Tenho 74 anos e adotei um pastor alemão que iriam sacrificar.

Quando o meu filho me ligou e contou sobre o Hunter, o meu coração se partiu. Um jovem casal levou esse magnífico pastor alemão de três anos para um abrigo, pedindo que ele fosse sacrificado, porque estavam se mudando e «não conseguiam mais cuidar de um cão grande».

O cão que eles criaram desde cachorro foi simplesmente abandonado, como se não significasse nada.

É claro que o abrigo recusou o pedido e ficou com o cão. Mas quando ouvi essa história, não consegui parar de pensar nele. Disse ao meu filho que queria ficar com o Hunter, mas ele ficou em dúvida.

«Mãe, ele é um cão grande — e se for demais para ti?», perguntou ele.

Mas eu já tinha tido cães grandes antes e sabia como lidar com eles. Além disso, quando conheci o Hunter, percebi imediatamente que ele era bom e obediente.

Levei-o para casa no mesmo dia. Agora, Hunter segue-me para todo o lado, deita-se aos meus pés e olha para mim como se compreendesse que eu o salvei. Não consigo imaginar como alguém poderia vê-lo como um fardo. Agora ele é minha família e nunca o abandonarei.

Eu moro em uma pequena cidade nos arredores de uma grande cidade, em uma casinha com uma varanda ampla e um quintal aconchegante. Nada de especial, mas o suficiente para uma vida tranquila — e agora também para que Hunter possa esticar as patas.

Quando o trouxe para casa, esperava que ele ficasse nervoso, pois o ambiente era novo para ele. Mas Hunter me surpreendeu — ele se adaptou imediatamente, como se sempre tivesse vivido aqui.

Nos primeiros dias, preparei-lhe uma cama confortável na sala de estar. Assim que a coloquei, Hunter aproximou-se, cheirou-a e, com um suspiro silencioso, deitou-se. Como se finalmente tivesse encontrado paz. Isso aqueceu o meu coração. Eu sabia que nós dois éramos o par perfeito.

Na noite seguinte, o meu filho Daniel veio me visitar. Ele estava preocupado que fosse difícil para mim, mas, ao nos ver juntos no balanço da varanda, mudou imediatamente de opinião.

— Ele é tão calmo — disse Daniel, coçando Hunter atrás das orelhas.

Hunter respondeu esfregando levemente o nariz na mão do meu filho, como se dissesse: «Obrigado por me ajudar a encontrar um lar».

A cada dia, eu descobria novas características da personalidade de Hunter. Ele era vigilante, mas não agressivo. Atento, mas não nervoso.

Certa noite, o gato do vizinho entrou acidentalmente no quintal. Eu esperava que Hunter latisse ou corresse atrás dele, mas ele apenas inclinou a cabeça, cheirou cuidadosamente o gato através da cerca e observou calmamente enquanto ele se afastava. Esse pequeno momento mostrou-me o quanto ele era bondoso.

Certa manhã, Hunter e eu saímos para o nosso passeio habitual. Às vezes, os vizinhos se juntam a nós e conversamos sobre assuntos do dia a dia — o tempo, as novas famílias na cidade, a feira na praça.

Naquele dia, reparei num adolescente chamado Roman, que estava parado na esquina com uma expressão preocupada. Ele procurava algo nos arbustos.

«Está tudo bem?», perguntei, abrandando o passo.

«Perdi as chaves», suspirou Roman. «E já estou atrasado para chegar a casa, a minha mãe vai ficar preocupada.»

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Hunter puxou levemente a trela, aproximou-se da relva junto ao passeio e começou a farejar. Passados alguns segundos, ouvi um som suave.

E, sem dúvida, Hunter tinha apanhado um molho de chaves do chão!

— Uau, muito obrigado! — exclamou Roman, radiante de alegria.

Eu ri:

— Parece que o faro dele funciona melhor do que o nosso!

