos… não é o Alexei. É o pai dele.
Seguiu-se um silêncio sepulcral.
O rosto de Alexei ficou cinzento como cinza.
— O meu pai? Você quer dizer… o meu pai? O Pedro?
Valentina acenou com a cabeça, sem conseguir conter as lágrimas.
— Nós nos encontramos na casa de campo dele há alguns meses. Nós bebemos… e tudo foi longe demais. Eu não queria que isso acontecesse e tinha medo de confessar.
Alexei engoliu em seco.
— O meu pai tem uma verruga igual. Ela é passada de geração em geração.
Marina cobriu o rosto com as mãos.

— Meu Deus… eu acusei-te de uma coisa terrível… Sinto muito. A ti, Alexei, e a ti, mãe.
Alexei respirou fundo.
— Mãe, tens que contar isso ao meu pai. Ele precisa saber.
Valentina hesitou, mas depois concordou. Quando ela ligou para Pedro e contou a verdade, ele ficou chocado.
Após uma longa pausa, ele disse:
— Preciso de ver-te. Agora mesmo.
Algumas horas depois, Pedro chegou ao hospital com um ramo de flores. Ele aproximou-se da cama de Valentina e… ajoelhou-se.
— Valentina — disse ele com um sorriso gentil —, nunca imaginei que a vida nos traria até aqui, mas aqui estamos. E agora temos dois pequenos milagres. Não quero fugir da responsabilidade. Queres casar comigo?
Os olhos de Valentina arregalaram-se de surpresa, e então ela riu — um riso sincero e alegre.
— Sim — sussurrou ela, acenando com a cabeça. — Sim, claro.
Alguns meses depois, Valentina e Pedro casaram-se numa pequena cerimónia acolhedora, rodeados pelos filhos e netos. A sua família, embora invulgar, estava cheia de amor.

O que podemos aprender com esta história?
Não tire conclusões precipitadas.
Marina imediatamente presumiu o pior sobre a sua mãe e o seu marido, sem conhecer todos os factos. Se ela os tivesse ouvido primeiro, teria evitado muitas lágrimas e dor.
Assuma a responsabilidade pelos seus atos.
Pedro poderia ter fugido ou se afastado da situação, mas agiu como um adulto e aceitou a nova realidade com amor.
O apoio dos entes queridos é extremamente importante.
As palavras de Marina deram a Valentina força para seguir em frente e criar os filhos, provando que o carinho e o apoio podem ajudar a superar até mesmo as provações mais difíceis.

A vida é cheia de surpresas.
Às vezes, o que parece ser uma catástrofe pode se transformar no início de um novo e maravilhoso capítulo.
Valentina, Marina, Alexei e Peter criaram uma família incomum, mas feliz. Porque, no final das contas, família não é uma situação ideal, mas pessoas que se amam e se apoiam, independentemente das circunstâncias.