Desde então, Roman sempre acenava para nós quando nos encontrava e, às vezes, corria para acariciar Hunter. Assim, não só fortalecemos a nossa amizade, mas também nos tornamos parte da nossa pequena comunidade.

Um mês depois, aconteceu uma reviravolta inesperada.

Daniel ligou-me com ansiedade na voz:

— Mãe, você não vai acreditar quem veio ao abrigo.

Eram os antigos donos do Hunter. Eles voltaram, arrependidos da sua decisão e na esperança de saber onde estava o seu cão.

Mas os funcionários do abrigo recusaram-se a dar-lhes essa informação. Eles lembraram ao casal que foram eles próprios que pediram para o Hunter ser sacrificado, de forma bastante indiferente, e que agora não tinham o direito de o reclamar de volta.

Ao ouvir isso, senti uma onda de emoções — raiva, ansiedade, mas, acima de tudo, determinação. Eles quase destruíram a vida dele. Na minha opinião, Hunter já estava onde deveria estar.

Daniel avisou-me que eles poderiam tentar descobrir para onde o cão tinha ido. Primeiro fiquei zangada, depois nervosa, mas os dias passavam e nada acontecia, então decidi não me preocupar com isso.

A vida continuou.

Descobri que Hunter adora passeios de carro. Tenho um sedan velho, mas confiável, e há espaço suficiente para ele no banco de trás. Ele gosta de se deitar perto da janela, expondo o focinho ao vento, e tenho certeza de que, nesses momentos, ele sorri.

Certa vez, durante um passeio na reserva natural, tropecei numa raiz de árvore e quase caí. Arranhei o joelho e senti uma pontada nas costas. Nem tive tempo de perceber, e Hunter já estava ao meu lado. Ele ficou encostado em mim, imóvel, até que me levantei, apoiando-me nele.

Esse momento reforçou a minha certeza de que tinha feito a coisa certa ao adotá-lo.

Logo os vizinhos começaram a notar o quanto Hunter era dedicado a mim. Certa vez, a minha amiga Marina veio me visitar. Ela tinha medo de cães grandes, mas Hunter sentou-se educadamente ao meu lado e esperou pacientemente até que ela se atrevesse a acariciá-lo. Uma hora depois, Marina não parava de elogiar o quão carinhoso ele era.

A verdadeira surpresa aconteceu na clínica veterinária. Na sala de espera, ouvi uma conversa sobre cães de companhia para idosos. Uma das funcionárias reparou como Hunter era equilibrado e sugeriu tentar treiná-lo para trabalhar em hospitais e lares de idosos.

Eu concordei. Começámos os treinos e, em breve, Hunter começou a visitar o centro local para idosos. Lá havia um senhor, o Sr. Rosario, que quase nunca falava. Mas quando via Hunter, o seu rosto se iluminava com um sorriso e ele acariciava suavemente as costas dele, repetindo baixinho:

— Bom menino…

Agora, com Hunter a dormir aos meus pés, penso em como estou grata ao destino por aquele telefonema do Daniel.

O meu filho brinca dizendo que não fui eu que salvei Hunter, mas sim ele que me salvou. Talvez ele tenha razão.

O amor não tem idade, e o bem retorna cem vezes mais. Essa é a essência da segunda tentativa — às vezes, elas se tornam os melhores milagres.

Portanto, eis a minha mensagem para todos vocês: nunca subestimem a vossa capacidade de amar e cuidar. Nunca se sabe que felicidade vos espera ao virar da esquina, se simplesmente abrirem o vosso coração — mesmo que pensem que são «muito velhos» ou «muito ocupados».

Às vezes, as maiores mudanças vêm através dos menores atos de bondade.

Obrigada por dedicarem o vosso tempo e lerem a minha história com Hunter. Se ela vos tocou, por favor, curtam e partilhem com os vossos amigos. Talvez, graças a vocês, alguém decida salvar uma vida e ganhe um amigo fiel em troca.